Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso entre 19 de abril e 20 de maio de 1980. Presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, lutava por liberdade e reivindicava melhores condições trabalhistas para os operários, em plena ditadura militar.
Em 1º de abril daquele ano, iniciou-se uma greve histórica que perduraria por 41 dias, envolvendo 140 mil metalúrgicos da região.
O ministro do Trabalho do governo João Figueiredo, Murillo Macêdo, decretou a ilegalidade da paralisação. Em 17 de abril, destituiu Lula da direção do sindicato, que ficou submetido a uma intervenção. Porém, na prática, o futuro presidente da República manteve-se à frente do movimento.
Dois dias depois, em casa, acabou preso, sob alegação de ferir a Lei de Segurança Nacional. Mesma argumentação para a prisão de outros dirigentes sindicais da Grande São Paulo. Ele formava o grupo que fez greve de fome por seis dias, dissuadida após intervenção de Dom Cláudio Hummes - atual prefeito da Congregação do Clero, nomeado pelo papa Bento XVI em 2006.
Nas manifestações pelo Dia Internacional do Trabalhador, imagens de Lula eram exibidas entre as 120 mil pessoas presentes em São Bernardo do Campo. Em 11 de maio, os metalúrgicos voltaram ao trabalho, fortalecidos pelo histórico combate. No dia seguinte, Lula recebeu autorização do então diretor geral do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), o delegado Romeu Tuma - hoje senador pelo PTB paulista -, para deixar a prisão e participar do velório e do enterro de sua mãe, Eurídice Ferreira Mello, dona Lindu. A liberdade definitiva veio em 20 de maio.
Em novembro de 1981, a Justiça Militar condenou Lula a três anos e seis meses de prisão, mas a pena acabaria anulada pelo Superior Tribunal Militar.
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