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Segunda, 11 de janeiro de 2010, 07h57 Atualizada às 08h07

Quem está dormindo agora?

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China deve servir de exemplo para EUA avançarem na geração de energia limpa, opina Friedman
China deve servir de exemplo para EUA avançarem na geração de energia limpa, opina Friedman

Thomas L. Friedman
Do The New York Times

C.H. Tung, primeiro Chefe Executivo de Hong Kong, resumiu em três frases a história econômica da China moderna: "A China estava adormecida durante a Revolução Industrial. Estava acordando durante a Revolução da Tecnologia da Informação. Mas pretende estar bem desperta para a Revolução Verde".

Concordo. Visitando a China neste exato momento, eu não poderia estar mais convencido de que os historiadores, quando analisarem a posição do país na primeira década do século XXI, dirão que a coisa mais importante que aconteceu não foi a Grande Recessão, mas a Grande Insurgência da China. As lideranças de Pequim têm plena consciência de que a revolução da TE - Tecnologia da Energia - é, além de necessária, uma grande oportunidade que elas não têm intenção de deixar passar. Ao passo que os Estudos Unidos continuam tentando recompor o Afeganistão. Boa sorte.

Eu sei que as coisas não são tão simples. Mas vamos analisar com mais objetividade: Andy Grove, co-fundador da Intel, costumava dizer que as empresas chegam a "pontos de inflexão estratégica", em que a filosofia do negócio muda e elas se veem obrigadas a tomar decisões difíceis de investimento para controlar sua trajetória ou simplesmente não fazer nada. O mesmo se aplica a países.

Os Estados Unidos estão exatamente nesse ponto de inflexão estratégica. Temos duas opções: ou estabelecemos um preço para as emissões de carbono e incentivos regulatórios para garantir que os EUA sejam o maior concorrente/parceiro da China na Revolução de TE ou vamos perder essa indústria gradualmente para Pequim, dando adeus aos empregos e à estabilidade energética que ela tem a oferecer.

Será que o presidente Barack Obama vai aprovar sua reforma de saúde e deixar de lado a legislação de energia - e a taxa de carbono - que o Congresso já aprovou, para chegar ao meio de mandato sem a pressão por parte dos republicanos com relação a novos impostos? Ou será que ele vai aproveitar a oportunidade antes que chegue a avaliação de meio de mandato - talvez a última chance para reunir a maioria do Senado, incluindo alguns republicanos, para estabelecer uma taxa para as emissões de carbono - e, por consequência, dar início a uma inovação significativa para uma energia limpa nos Estados Unidos?

Fiquei bastante impressionado com a quantidade de novos projetos relacionados à geração de energia eólica, solar, nuclear e a carvão surgidos na China no último ano. Veja o e-mail de Bill Gross, diretor da eSolar, empresa de geração de energia solar térmica: Sábado passado, em Pequim, disse Gross, ele anunciou "o maior acordo de energia solar térmica já feito: Um acordo de 2 giga watts e 5 bilhões de dólares para construir usinas na China usando tecnologia de geração desenvolvida na Califórnia. A China está mais agressiva no mercado do que os EUA. Requisitamos um empréstimo ao Departamento de Energia americano para desenvolver um projeto de 92 megawatts no Novo México e, com o tempo que levou ao Departamento para avaliar apenas a primeira fase do empreendimento, a China aprovou e está pronta para construir já neste ano um projeto 20 vezes maior!".

Sim, as mudanças climáticas são uma preocupação em Pequim, mas os líderes chineses estão ainda mais preocupados com a migração em massa da população do interior para as grandes cidades, que atinge níveis jamais vistos na história do país. Isso cria uma demanda crescente de energia, que a China está determinada a satisfazer de forma limpa e autossustentável, para que a economia seja menos vulnerável no futuro a quedas e choques e também para o país não sufocar com a própria poluição.

Só no ano passado, o mercado de energia solar cresceu tanto na China que o preço do Quilowatt-hora caiou de 59 centavos de dólar para 16 centavos, de acordo com Keith Bradsher, do New York Times. Enquanto isso, a China testou na semana passada o trem-bala mais rápido do mundo - 350 km por hora - de Wuhan a Guangzhou. Como observa Bradsher, a China "está quase terminando a construção de uma rota de trilhos de alta velocidade que liga Pequim a Xangai, por 23,5 bilhões de dólares. Levará apenas cinco horas para o trem cobrir os 1.120 km do percurso, que hoje leva 12 horas. Em comparação, os trens da Amtrak levam 18 horas para cobrir uma distância equivalente, de Nova York a Chicago".

A China também está na liderança na expansão da energia nuclear. A expectativa é de que sejam construídos 50 novos reatores nucleares até 2020; espera-se que o resto do mundo ao todo construa no máximo 15.

"Até o final desta década, a China dominará a produção global de equipamentos de energia", declarou Andrew Brandler, CEO do Grupo CLP, a maior empresa de fornecimento de energia da Hong Kong.

Enquanto isso, a China tornará as tecnologias de geração de energia limpa mais baratas a todos. Mas até os especialistas chineses dizem que a evolução acontecerá mais rápido e de forma mais eficiente se a China e os Estados Unidos trabalharem juntos - com os norte-americanos contribuindo com a pesquisa e inovação energética, onde a China ainda é deficiente, além da formação de parcerias de investimento em tecnologias limpas, com a China contribuindo com sua capacidade de produção em massa. Chegamos a um ponto de inflexão estratégica. Está bem claro que se os Estados Unidos se importam com a segurança energética e estabilidade econômica e ambiental, é preciso aprovar uma legislação que estabeleça um preço para as emissões de carbono e fomente novas formas de geração de energia limpa. Não podemos nos dar o luxo de cochilar, não agora que a China está tão desperta.

Thomas L. Friedman é colunista do jornal The New York Times desde 1981. Foi correspondente-chefe em Beirute, Jerusalém, Washington e na Casa Branca (EUA). Conquistou três vezes o Prêmio Pulitzer, até que em 2005 foi eleito membro da direção da instituição. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

 

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