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Segunda, 21 de dezembro de 2009, 15h35 Atualizada às 03h47

Messi vai superar maldição de prêmio, diz Zagallo

Eliano Jorge

Os mais supersticiosos entre os anti-argentinos certamente se satisfazem em ver Lionel Messi, maior esperança da seleção de futebol da Argentina, como o vencedor do troféu de melhor jogador do mundo de 2009, na tarde desta segunda-feira, 21, em Zurique, Suíça.

Isso se deve ao fato de que fracassaram na principal competição do futebol todos os premiados dos anos anteriores às Copas do Mundo. Agora, é Messi quem pode carregar esta "maldição" com o time de Maradona.

Porém, o ultrassupersticioso Mário Jorge Lobo Zagallo, quatro vezes campeão mundial com o Brasil, afasta o mau agouro do argentino. "Não há problema, todo ano está ganhando um garoto. É o Kaká, o Cristiano, agora é o Messi. Faz parte. Não há maldição nenhuma!", exorcizou, para Terra Magazine.

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Se o efeito aziago na Copa é evidente, parece menos forte nas demais temporadas, embora se manifeste também. Quase todos os vencedores do prêmio da Federação Internacional de Futebol (Fifa) tiveram um ano seguinte ruim, sem títulos e/ou com lesões (veja quadro abaixo).

Sob os holofotes do planeta inteiro, a queda de rendimento parece acentuada. E as cobranças, claro, aumentam.

Barça domina

Das 19 edições do prêmio, cinco foram para um dono da camisa 10 do Barcelona. Uma ocorrência de mais de 26%, portanto. A dinastia já teve Romário, Rivaldo e, duas vezes, Ronaldinho Gaúcho; agora, Messi. Ronaldo vestia a 9.

Quando eleitos, todos os atletas consagrados pela Fifa estavam em apenas seis clubes: Barcelona (seis vezes), Real Madrid (quatro), Juventus (três), Milan (três), Internazionale (duas) e Manchester United (uma). Ou seja, os times espanhóis tiveram um jogador contemplado em nove oportunidades. Os italianos, em sete. Os ingleses, em uma.

Somente craques de oito países foram agraciados pela Fifa. O Brasil soma oito troféus, com cinco jogadores. A França, três, só com Zinédine Zidane. A Itália, dois, com uma dupla, assim como Portugal. Alemanha, Holanda e Libéria - mais a Argentina - possuem um, cada.

Os premiados da Fifa e seu desempenho no ano seguinte:
1991 Lothar Matthäus (Alemanha), meia da Internazionale (Itália)
Teve sua sequência de títulos interrompida. Lesionado, não disputou a Eurocopa de 92 e Alemanha perdeu a final para a zebra Dinamarca.

1992 Marco Van Basten (Holanda), atacante do Milan (Itália)
Perdeu a final da Liga dos Campeões e, com lesões crônicas de tornozelo, iniciou sua precoce despedida dos gramados, aos 28 anos.

1993 Roberto Baggio (Itália), meia da Juventus (Itália)
Machucou-se, quase ficou fora da Copa do Mundo de 1994 e acabou marcado pelo pênalti perdido na decisão contra o Brasil.

1994 Romário (Brasil), atacante do Barcelona (Espanha)
Afastou-se do primeiro escalão do futebol mundial. Acumulou contusões e carregou o peso do fracassado ano do centenário do Flamengo.

1995 George Weah (Libéria), atacante do Milan (Itália)
Bancou as despesas da seleção da Libéria, mas acabou eliminado da Copa da África de 1996 por Gabão e Zaire na primeira fase. Campeão italiano, foi suspenso por agredir um adversário.

1996 Ronaldo (Brasil), atacante de PSV (Holanda) e Barcelona (Espanha)
Fez ótima temporada em 1997, mas o joelho direito voltou a incomodá-lo.

1997 Ronaldo (Brasil), atacante de Barcelona (Espanha) e Internazionale (Itália)
Pouco antes da final da Copa de 98, sofreu uma suposta convulsão que afetou a seleção, derrotada pela França.

1998 Zinédine Zidane (França), meia da Juventus (Itália)
Não conquistou títulos como nos anos anteriores e não mostrou o mesmo rendimento individual. O time também não embalou.

1999 Rivaldo (Brasil), meia do Barcelona (Espanha)
Tornou-se artilheiro da Liga dos Campeões Europeus, mas a sequência de títulos foi interrompida, e a relação com o treinador holandês Louis Van Gaal se deteriorou. Aumentaram as cobranças na seleção brasileira, que viveu má fase.

2000 Zinédine Zidane (França), meia da Juventus (Itália)
Não ganhou títulos. Sua transferência para o Real Madrid foi a mais cara da história, até ser superada em 2008 por Cristiano Ronaldo.

2001 Luís Figo (Portugal), meia do Real Madrid (Espanha)
Fracassou na Copa do Mundo de 2002, com a despedida portuguesa na primeira fase. Porém, venceu a Liga dos Campeões Europeus e o Mundial Interclubes.

2002 Ronaldo (Brasil), atacante de Internazionale (Itália) e Real Madrid (Espanha)
Sagrou-se campeão espanhol, o que não contentou as expectativas em torno do estrelado Real Madrid. Não caiu nas graças dos torcedores.

2003 Zinédine Zidane (França), meia de Juventus (Itália) e Real Madrid (Espanha)
Anunciou sua aposentadoria da seleção francesa, após eliminação na Eurocopa de 2004, diante da Grécia. Não venceu campeonatos.

2004 Ronaldinho Gaúcho (Brasil), meia do Barcelona (Espanha)
Continuou em alto nível, conquistou o Campeonato Espanhol e, pela seleção brasileira, a Copa das Confederações.

2005 Ronaldinho Gaúcho (Brasil), meia do Barcelona (Espanha)
Ganhou a Liga dos Campeões Europeus e o bicampeonato espanhol, mas, a partir de então, fracassou na Copa do Mundo de 2006, não obteve mais nenhum título e chegou a nem sentar no banco de reservas.

2006 Fabio Cannavaro (Itália), zagueiro de Juventus (Itália) e Real Madrid (Espanha)
Levou o Campeonato Espanhol em 2007, mas não acertou a defesa madridista, e suas falhas não passaram despercebidas.

2007 Kaká (Brasil), meia do Milan (Itália)
Sofreu com lesões, ausentou-se da Olimpíada de 2008 e quase não atuou pela seleção brasileira. O Milan realizou campanhas decepcionantes.

2008 Cristiano Ronaldo (Portugal), atacante do Manchester United (Inglaterra)
Atormentado por contusões, viu Portugal se classificar à Copa do Mundo somente quando ele não pôde jogar. Faturou o Campeonato Inglês e a Copa da Liga Inglesa. Protagonizou a mais cara transferência do futebol.

 
Isaac Ismar/Especial para Terra
Zagallo: "Não há maldição nenhuma"

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