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Segunda, 18 de janeiro de 2010, 08h07

A toada de Glória Pires

Fernando Eichenberg
De Paris

Glória Pires chegou no horário marcado no Café Carlu, em Paris, com ampla vista para a praça Trocadéro e, no horizonte, a Torre Eiffel. O encontro ocorreu no início de novembro, a pedido da revista Serafina (Folha de São Paulo), pouco antes de a atriz embarcar para o Brasil, para a pré-estréia de "Lula, o Filho do Brasil" (estréia nacional neste 1° de janeiro), no qual interpreta dona Lindú, a mãe do atual presidente da República (portanto, antes de receber o prêmio Candango de melhor atriz no último Festival de Brasília - por sua atuação em "É Proibido Fumar", de Anna Mulayert - e antes do acidente automobilístico de Fábio Barreto, diretor de "Lula...").

Mãe de Cléo Pires (27, também atriz e filha do cantor Fábio Jr.), casada há mais de vinte anos com o músico Orlando Morais (47), com quem teve Antonia (17), Ana (9) e Bento (5), Glória mora em Paris com a família desde 2008, entre idas e vindas ao Brasil para trabalhos e diferentes compromissos. Aos 46 anos, a mulher, mãe e atriz Glória Pires já pode dizer que viveu bastante. Se não tanto ainda em longevidade, pelo menos em imensidade. De sua primeira aparição nas telas de tevê - aos cinco anos de idade, na novela A Pequena Órfã (TV Excelsior) - até o seu mais recente papel no cinema - como dona Lindú -, Glória se impôs como uma das atrizes mais populares do país.

Parte do resultado de nossa conversa foi publicada na edição de novembro da Serafina (edição do 29/11), e aqui está uma versão maior do nosso encontro.

Recentemente, você fez três filmes no Brasil de registros bem diferentes - "Se Eu fosse você 2", "É Proibido Fumar" e "Lula, o Filho do Brasil" -, e morando aqui em Paris. Como foi isso?
Foi engraçado. No ano em que mudei para cá (2008), chegamos em fevereiro e já em abril eu estava no Brasil para filmar "Se Eu fosse você 2". As filmagens acabaram em 10 de junho e no dia seguinte vim para cá. Depois, as férias das crianças aqui (julho/agosto) coincidiram com o filme da Anna Mulayert ("É Probido Fumar"). Foram mais quase dois meses no Brasil. Aí retornei para cá, e no final do ano fui de novo ao Brasil para fazer os primeiros testes de filmagem para o filme sobre o Lula. E assim que passou o réveillon, já começamos a filmar. Então foram praticamente três filmes em um único ano.

Foi complicado?
Foi bom, porque o Orlando facilita demais a minha vida de atriz. Acho que é uma coisa do signo. Ele é de Aquário. O aquariano tem uma visão muito aberta das coisas, então ele vê com distanciamento um leque muito amplo, e isso ajuda muito a organizar o futuro. E foi essa loucura de vai e volta, com três propostas completamente diferentes. Mas achei tão bom isso, fiquei tão feliz, porque é algo tão raro de acontecer. É o ideal de todo o mundo não ficar preso a nenhum estereótipo, ter todas essas possibilidades. Foi um presentaço, porque as três coisas que fiz em cinema foram três filmes de estilos muito diferentes, fiquei realmente feliz.


Você ficou surpresa com o sucesso de "Se Eu FosseVocê 2"?

O "Se Eu Fosse Você 2" foi essa loucura, esse sucesso estrondoso, graças a Deus. Que bom que se abriram essas portas, foi meio que uma desencantada. Sinto que acabou o restinho de preconceito que as pessoas ainda tinham contra o cinema nacional. O filme abriu para o grande público, falou para muita gente. Na minha academia, por exemplo, quando saiu o primeiro "Se Eu Fosse Você", um dia um treinador - que nos meus seis meses lá nunca tinha falado comigo - chegou para mim e disse: "Olha, nunca tinha ido ver cinema nacional - e ele era uma pessoa de meia idade -. Fui ver o seu filme, adorei!". Isso é bacana, porque tira uns preconceitos, isso foi maravilhoso. E agora com o número 2 foi realmente incrível. O filme da Anna acho que é bastante jovem. Logo dei uma cópia para minhas filhas assistirem, querendo ver o que elas tinham dizer. Elas totalmente entenderam e se identificaram com a linguagem do filme. O filme do Lula também já passou pelo crivo delas, já está aprovado, já choraram bastante (risos).

Qual foi o estímulo para fazer "É Proibido Fumar"?
Eu tinha ido no festival de cinema de Recife e assistido "Durval Discos". Fiquei encantada com o filme. Essa coisa que a Anna tem, esse jeito de contar uma história sem se preocupar em buscar uma moral, de dizer como termina. Não termina, a história continua, só que a gente vai parar de ver. Nós nos encontramos lá, falamos e tudo o mais, e seis ou sete anos depois, quando ela aprontou esse roteiro, me mandou e adorei. Eu queria fazer parte daquele universo da Anna, tinha curiosidade de trabalhar com ela, e adorei a história, adorei o personagem, a Baby, aquele mundinho maluco dela, adorei, adorei. A Anna mostra de uma forma muito imparcial aqueles personagens, a história que ela está observando. É algo tipo: "Olha, tem uma brechinha aqui, vem aqui ver como é". É uma coisa muito íntima. Ela é muito delicada, e também muito organizada, fiquei muito impressionada.Tudo parecia muito uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, vamos fazendo, mas não, é tudo muito estruturado e organizado. Fiquei impressionadíssima pelo fato de como uma pessoa que faz tudo de forma tão organizada consegue, depois, dar uma cara de que tudo foi feito no improviso. Acho que o resultado é delicioso, fiquei feliz de ter feito parte. E além de tudo ela ficou minha amigona.

Você estava há nove anos sem fumar e seu personagem no filme passa o tempo todo com um cigarro na mão. Não deu vontade de voltar a fumar?
Tinha muito medo disso, mas aquele cigarrinho que colocaram para fazer as cenas é sem nicotina. É muito ruim. Ainda pior do que o com nicotina (risos).

Para interpretar a mãe de Lula, dona Lindú, você teve de se basear quase exclusivamente em relatos, pois não há praticamente nenhum registro dela, imagens, gravações.
Havia dela apenas algumas fotos e relatos riquíssimos, apaixonados, acho que isso foi a coisa mais difícil. Mais difícil não, eu não gosto de usar essa palavra. Foi um desafio. Porque ainda hoje ela está muito presente na cabeça de todo o mundo que a conheceu. Ainda hoje as pessoas se emocionam quando falam dela. E já faz uns 30 anos que ela faleceu. Os filhos se emocionam demais. Tudo bem, são filhos. Mas os sobrinhos, primos também. Ela deixou uma imagem muito forte de uma pessoa positiva, pronta para o que der e vier. É aquela ideia: eu tenho dois braços e duas pernas, estou com o mundo ganho, vou onde tiver de ir, nada vai me parar. Ela tinha a doçura e a rudeza da simplicidade, porque era uma mulher que não tinha nenhum trato social, uma mulher simples. Eles tinham algumas posses, que com toda a problemática da seca piorou muito, a vida ficou mais difícil, ela tinha muitos filhos. E com a intuição dela, ela reverteu todos os quadros. Era uma heroína, como há tantas no Brasil.

Como foi para você compor esse personagem?
É um personagem com a qual me identifico, essa imagem da mulher que vai onde for e faz o que for preciso para que sua família fique coesa e andando no trilho. Eu me identifico muito com essa imagem. Mas eu não sabia que ela era assim, fui descobrindo essa mulher, uma pessoa de uma inteligência e de uma percepção da vida muito grande. O processo todo foi muito feliz. As pessoas buscam muito o que foi difícil. Mas o que é difícil? Não há nenhuma parte fácil, tudo é complicado. Mas tem um por que, tem um objetivo nisso? O meu objetivo era o de ser fiel ao que a família me trazia dela. Eu queria poder mostrar para as pessoas o que a família lembra dessa mãe, dessa tia, dessa prima, enfim, dessa mulher Lindú.

Fábio Barreto diz que a estrutura dramática do filme está baseada nessa relação referencial entre mãe e filho. Você sentiu isso?
Eu não conhecia nada da história do Lula, não tinha a menor ideia. Quando o Fábio me falou do filme, que era justamente baseado num livro, que a Denise tinha escrito, eu nunca tinha ouvido falar desse livro ("Lula, o Filho do Brasil, Denise Paraná, ed. Perseu Abramo, 2002). Como é que pode? Era a biografia do presidente da República e eu não sabia nada. Fiquei muito surpresa quando li o roteiro. E hoje, depois de ter feito o filme, ter conhecido um pouco mais da história dele, eu vejo que realmente dona Lindú foi a base, a fundação de toda uma história que veio depois. Ele era muito apegado a ela. Ela era muito o exemplo dele. Assistindo o filme, o que antes me parecia pura pieguice, aqueles "Obrigado a minha mãe" e não sei o que, hoje, aquele discurso de posse adquiriu para mim uma outra dimensão. Claro que é sempre lindo quando você é merecedor de alguma coisa e lembra da sua família, de sua mãe, de seu pai, das pessoas que levaram você até ali. Podia ter dado tudo errado, ter sido o oposto de tudo isso. Mas entendendo tudo pelo o que eles passaram, a coisa tem uma outra dimensão.

Você chegou a ler a biografia antes ou depois do filme?
Não li.

O diretor de elenco do filme, Sérgio Penna, disse que você não tinha nada de parecido com a mãe do Lula, mas que, aos poucos, foi-se descobrindo que, internamente, você era a própria Lindú, e que você foi "a mãe que o set de filmagens precisava". Você é mesmo mãezona assim?
Foi genial o trabalho com o Sérgio. Havia muitos atores jovens, inexperientes, crianças, vários níveis de dificuldades no trabalho. O filme cobre um período de tempo bastante longo, com uma quebra de continuidade muito grande, enfim, havia vários agentes complicadores. O Sérgio teve uma sacada genial, reuniu todo o mundo e virou uma família. Interagimos muito, com todos os filhos de todas as idades. E eu até sugeri que o Rui (Ricardo Diaz, ator que interpreta Lula no filme), que em princípio não participaria de todas as etapas, acompanhasse, para que pudesse também ver aquele começo. Isso deu um link incrível. Até hoje chamo alguns atores de "fio" (filho) e de "fia" (filha). Tenho de começar a chamá-los pelos nomes (risos). Foi tudo muito amoroso. E o Fábio é uma pessoa com quem é uma delícia trabalhar, porque ele quer que as pessoas estejam felizes. O objetivo principal dele é que ninguém brigue, que todo o mundo possa dar o seu melhor e de uma maneira feliz.

Você foi mãezona no set e é na vida em geral?
É, tenho essa tendência, sou um pouco assim com os meus amigos, é uma característica minha. Eu gosto de cuidar das pessoas.

No filme, você contracena rapidamente com sua filha Cléo Pires, como sogra dela.
Foi tudo muito rápido. Aquela sequência em que temos o diálogo não existia originalmente, mas o Fábio falou: "Não posso fazer esse filme sem ter uma sequência de vocês duas!". Ele fez a mesma coisa na participação do meu pai em "O Quatrilho" (1994): "Não posso ter um filme em que vocês dois participam e não ter uma sequência de vocês dois juntos". Porque, originalmente, também não tinha.

Como você vê a atriz Cléo Pires?
Acho que a Cléo conseguiu uma coisa muito legal, que foi uma independência na forma dela fazer e também em relação a sua imagem. Acho que ela conseguiu algo muito dela. E acho que o resultado é muito bacana, porque ela faz a interpretação do tamanho dela, não busca fazer nada além. É uma coisa muito econômica, gosto do estilo dela, gosto de vê-la, independente de ser minha filha. Além de achá-la linda, acho que o trabalho dela tem consistência. Fico feliz. Acho que ela é séria e dedicada no que ela faz.

Você tem algum orgulho especial por ela ter seguido a sua carreira e a de seu pai, Antônio Carlos Pires (1927-2005)?
Tem uma coisa poética. Mas na verdade acho que todo o mundo quer que o filho seja feliz. Não tenho expectativa em relação ao que eles vão escolher, com quem eles vão viver, o que vão querer fazer da vida. Quero que eles sejam felizes. E eu sinto que ela está se realizando, amadurecendo muito. Mas é algo poético, porque o meu pai foi o primeiro ator da nossa família. Ela já é a terceira geração de atores da família, tem muita poesia nisso.

Você define "Lula, o Filho do Brasil" como um filme sobre questões político-sociais e não político-partidárias. Por que você acha esse um "filme necessário"?
Acho que é necessário para nós brasileiros. Esses anos de ditadura foram extremamente nocivos para a nossa estrutura de cidadão. Eu e toda a minha geração crescemos muito sem a ideia de que, se há alguma coisa errada, você pode reclamar. E onde vamos reclamar? Existe alguém que vai ouvir e que vai ter de dar conta dessa reclamação. Não simplesmente, como se faz hoje - tentando resgatar algo que não tivemos - que é fazer um movimento. Precisamos fazer um movimento, porque a nossa palavra sozinha como cidadão não tem valor nenhum. Se eu recebo uma água ruim, ligo ou entro no site e reclamo, provavelmente isso não vai dar em nada. Precisa ter um quórum, um monte de gente falando da mesma água. Eu tenho certeza de que isso se deve a esse período enorme de silêncio, de proibição, de medo. Esse filme trata de um capítulo importante da nossa história recente, que fala disso também, de como esses operários - que pela classe social a que pertenciam talvez devessem ser os primeiros a recuar - foram adiante e perceberam a força, a importância deles dentro do país. Eles compraram uma onda nada fácil, porque existia uma situação política bem complicada, e foram em frente mesmo assim, pagando pra ver, com todos os problemas de prisão, tortura e tudo o mais o que a gente sabe. Acho que é um exemplo muito importante, porque fala de um homem que teria quase nenhuma possibilidade de se dar bem na vida. O normal seria que ele e os irmãos se tornassem indigentes, que se separassem. Como numa família numerosa daquelas todos sobrevivem juntos? Acho que o filme é importante porque fala de muitas coisas que estão à nossa volta, que precisamos enxergar e tomar consciência, que temos um presidente que saiu do nada e contra todas as possibilidades chegou onde chegou. O filme fala de muitas coisas sobre as quais precisamos refletir. Eu adoro o cinema por causa disso. Você sai do filme e depois ficam coisas na sua cabeça, vai pra casa digerindo.

Qual a sua avaliação do governo Lula?
Acho dificíl falar de um governo, porque sabemos que um governo não é feito por uma pessoa, e eu particularmente acho muito complicado essa mistura de partidos. Acho complicado entender como é que pessoas que defendem ideias tão opostas podem se unir em prol de alguma coisa que não seja só poder. Acho difícil falar de política no nosso caso por causa disso, porque são pessoas que estão juntas em torno de uma ideia que nem sempre é o bem comum, que deve ser o ponto final. Na maioria das vezes, é para o fortalecimento da posição de seu partido. Sobre o governo, é difícil ter uma ideia geral, mas acho que como um todo o resultado é muito bom. Vemos isso na projeção que o Brasil está tendo, no espaço que justamente ocupou. Algo está se desenvolvendo. Acho que a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, certas coisas começaram a entrar nos eixos, certas etapas começaram a ser sedimentadas para que pudessem vir as próximas. Finalmente, sinto um progresso, um futuro. Aquele "país do futuro" do qual sempre ouvimos falar, acho que está chegando. Essa nova geração é formada por pessoas que já têm um outro acesso, outra informação, outra cultura, têm oportunidade de se misturar, de ouvir, de debater, e isso é tão importante. Não existe crescimento sem liberdade, sem troca.


Você acha que o fato de o filme ser lançado em um ano eleitoral, pode ter alguma influência tanto na campanha do pleito presidencial como na carreira do filme?

Não sei, acho que cientistas políticos podem falar sobre isso com precisão. Realmente não tenho ideia se isso pode atrapalhar ou se não tem nada a ver. Em relação ao filme, tudo é uma loteria, não há fórmula. Eu fiquei muito empolgada com o projeto, me deu vontade de fazer um esforço para poder fazer esse filme. Além de ser muito bem feito tecnicamente, essa história me interessou demais, me deu orgulho de ser brasileira, de fazer parte dessa raça. Nós, brasileiros, estamos tão habituados a situações tipo: "Não fala que é brasileiro, senão vai sujar!" (risos). Em relação ao filme agora - e acho que sobre isso os produtores podem falar melhor - , acho que se deve a essa projeção enorme que o Lula tem internacionalmente como presidente, colocando o Brasil nesse lugar especialíssimo, onde nunca esteve antes.

O Fábio Barreto já diz que é filme para o Oscar. Você já esteve na festa do Oscar com o "O Quatrilho" e não gostou. Voltaria?
Eu tinha uma visão do Oscar de fã, igual a uma pessoa que assiste a uma novela. Ninguém imagina que aquela mansão é um cenário, que aquilo é tudo mentira. Eu como tiete, que fica vendo "quem vai ganhar?", não imaginava que era assim. Mas como espetáculo é uma aula, de bem ensaiado, de objetividade, de disciplina e de silêncio, uma coisa de louco. Difícil até de acreditar que aquilo tudo seja feito ao vivo, ali na hora, de tão redondo que transcorre. Se tiver de voltar, volto, mas já sabendo que é tipo uma novela.

Como você vê, hoje, o cinema brasileiro?
Acho que estamos começando a ter uma ideia de mercado, de o quão importante é você falar para pessoas diferentes. Durante muito tempo ficamos muito presos a uma ideia de cinema como uma coisa fechadinha numa caixa, e só aquela forma era considerada como cinema. O que saísse daquilo, já não era mais cinema. Isso impedia muitas pessoas de começar a se manifestar. E também não se levava em consideração o que as pessoas tinham vontade de ver. Falo daquelas pessoas que não eram cinéfilos, amantes e estudiosos do cinema, mas pessoas comuns, que vão ao cinema para se divertir, para refletir ou para conseguir chorar. Aquele filme que a gente diz: "Hoje eu vou voltar nova para casa" (risos). O bacana de qualquer expressão artística é o jeito que aquilo vai tocar as pessoas. Não dá para ter um juiz dizendo: "Olha, não vai aqui, não, porque é caído". E isso não tem nada a ver com criticar e com o crítico que fala: "Esse filme se propõe a isso, mas não chega lá porque o roteiro tem falhas" Isso é diferente de ter uma patrulha. Não coloco o trabalho dos críticos e a patrulha no mesmo grau. Mas começou-se a ter essa ideia de mercado, de se falar com muitas pessoas. Isso não quer dizer que o filme de arte não possa ter o seu lugar. Esse é o mercado, tem de ter para todos. Fico feliz com o que estou vendo, não estamos só falando da miséria, só do drama político, também estamos falando de banalidades, de viagem de baseado, de histórias e dramas de sofrimento real. Estamos mostrando esse panorama, um país rico como o nosso, meu Deus. Somos uma arca de Noé.

» Parte II da entrevista


Fernando Eichenberg, jornalista, vive há doze anos em Paris, de onde colabora para diversos veículos jornalísticos brasileiros, e é autor do livro "Entre Aspas - diálogos contemporâneos", uma coletânea de entrevistas com 27 personalidades européias.

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

 
Roberto Valverde/Photo Rio News
Glória Pires: "Foi um desafio interpretar a mãe de Lula"

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