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Sexta, 15 de janeiro de 2010, 08h20

Waldir: Missão do Brasil depende de mobilização da ONU

Claudio Leal

Em junho de 2006, o então ministro da Defesa, Waldir Pires, percorreu o Haiti por três dias, para acompanhar os resultados da liderança militar do Brasil na Minustah (Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti). De capacete azul e colete à prova de balas, visitou Cité Soleil, o violento bairro de Porto Príncipe, e presenciou as obras de infra-estrutura para "abrir a cidade". Agora, mais de dois anos após deixar o cargo, Waldir avalia os impactos do terremoto desta semana sobre o tempo de permanência da missão no país caribenho. "Uma injustiça do destino", assim define o desastre.

Para o ex-ministro da Defesa, a violência pode voltar a se agravar no Haiti e a permanência brasileira "depende da mobilização da ONU, no plano internacional, para garantir o aporte de dinheiro". Waldir Pires se preocupa com a degradação urbana de Porto Príncipe, em consequência do terremoto de 7 graus na escala Richter, na última terça-feira, 12.

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- Quando fui a Cité Soleil, era um momento muito difícil, estive devidamente protegido. Mas já estávamos entrando lá. Hoje a coisa é mais acessível. Muitas obras abriram aqueles espaços e incapacitaram os regimes fechados dessas organizações criminosas. A rigor, os estragos foram pesados e vai depender de mobilização para que isso se recomponha.

Demitido pelo presidente Lula em 2007, durante a crise aérea, Waldir destaca a "experiência positiva" do Brasil no Haiti, "no sentido de conseguir a completa segurança de Estado organizado". Daí a importância de a ONU aportar mais recursos na missão estabilizadora no Caribe.

- Os grupos paramilitares tinham se tornado uma força de bandidagem, controlando praticamente tudo. Essa coisa se inverteu, a cidade está aberta. Há necessidade de forças, mas de outra natureza. Conseguiu-se fazer uma eleição, um governo. Claro que não é uma coisa absolutamente consolidada, mas é um caráter de presença das Forças Unidas - analisa.

 
Defesa/Divulgação
Waldir Pires durante visita a Porto Príncipe, em 2006

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