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Terça, 2 de fevereiro de 2010, 16h33 Atualizada às 18h25

Diretor da OAS, irmão de Ubaldo defende projeto da ponte

Claudio Leal

Em entrevista à repórter Katherine Funke, no jornal A Tarde desta terça-feira, o irmão do romancista João Ubaldo Ribeiro, o engenheiro Manuel Ribeiro Filho - diretor da construtora OAS na Bahia, Sergipe e Alagoas - ofereceu detalhes do projeto da empresa para a construção da bilionária ponte Salvador-Itaparica. A empreiteira Odebrecht também realiza estudos.

Entre as metas da OAS, está a de construir condomínios fechados na parte central da Ilha de Itaparica, o paraíso ecológico baiano. "O irmão do atual dono da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras diz que o estudo 'ainda hiperpreliminar' da OAS prevê preservação rigorosa da contracosta, criação de Parque Estadual no Distrito de Baiacu (reserva de mata atlântica, onde ficam terras que pertenceram ao avô) e condomínios fechados na parte central da ilha, que já estaria 'degradada sob o aspecto ambiental'", escreve a repórter de A Tarde. A ponte teria o comprimento de 12 km. Ubaldo não quis comentar as declarações do irmão.

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O governo baiano lançou o edital em 14 de janeiro e recebe propostas em até 60 dias. João Ubaldo Ribeiro denunciou, no artigo "Adeus, Itaparica" (republicado por Terra Magazine, com a autorização do escritor), a intenção de grupos empresarias de transformar Itaparica em uma "patética Miami de pobre". Escreveu Ubaldo:

- As estatísticas são outro instrumento desses filibusteiros do progresso que em nosso meio abundam, entre concorrências públicas fajutas, superfaturamentos, jogadas imobiliárias e desvios de verbas. Mas essas estatísticas, mesmo quando fiéis aos dados coligidos, também padecem de pressupostos questionáveis. Trazem à mente o que alguém já disse sobre a estatística, definindo-a como a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa.

O artigo motivou um movimento nacional em apoio ao romancista itaparicano e em defesa da Ilha de Itaparica e da Baía de Todos-os-Santos. Já assinaram o manifesto "Itaparica: ainda não é adeus": Luis Fernando Verissimo, Chico Buarque, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Emanoel Araújo, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Hélio Contreiras, além de companheiros da "Geração Mapa" (aglutinada por Glauber Rocha), como o poeta Fernando da Rocha Peres, os artistas plásticos Sante Scaldaferri e Ângelo Roberto, o ex-procurador-geral do Estado Antonio Guerra Lima e o músico Walter Queiroz Júnior. Houve ainda manifestações de apoio do exterior.

O texto defende um debate amplo sobre o projeto, questiona a prioridade da obra e afirma que João Ubaldo não é uma voz isolada. Escritores e professores baianos reforçam o manifesto, a exemplo de André Setaro, Ruy Espinheira Filho, Aninha Franco, Ildásio Tavares, Paulo Ormindo e Roberto Albergaria. Ontem, o apoio de Chico Buarque ampliou as discussões em torno do megaempreendimento.

Em entrevista a Terra Magazine, o secretário de Infraestrutura da Bahia, João Leão (PP), definiu:

- Maravilha! Só que os escritores estão de um lado e o povo está de outro... Rapaz, se a população não tem concepção de urbanismo, só quem tem são os escritores? ( leia aqui).

 
Diego Mascarenhas /Reprodução
João Ubaldo Ribeiro: oposição à ponte bilionária proposta pelo governo baiano mobiliza intelectuais brasileiros

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