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Quarta, 11 de novembro de 2009, 16h59 Atualizada às 20h31

Inpe diz serem mínimas as chances de raio ter causado apagão

Eliano Jorge

Técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), concluíram que são ínfimas as chances de um raio ter provocado o apagão que atingiu 18 Estados brasileiros e o Paraguai, entre terça e esta quarta-feira.

Mesmo assim, o Ministério de Minas e Energia insiste em atribuir o blecaute a problemas nas linhas de transmissão possivelmente provocados por condições climáticas adversas. Agarra-se às tais "chances mínimas". Uma tempestade e emissões de descargas elétricas de baixa intensidade estavam distantes das estações e subestações, afirma o estudo metereológico do Inpe (leia aqui).

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O 8º Distrito de Metereologia do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), que estuda variações climáticas no Sul do País, também não registrou nada que chamasse a atenção no dia da queda de energia.

"Na hora do apagão, pelas imagens, não tinha nada naquela região (da usina de Itaipu). Havia alguma coisa lá no norte do Paraná e no sul de São Paulo, até uma instabilidade e descargas elétricas. Antes, à tarde, a instabilidade realmente passou pela área de Foz do Iguaçu, Cascavel, ali no oeste do Estado. Não chegou a provocar chuva forte nas nossas estações (do Inmet) - em outros pontos, pode ter chovido mais forte mesmo -, não tivemos rajadas de vento muito intensas, houve fortes, mas não tão intensas. Entre 3 e 5 horas da tarde, houve vento forte que já pode causar algum estrago", analisou o metereologista Flávio Varone.

Na prática, as condições climáticas no sul não fugiram ao normal ontem, embora o Inmet tenha lançado alerta de ventos fortes, à tarde, para Defesa Civil, órgãos regionais e cidadãos que solicitam gratuitamente os informes.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) esperava a reunião desta tarde - entre o presidente da República, ministro de Minas e Energias e responsáveis por órgãos do setor - para emitir um comunicado oficial. Mas Terra Magazine apurou que não houve nenhum aviso fora de padrão na terça-feira, em termos climáticos. A causa do imenso blecaute ainda é buscada. Complexo, o sistema exige a análise de uma série de dados.

A reunião também balizaria uma declaração da assessoria de comunicação de Furnas, que gere a usina de Itaipu e mantém-se informada pela Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas. Esta congregação de institutos metereológicos engloba o Inpe, que praticamente descartou a interferência do mau tempo.

 

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