Atualizada às 16h36 Marcela Rocha
Nesta quarta-feira, 27, o PMDB marcou para 6 de fevereiro a convenção nacional que deve manter Michel Temer (SP) na presidência. Assim, o partido tem mais elementos para sufocar setores do PT contrários a indicação do deputado paulista para vice da ministra petista Dilma Rousseff nas eleições presidenciais.
Articulador da aliança PT-PMDB, o líder peemedebista na Câmara Henrique Eduardo Alves (RN) reconhece que Temer desagrada setores petistas, mas passa adiante a garantia que ganhou dos presidentes da legenda, o atual, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o eleito, José Eduardo Dutra (SE).
- Nós não aceitaremos nenhum veto por parte do PT. Essa expressão não existirá nessa relação PT-PMDB em nenhum momento, em nenhuma circunstância e sob nenhuma hipótese. Há opiniões no PT, mas o conjunto petista respeitará nossa decisão - assegura.
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Para Alves, o novo militante de seu partido, Henrique Meirelles - presidente do Banco Central -, é comprometido, mas ainda não é um "nome tradicional" para acompanhar Dilma na disputa pelo Planalto em outubro deste ano.
Leia abaixo a íntegra da entrevista:
Terra Magazine - O senhor acredita ainda que exista uma vontade petista em ter Henrique Meirelles como vice de Dilma?
Henrique Eduardo Alves - Não, não nos resta a menor dúvida sobre isso. Com todo respeito ao ministro Meirelles, que, para nossa honra está no PMDB, mas ele sabe, o PT sabe e a torcida do Flamengo também sabe (risos), que naturalmente a indicação do partido seria um nome tradicional, que conheça o partido, que tenha maior identificação com a legenda. Meirelles acabou de entrar, tem comparecido a todas as reuniões, muito solícito aos nossos chamados de reuniões na casa do Michel. Enfim, ele é um companheiro muito atento e muito animado. Contudo, ele ainda tem muito pouco tempo de PMDB.
Observamos que algumas manifestações do presidente Lula em relação à indicação do vice deixaram o seu partido bastante desgostoso.
Sim, muito. Muito mesmo. Retomamos agora nossa conversa com o PT. Tomei um café da manhã com alguns líderes ontem e foi uma de nossas melhores reuniões. Não há nenhuma resistência ao nome de Temer. O PT tem vários PTs, vários segmentos e grupos. Várias facções compõem o PT, como algumas compõem o PMDB. Reconheço que várias facções minoritárias preferiam a aliança com o bloquinho do PSB e PCdoB. Uma outra facção preferia Meirelles, mas a grande maioria respeitará a decisão do PMDB em convenção soberana.
Após a reunião da Executiva que aconteceu nesta quarta-feira, 27, o senhor disse que José Dirceu era um dos que estavam contra o nome de Temer.
Isso foi, de fato, colocado na reunião, e eu disse que Dirceu não fala pela coletividade do PT. Ele é uma figura muito respeitada, mas nesse momento ele não fala pelo conjunto do partido, que foi representado ontem por seus presidentes José Eduardo Dutra e Ricardo Berzoini. Ambos disseram claramente que a indicação cabe ao PMDB, assim como a indicação de Dilma coube exclusivamente ao PT. Então são indicações respeitadas em ambos os partidos. Por isso, te digo que certamente a nossa indicação será muito respeitada.
O governador Requião estava bem descontente com a antecipação da convenção por acreditar que isso era uma manobra para não permitir o desenvolvimento de uma oposição à chapa de Temer...
Em primeiro não é uma antecipação. O partido tinha até 10 de março, que é quando termina o mandato de Temer, para fazer a eleição de um novo Diretório. Poderia ter sido em janeiro, fevereiro, março. Nesse prazo, escolhemos 6 de fevereiro, para começarmos o ano mais formados para jogar o jogo, seja ele qual for. Queremos entrar em campo com o time pronto. Isto posto, temos uma longa caminhada pela frente para definir em junho o que o PMDB fará nas eleições de outubro.
O fato de ser em fevereiro não deixa tempo para que seja feita uma oposição à chapa de Michel Temer, certo?
É, não dá mais tempo. Mas a oposição não se forma porque não existe e não por falta de tempo. Aqueles que se opõem à reeleição do Michel são uma oposição muito pequena, dois senadores e poucos deputados. Agora, a oposição à aliança com o PT terá tempo para se organizar. Michel hoje é um nome de consenso.
Reeleger Temer é mais uma maneira de garantir que o PT não vete o nome dele?
Independentemente de tudo, nós não aceitaremos nenhum veto por parte do PT. Essa expressão não existirá nessa relação PT-PMDB. Em nenhum momento, em nenhuma circunstância e sob nenhuma hipótese. Há opiniões no PT, mas o conjunto petista respeitará nossa decisão.
O senhor concorda que o nome de Meirelles carregue mais segurança aos setores conservadores do que Temer?
Em mercado financeiro, sim. Mas estamos discutindo eleição. Sob o aspecto da legalidade, da democracia, e representação partidária, o nome de Michel será o melhor para Dilma.
A aliança está condicionada a aceitarem o nome de Temer?
Eu te asseguro que esse impasse não será colocado. O PT vai respeitar o PMDB, como nós o respeitamos com aplausos quando indicaram Dilma. E assim, venceremos, se Deus quiser.
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Wilson Dias/Agência Brasil
Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara
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