Atualizada às 12h28 |
Marcello Casal JR/Agência Brasil
Jorge Hage, ministro da CGU
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Diego Salmen
O presidente Lula excluiu quatro obras da Petrobrás da lista de projetos com indícios de irregularidades, levantada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para o Orçamento de 2010. A medida foi alvo de críticas; Marinus Marsico, procurador do Ministério Público junto ao órgão, classificou a decisão de "lamentável".
O veto, no entanto, obedece a uma "prerrogativa constitucional", segundo Jorge Hage, ministro da Controladoria Geral da União (CGU). Em nota, ele defende os fundamentos legais da decisão presidencial.
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As seguintes obras foram excluídas da lista: na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; na refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná; no terminal de escoamento de Barra do Riacho, no Espírito Santo; e no complexo petroquímico do Rio de Janeiro.
Se não fossem vetados por Lula, os projetos teriam de ser paralisados até que as irregularidades fossem suprimidas, o que atrasaria o cronograma de obras do governo em pleno ano eleitoral.
"Não se trata de desobedecer nem ignorar relatório do TCU", diz o ministro. "Trata-se, isto sim, de exercer uma prerrogativa constitucional, de vetar dispositivos de um Projeto de Lei, tudo na forma dos artigos 66 e 84, V, da Constituição Federal".
"Ali também está previsto o procedimento que se segue ao veto, ou seja, sua apreciação pelo Congresso, que pode derrubá-lo, se essa for a vontade da maioria. Essas são as regras da democracia", prossegue Hage. "E como as instituições estão funcionando normalmente no Brasil, é por essas regras que tudo deve se pautar".
Leia a íntegra das considerações de Jorge Hage sobre os vetos:
Em primeiro lugar, não se trata de desobedecer nem ignorar relatório do TCU. Trata-se, isto sim, de exercer uma prerrogativa constitucional, de vetar dispositivos de um Projeto de Lei, tudo na forma dos artigos 66 e 84, V, da Constituição Federal. Ali também está previsto o procedimento que se segue ao veto, ou seja, sua apreciação pelo Congresso, que pode derrubá-lo, se essa for a vontade da maioria. Essas são as regras da democracia. E como as instituições estão funcionando normalmente no Brasil, é por essas regras que tudo deve se pautar.
Quanto ao aspecto técnico
Nas Razões do Veto, já devidamente publicadas, o Poder Executivo explica que as desvantagens da paralisação superam em muito as vantagens.
É que, do ponto de vista técnico, o que existe nesse caso são divergências metodológicas a respeito de cálculos de custos e preços, divergências de interpretação jurídica em alguns pontos, que não são triviais.
Em tais situações, nossa posição na CGU não é pela imediata paralisação da obra, e sim pelo esclarecimento das divergências e pela correção do que de fato estiver errado, se estiver.
Tanto assim que, desde a época em que esses mesmos temas (ou alguns deles) foram discutidos no contexto da CPI, pedimos à Petrobrás os devidos esclarecimentos e ela os forneceu de forma que, para nós, se mostrou satisfatória. A partir daí, entendemos que se devia esperar a conclusão da discussão no âmbito do TCU, ao invés de simplesmente paralisar as obras, com todas as conseqüências, que são muito negativas para todo mundo: desemprego de milhares de trabalhadores, degradação do que já foi feito, perda de recursos, perda de receita mensal, atraso no abastecimento com óleo diesel, etc.
Antes de sugerir a suspensão de recursos ou a interrupção de uma obra, nós da CGU costumamos avaliar tudo isso, os prós e os contras, e só o fazemos em situações extremas, como, por exemplo, quando existam crimes caracterizados, tal como ocorreu no caso da Operação João de Barro, onde estava identificada a atuação de uma máfia para desviar dinheiro público.
Agora, é claro que a Oposição prefere sempre a paralisação, porque seu interesse eleitoral é paralisar o Governo. Isso é óbvio e faz parte do jogo democrático.
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