Atualizada às 14h29 |
José Cruz/Agência Brasil
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) condenada a pagar R$ 350 mil de uma dívida contraída durante sua gestão como prefeita de São Paulo
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Marcela Rocha
A ex-prefeita de São Paulo e hoje deputada federal pelo PSB, Luiza Erundina, fala a Terra Magazine sobre o jantar beneficente, ocorrido nesta segunda-feira, 9, organizado para ajudá-la a quitar sua dívida de R$ 350 mil com a Prefeitura de São Paulo. A dívida foi contraída em 1989, quando esteve no comando do município. Para Erundina, a condenação "foi uma perseguição política por ter saído em defesa dos trabalhadores". "Celso Pitta e Paulo Maluf estão aí", acrescenta em referência aos seus dois sucessores à frente da prefeitura.
- Foi um julgamento ideológico, exatamente por se tratar de um governo que tinha uma posição política, que tinha lado, não era neutro. Se eu tivesse tomado uma posição contrária aos trabalhadores não teria sido condenada e estaria tudo bem.
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Erundina advoga em causa própria: "Eu não me beneficiei pessoalmente, eu não dei prejuízo à prefeitura". E enfatiza que era necessário explicar para a cidade as razões que levaram à paralisação dos meios de transporte. A deputada foi condenada por ferir a Constituição, ao usar recursos públicos para a divulgação de um comunicado que tratava da paralisação de ônibus entre os dias 14 e 15 de março de 1989.
- Paulo Maluf e Celso Pitta fraudaram objetivamente e manifestamente os interesses da cidade e do Estado quando foram os administradores, e estão aí. Não me consta que eles tenham sido condenados, nem me consta que tenham sido obrigados a pagar alguma coisa e foram denúncias muito concretas, provadas - ataca.
Leia abaixo a entrevista:
Terra Magazine - Como a senhora lida com a sua condenação?
Luiza Erundina - Olha, isto é, na verdade, uma luta política e ideológica. Era uma conjuntura muito diferente de hoje. O País tinha acabado de sair de uma ditadura, a política econômica era aquela com uma inflação de mais de 80%, o desemprego, o arrocho salarial. Havia uma conjuntura que explica a mobilização dos trabalhadores para pressionar politicamente quem estivesse no governo para rever a política da época. Então foi uma paralisação nacional contra essa política econômica e por mudanças no País. O nosso governo manifestou-se publicamente a respeito da greve.
E havia essa necessidade?
Sim, claro. Inclusive para explicar a greve na cidade, explicar o fato de os trabalhadores na área de transporte terem parado, o fato de não termos os ônibus da empresa municipal de transporte estar sem seus ônibus nas ruas. Não colocamos os ônibus para operar naquele dia porque a frota estava sucateada. Foi tudo muito no início do meu mandato.
A senhora acha, então, essa cobrança injusta?
Comparado com os outros casos, outros fatos, eu não me beneficiei pessoalmente, eu não dei prejuízo à prefeitura. Em vinte anos, essa dívida foi se acumulando e, ao meu ver, foi uma perseguição política, um julgamento ideológico, exatamente por se tratar de um governo que tinha uma posição política, que tinha lado, não era neutro. Se eu tivesse tomado uma posição contrária aos trabalhadores, não teria sido condenada e estaria tudo bem. Pelo fato de o governo ter reconhecido a legitimidade do movimento foi julgado politicamente.
Vamos pegar um outro exemplo de prefeitos em São Paulo: Celso Pitta e Paulo Maluf. É sabido que uma série de denúncias envolvendo os cofres públicos foram atribuídas aos dois...
Tem tantos políticos, tantos governos, tantas lideranças que, comprovadamente, cometeram atos ilícitos em relação aos recursos públicos. Maluf e Pitta fraudaram objetivamente e manifestamente os interesses da cidade e do Estado quando foram os administradores, e estão aí. Não me consta que eles tenham sido condenados, nem me consta que tenham sido obrigados a pagar alguma coisa e foram denúncias muito concretas, provadas. Sem dúvida nenhuma, é muito estranho, por isso a indignação generalizada. Estou recebendo muita solidariedade de diversos setores, de diversas pessoas dos mais distintos lugares.
Ontem, no jantar, esse era o clima predominante?
Ontem tinha gente do PSDB, PDT, PSB, vários segmentos do PT e pessoas que não tinham vínculo algum com partidos. Além de pessoas do meu governo. Olha, tinha mais de 700 pessoas lá. Isso é uma prova de que foi um julgamento político-ideológico, que deu um tratamento desigual, injusto em relação a situações que estiveram sob a mesma alegação de que foi violado o interesse público da cidade. Não foi um julgamento técnico. Estamos aproveitando a oportunidade para, não só angariar apoio financeiro, mas também para fazer um debate político.