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Segunda, 21 de dezembro de 2009, 09h45

Comitê 2014 é caixa preta de Ricardo Teixeira, diz deputado

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Rattes conversa com o ministro do Esporte, Orlando Silva, em sessão da Subcomissão da Copa de 2014
Rattes conversa com o ministro do Esporte, Orlando Silva, em sessão da Subcomissão da Copa de 2014

Eliano Jorge

Pelas palavras do deputado federal Paulo Rattes, do PMDB/RJ, relator da Subcomissão da Copa do Mundo de 2014, teme-se um desastre na organização do maior evento do futebol, em 12 cidades brasileiras. Não há sinais de ufanismo, apesar de ele se declarar um apoiador do presidente Lula.

Aprovado por unanimidade pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, seu relatório não poupa o governo federal e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sobram críticas. Faltam respostas às perguntas da subcomissão.

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Rattes reclama da inexistência de planejamento, ações estratégicas e previsão de custos. "Nada, não existe nada. O relatório foi bastante crítico realmente porque ele constatou a realidade, o que vem acontecendo até agora, que temos apenas palavras - que se perdem com o vento. Não existem fatos, não existe nada que determine alguma coisa concreta no sentido de resolver os grandes gargalos para o bom funcionamento da Copa", disse a Terra Magazine.

Mais do que simples alarmismo, ele garante que a preocupação se deve ainda a um precedente perigoso para o atual despreparo: os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. "É para não acontecer o que aconteceu no Pan, quando, em cima da hora, em regime de urgência, foram feitas as obras, e custaram muito mais. Tanto que estamos com uma CPI pra vermos como isso funcionou. Há grande possibilidade de que tenha havido corrupção", avisou.

O parlamentar suspeita da incapacidade dos aeroportos de suportar o incremento de centenas de milhares de passageiros durante a competição, cujos principais deslocamentos serão em aviões. E o prazo para os ajustes não é 2014, lembra ele, pois muita coisa precisa estar pronta para a Copa das Confederações, um ano antes.

"Eu posso deixar de ser deputado no próximo ano, mas a subcomissão é permanente, ela continua", frisa Rattes sobre a manutenção das cobranças.

Majestade Ricardo Teixeira

O relator critica o Comitê Organizador Local e sugere a criação de uma comissão organizadora o mais plural possível. "Constituir um comitê que seja capaz de agregar diversos setores da sociedade. Estive recentemente em missão oficial na África do Sul, onde, desde o início (da preparação para a Copa do Mundo de 2010), o comitê local de organização, constituiu, junto com o governo federal e os diversos ministros afetos à questão, uma grande coordenação, além do comitê local, além do comitê de esportes - no caso do Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol - a sociedade civil", compara.

Rattes prossegue o seu paralelo: "O que me impressiona é que, na África do Sul, houve participação da sociedade e dos dirigentes, enquanto a CBF se comporta como se não tivesse nada com isso e, quando convidada, não comparece às comissões pra atender a vontade de esclarecimentos de todos do Brasil. Nem sequer responderam (convites)".

Para ele, a organização brasileira da Copa tem um arriscado caráter privado. "É uma caixa preta em que ninguém entra, só Ricardo Teixeira e seus amigos. Há contratos de publicidade, isenção de impostos e todas as regalias, ninguém vai saber disso. Só acontece no Brasil. Ninguém comparece pra esclarecer como estão as coisas. Mas estão no Ministério da Fazenda para exigir uma série de isenções, não vão pagar impostos. São majestades acima do Estado Brasileiro, acima da sociedade e do Congresso", dispara o deputado Paulo Rattes.

Atento em não caracterizar seu relatório como mecanismo de oposição aos administradores públicos, ele ressalta: "Eu faço parte do governo, apoio o presidente Lula, mas quero apenas alertá-lo para ele colocar um grupo interministerial, não é só de representantes da sociedade. Inclusive a CBF".

Suas observações rondam também a Federação Internacional de Futebol (Fifa). "Ela faz exigências absurdas. Até de iluminação, para aumentar com custo fabuloso. E ninguém discute isso. A Fifa - e a CBF, seu porta-voz - está entronizada sem discutir essas questões", queixa-se.

O dinheiro gasto na adequação de estádios é questionado pelo deputado. Nove arenas são públicas. São Paulo, Internacional e Atlético Paranaense possuem os três palcos particulares escolhidos. "Como os clubes vão assumir dívidas para sediar dois, três jogos? Como vão arcar com estes custos? Clubes e Estados são deficitários. Duvido que tenham capacidade de endividamente de acordo com as normas do BNDES. Ouvi de um ministro que Deus é brasileiro...", ironiza, sem se juntar às preces.

 

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