Terra Magazine

 

Sexta, 29 de janeiro de 2010, 13h00 Atualizada às 13h10

Vice-líder tucano: Governo Lula instalou um regime corrupto

Eliano Jorge

Mais uma decisão do governo federal promete esquentar os ataques mútuos entre PT e PSDB. As reações dos oposicionistas surgiram imediatamente ao anúncio de que o presidente Lula retirou, da lista de projetos com suspeita de irregularidades feita pelo Tribunal de Contas da União, quatro obras da Petrobrás, nesta quinta-feira, 28.

Ouvido por Terra Magazine, o vice-líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR), disparou, de cara: "Isso vem na esteira de outras atitudes que consagram a improbidade administrativa".

- Se este governo fosse perfeito em todas as outras áreas, ele teria que ser condenado por ser tão adepto a corrupção, por passar a mão na cabeça dos desonestos e por instalar um regime corrupto no País - conclui.

Veja também:
» Lei é para todos, diz procurador sobre decisão de Lula
» Corrupção aparece mais porque é mais investigada, diz Lula
» Se governo quisesse, descobriria corrupção, diz pesquisador
» Hage: Quem meter a mão em recursos públicos será flagrado
» Hage: Cercear CGU é um "absurdo" e "inaceitável"
» Siga Bob Fernandes no twitter

O tucano tenta firmar uma pecha de corrupção no governo Lula. "Num primeiro momento, ele dominou de forma absoluta a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás para evitar uma investigação e acobertar irregularidades. Depois avançou sobre o TCU, num esforço incomum, procurando limitar sua capacidade de fiscalizar. E agora passa, de uma só vez, sobre o Tribunal de Contas e o Congresso Nacional, liberando obras superfaturadas", historia.

Em meio ao bate-boca eleitoral antecipado, Dias aponta um motivo para a medida polêmica: "Isso significa consagrar a imoralidade na administração pública, com viés eleitoreiro, porque o objetivo é manter as obras durante a campanha eleitoral".

As palavras do parlamentar do PSDB têm o tom até acima do que vinha sendo empregado pela oposição. "A Petrobrás é uma empresa que tem um caixa significativo, expressivo, de valores gigantescos, essas obras consomem bilhões. Só numa delas, a de Abreu e Lima, há previsão de superfaturamento da ordem de 2 bilhões de dólares. E o presidente fecha os olhos, não dá a menor importância à questão ética, escancara as portas do governo para a corrupção. Isto é um mal enorme ao País", afirma Alvaro Dias.

- Este estímulo à corrupção, à impunidade, é que faz hoje ser possível fazer três vezes mais o que fazem com o mesmo dinheiro - detona.

Legal

Consultada por Terra Magazine, a Controladoria Geral da União confirmou a legalidade do ato presidencial.

Dias não adiantou se a oposição pensa em tomar alguma medida contra a atitude do presidente. "Sob o ponto de vista da legalidade, eu tenho dificuldade de questionar e discutir. Agora, sob o ponto de vista da moralidade, não tem dúvida nenhuma. Nem tudo que é legal é moral. É deplorável usar estes artifícios da legislação para abrir portas à corrupção".

Diante das estratégias eleitorais de comparação entre as gestões tucanas e petistas desde 1995 no Palácio do Planalto, parece claro que a oposição se apegará à suposta permissividade governista com a corrupção. Como indica Alvaro Dias: "Foi o governo (do PT) quem rasgou de forma definitiva a bandeira da ética e jogou na lata do lixo da história".

 
Geraldo Magela/Agência Senado
O senador tucano Alvaro Dias detona o governo petista

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol