Roberto de Sousa Causo
De São Paulo
A série Predadores, do escritor francês Dufaux e do ilustrador italiano Marini, foi completada pela Devir este ano, em quatro volumes. São álbuns de luxo em formato tradicional, com uma arte de quadrinhos soberbamente realizada. O volume 1 foi resenhado aqui em 20 de setembro de 2008.
Nesta segunda narrativa, a história oferece algumas explicações para quem são os antagonistas da dupla de heróis, a esguia ruiva Vicky Lenore e seu parceiro, o ítalo-americano Benito Spiaggi, às voltas com crimes violentos envolvendo os membros de uma sociedade secreta de figurões marcados por um quisto atrás da orelha direita. Já sabemos que essas pessoas, milionários, juízes, políticos e até policiais da alta roda, estão sendo mortos por um casal de muito estilo, gostos sexuais "diferentes" e habilidades super-humanas. Conforme o antecipado no primeiro volume, as coisas neste ponto da série se definem em torno do mito dos vampiros, que Dufaux & Marini redefinem como tendo mutado ao longo dos séculos e adquirido a habilidade de sobreviver ao sol, nisso abrindo as portas para a sua infiltração na sociedade humana. Essa mudança, também política entre os vampiros, não foi acatada por todos sem resistência - sendo confrontada com a disposição implacável dos vampiros. Uma seção em flashback da HQ mostra como um violento vampiro espanhol teve o seu feudo exterminado, sobrevivendo apenas o seu casal de filhos, Drago e Camilla.
São, obviamente, os tais que Lenore e Spiaggi procuram pela rua da megalópole em que trabalho, e que, embora não-nomeada, lembra claramente Nova York. Séculos depois, os incestuosos irmãos estão ali para realizar a sua vingança contra os outros da sua espécie. Lenore acaba no caminho de Drago e Camilla, num encontro cujas conseqüências só veremos no volume 3.
Em outra linha narrativa, acompanhamos um terceiro personagem sobrenatural, o jovem Aznar Akeba, que dá um toque orientalista à essa história em quadrinhos. Ele também só será trazido à ação principal nos próximos volumes.
Este volume 2 não parece tão bem escrito quanto o primeiro, com um pouco menos de caracterização da dupla de heróis, um pouco mais da dupla de vilões. Em alguns momentos o desenrolar da trama parece truncado, mas o que cativa é justamente o suspense e a antecipação de como todas as linhas narrativas e todas as histórias pessoais dos personagens irão se encontrar num confronto final.
Predadores é uma série sexy e violenta, desenhada e colorizada com virtuosismo por Marini. Embora ambientada nos Estados Unidos, há uma sensibilidade claramente européia não só na elegância do seu traço, mas também na sua evocação de uma aristocracia moralmente corrompida, no seu interesse pela história, e nas evocações góticas. Nisso, seus autores trazem uma variação interessante à vampiromania atual. Vale acompanhar.