Atualizada às 08h07 |
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China deve servir de exemplo para EUA avançarem na geração de energia limpa, opina Friedman
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Thomas L. Friedman
Do The New York Times
C.H. Tung, primeiro Chefe Executivo de Hong Kong, resumiu em três frases a história econômica da China moderna: "A China estava adormecida durante a Revolução Industrial. Estava acordando durante a Revolução da Tecnologia da Informação. Mas pretende estar bem desperta para a Revolução Verde".
Concordo. Visitando a China neste exato momento, eu não poderia estar mais convencido de que os historiadores, quando analisarem a posição do país na primeira década do século XXI, dirão que a coisa mais importante que aconteceu não foi a Grande Recessão, mas a Grande Insurgência da China. As lideranças de Pequim têm plena consciência de que a revolução da TE - Tecnologia da Energia - é, além de necessária, uma grande oportunidade que elas não têm intenção de deixar passar. Ao passo que os Estudos Unidos continuam tentando recompor o Afeganistão. Boa sorte.
Eu sei que as coisas não são tão simples. Mas vamos analisar com mais objetividade: Andy Grove, co-fundador da Intel, costumava dizer que as empresas chegam a "pontos de inflexão estratégica", em que a filosofia do negócio muda e elas se veem obrigadas a tomar decisões difíceis de investimento para controlar sua trajetória ou simplesmente não fazer nada. O mesmo se aplica a países.
Os Estados Unidos estão exatamente nesse ponto de inflexão estratégica. Temos duas opções: ou estabelecemos um preço para as emissões de carbono e incentivos regulatórios para garantir que os EUA sejam o maior concorrente/parceiro da China na Revolução de TE ou vamos perder essa indústria gradualmente para Pequim, dando adeus aos empregos e à estabilidade energética que ela tem a oferecer.
Será que o presidente Barack Obama vai aprovar sua reforma de saúde e deixar de lado a legislação de energia - e a taxa de carbono - que o Congresso já aprovou, para chegar ao meio de mandato sem a pressão por parte dos republicanos com relação a novos impostos? Ou será que ele vai aproveitar a oportunidade antes que chegue a avaliação de meio de mandato - talvez a última chance para reunir a maioria do Senado, incluindo alguns republicanos, para estabelecer uma taxa para as emissões de carbono - e, por consequência, dar início a uma inovação significativa para uma energia limpa nos Estados Unidos?
Fiquei bastante impressionado com a quantidade de novos projetos relacionados à geração de energia eólica, solar, nuclear e a carvão surgidos na China no último ano. Veja o e-mail de Bill Gross, diretor da eSolar, empresa de geração de energia solar térmica: Sábado passado, em Pequim, disse Gross, ele anunciou "o maior acordo de energia solar térmica já feito: Um acordo de 2 giga watts e 5 bilhões de dólares para construir usinas na China usando tecnologia de geração desenvolvida na Califórnia. A China está mais agressiva no mercado do que os EUA. Requisitamos um empréstimo ao Departamento de Energia americano para desenvolver um projeto de 92 megawatts no Novo México e, com o tempo que levou ao Departamento para avaliar apenas a primeira fase do empreendimento, a China aprovou e está pronta para construir já neste ano um projeto 20 vezes maior!".
Sim, as mudanças climáticas são uma preocupação em Pequim, mas os líderes chineses estão ainda mais preocupados com a migração em massa da população do interior para as grandes cidades, que atinge níveis jamais vistos na história do país. Isso cria uma demanda crescente de energia, que a China está determinada a satisfazer de forma limpa e autossustentável, para que a economia seja menos vulnerável no futuro a quedas e choques e também para o país não sufocar com a própria poluição.
Só no ano passado, o mercado de energia solar cresceu tanto na China que o preço do Quilowatt-hora caiou de 59 centavos de dólar para 16 centavos, de acordo com Keith Bradsher, do New York Times. Enquanto isso, a China testou na semana passada o trem-bala mais rápido do mundo - 350 km por hora - de Wuhan a Guangzhou. Como observa Bradsher, a China "está quase terminando a construção de uma rota de trilhos de alta velocidade que liga Pequim a Xangai, por 23,5 bilhões de dólares. Levará apenas cinco horas para o trem cobrir os 1.120 km do percurso, que hoje leva 12 horas. Em comparação, os trens da Amtrak levam 18 horas para cobrir uma distância equivalente, de Nova York a Chicago".
A China também está na liderança na expansão da energia nuclear. A expectativa é de que sejam construídos 50 novos reatores nucleares até 2020; espera-se que o resto do mundo ao todo construa no máximo 15.
"Até o final desta década, a China dominará a produção global de equipamentos de energia", declarou Andrew Brandler, CEO do Grupo CLP, a maior empresa de fornecimento de energia da Hong Kong.
Enquanto isso, a China tornará as tecnologias de geração de energia limpa mais baratas a todos. Mas até os especialistas chineses dizem que a evolução acontecerá mais rápido e de forma mais eficiente se a China e os Estados Unidos trabalharem juntos - com os norte-americanos contribuindo com a pesquisa e inovação energética, onde a China ainda é deficiente, além da formação de parcerias de investimento em tecnologias limpas, com a China contribuindo com sua capacidade de produção em massa. Chegamos a um ponto de inflexão estratégica. Está bem claro que se os Estados Unidos se importam com a segurança energética e estabilidade econômica e ambiental, é preciso aprovar uma legislação que estabeleça um preço para as emissões de carbono e fomente novas formas de geração de energia limpa. Não podemos nos dar o luxo de cochilar, não agora que a China está tão desperta.
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