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Quinta, 7 de janeiro de 2010, 09h23 Atualizada às 09h56

SP: Prefeitura estima ter reduzido 83% de área de alto risco

LC Costa/Futura Press
Homem tenta evitar que água invada casa na avenida Aricanduva, zona leste de São Paulo
Homem tenta evitar que água invada casa na avenida Aricanduva, zona leste de São Paulo

Marcela Rocha

Depois das tragédias do início do ano, São Paulo e Rio de Janeiro equacionam soluções e medidas emergenciais para dar conta das vítimas dos deslizamentos e das enchentes, além da falta de planejamento urbano.

Segundo pesquisa da prefeitura de São Paulo, a cidade tinha 562 pontos de risco em 2004. Ou seja, pontos mais vulneráveis em casos de tempestades. Deste total, 315 eram classificados como Risco Alto e Muito Alto e 247 de Baixo e Médio. A prefeitura estima que, até agora, 83% das ocorrências enquadradas na primeira classificarão já foram reduzidas ou eliminadas.

Ex-superintendente de Habitação Popular da prefeitura de São Paulo, o urbanista Nabil Bonduki minimiza o otimismo. "É difícil dizer que a situação de redução seja de 83%", diz e explica que "se o risco era um em 2003, data do mapeamento, pode aumentar no ano seguinte".

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As subprefeituras onde se concentram maior parte dos índices de Risco Alto e Muito Alto são: M´Boi Mirim, Frequesia do Ó e Campo Limpo. As três estão sob Estado de Atenção para deslizamentos, segundo a Defesa Civil.

A estimativa otimista da gestão paulistana (83% de redução das áreas de Risco Alto ou Muito Alto) é baseada em "intervenções" feitas nesses locais. Segundo dados apresentados pela Secretaria das Subprefeituras, 18,7 mil famílias foram "beneficiadas" com as chamadas intervenções: construção de muros, retaludamento - mudar a inclinação da encosta - ou obras de drenagem. Ou seja, não foram removidas de seus lares.

Nas regiões onde há Risco Alto ou Muito Alto, incidentes como deslizamentos de terra acontecem em maior número em caso de chuva, segundo explica Luciana Pascarelli Santos, geóloga que coordena a situação das áreas de risco na Secretaria das Subprefeituras.

A população se instala em locais com solos problemáticos - rachados, em encostas de rios -, muitas vezes retiram a vegetação e, "em alguns casos, é mais caro tornar aquele local seguro do que fazer a remoção das famílias dos locais", afirma a geóloga.

Ainda segundo a pesquisa da Prefeitura, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Tecnologia (IPT) e em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 459 áreas de encostas são ocupadas e apresentam risco para os moradores, assim como 79 margens de córregos e 24 encostas em córregos.

Ao todo, 36 mil moradias estão em locais considerados arriscados pela prefeitura, o que significa aproximadamente 180 mil pessoas. Esse número se subdivide em: 11.500 moradias em áreas de Risco Alto e Muito Alto (aproximadamente 58 mil pessoas) e 24.500 moradias em Risco Médio e Baixo (cerca de 122 mil pessoas).

Nabil Bonduki, também ex-vereador pelo PT, elogia projetos de urbanização de favelas. Mas, para o urbanista, "a política, como um todo, é falha". "Ao invés de buscar ocupar os vazios urbanos, a prefeitura de São Paulo ajuda a proliferarem ocupações inadequadas", diz.

- Tem sido muito comum a prefeitura paulista remover as pessoas e dar o chamado 'cheque despejo', que é um estímulo para a ocupação inadequada. O cheque é um crime, é a política de tirar da frente - critica.

O volume de chuva que caiu sobre a capital paulista desde o começo de 2010 acumulou 48% do previsto para o mês de janeiro. A chuva de pouco mais de uma hora que atingiu a cidade nesta segunda-feira, 4, inundou vias importantes, interrompeu a circulação de trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e provocou a queda de um muro na Avenida 23 de Maio.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), chove em São Paulo todos os dias desde 23 de dezembro.

 

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