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Segunda, 8 de março de 2010, 14h06 Atualizada às 15h33

Oposição se divide sobre carreira internacional de Lula

AP
O presidente Lula discursa na Organização das Nações Unidas
O presidente Lula discursa na Organização das Nações Unidas

Eliano Jorge

Há divisão de opiniões entre ferrenhos opositores sobre a possibilidade de o presidente Lula assumir, após oito anos no Palácio do Planalto, o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas ou presidente do Banco Mundial, como se tem especulado.

Até se aceita a ideia em nome do nacionalismo. Ainda se reconhece seu prestígio global. Em comum, aflora a declarada incredulidade de três membros da oposição ouvidos por Terra Magazine.

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O líder do Democratas no Senado, José Agripino Maia (RN), releva as diferenças em nome do patriotismo. "Qualquer posição que o Brasil ocupe é honroso para o País. Não sei se isso vai se concretizar. Não posso manifestar que não seja a favor de qualquer posição que um brasileiro venha a ocupar. Se vier a acontecer, creio que será bom para o Brasil", baixa a guarda oposicionista.

Ele evita apoiar a hipótese, mas acaba capitulando: "Eu faço oposição aos erros do governo, não faço oposição ao Brasil. Uma posição como essa, que venha a ser execida por um brasileiro e possa trazer benefício ao Brasil, não pode deixar de contar com meu apoio".

Agripino, porém, se diz pouco confiante em ver Lula em tão elevada posição internacional. "Duvido. Apenas me reservo o direito de que, avaliando a indicação por critérios de ordem técnica, me custa a crer que isto venha a acontecer".

Marketing

Insistente crítico do governo petista, o senador Alvaro Dias, do PSDB/PR, recorda circunstâncias semelhantes do seu correligionário e antecessor de Lula. "Olha, esse filme nós já vimos, né? Quantas notas a respeito, no mesmo período do mandato do Fernando Henrique Cardoso!? O Fernando Henrique também foi cogitado inúmeras vezes, as especulações na imprensa ocorreram da mesma forma. Por isso, eu não creio nessas especulações".

Obviamente, o parlamentar tucano não deixa de apontar males no cenário petista. "Eu acho que tem muito mais aí o ingrediente da promoção pessoal, faz parte deste marketing brutal do governo Lula, que é sustentado muitas vezes em informações inverídicas, há muito deste componente da geração da versão que não se transforma em fato. Nós temos inúmeros exemplos", ataca.

Dias, no entanto, não distingue a administração anterior e a atual neste terreno: "Não há diferença, as especulações ocorrem, isso faz parte do momento".

Em relação às credenciais de Lula para comandar a ONU ou o Banco Mundial, o senador não dá seu crivo. "Creio que temos lideranças mais capacitadas para o exercício de funções tão relevantes, que exigem preparo maior. Nessas funções, o presidente não poderá contar com especialistas em marketing que sustentam sua popularidade em versões", não alivia.

Projeto pessoal

"Eheheh, onde é que você viu isso?", reagiu assim à possibilidade aventada na mídia o líder do PSDB na Câmara, João Almeida, com o habitual sarcasmo dirigido ao governo Lula.

Ele enxerga um projeto pessoal justamente com o objetivo de uma carreira no exterior. "O presidente Lula passou esses oito anos dele, jogando esta cartada, trabalhando para conseguir um protagonismo no plano internacional para a figura dele próprio. As investidas todas que ele fez, de ampliação de embaixadas em países que não têm nenhum sentido do ponto de vista econômico, as decisões tomadas para a constituição de representantes de outros organismos completamente fora da linha tradicional do Brasil. Está visível que é uma luta de conseguir, além daquela velha briga da cadeira no Conselho de Segurança na ONU, uma posição para ele próprio".

Almeida não desmerece as qualidades de Lula, porém insiste em reclamar de uma suposta autopromoção. "Não diria que não tem capacidade, ele é um líder, alcançou uma expressão mundial. Agora, embora tenha custado muito ao Brasil a guinada que ele deu na política de relações exteriores, não sei se vai ser suficiente para a realização de sua conquista".

A lista de argumentos para esta sua tese é vasta: "Todas essas ações com Bolívia, com os hermanos aqui, o (presidente hondurenho deposto Manuel) Zelaya, o (presidente iraniano Mahmoud) Ahmadinejad, o voto do Brasil naquele egípcio para a UNCTAD, a proteção que ele vem oferecendo nos fóruns internacionais à figura decrépita de Fidel Castro e do próprio (presidente venezuelano Hugo) Chávez. Algumas dessas ações, com custo financeiro elevado para o Brasil. Paraguai agora, elevação da tarifa de energia (da Usina de Itaipu). Muitas, ele fez com este objetivo claro de obter voto (em entidades)".

Uma concessão positiva do tucano ao governo federal é sempre acompanhada de, ao menos, uma alfinetada. "A popularidade internacional dele é muito grande, temos que reconhecer. Dado a que muitas pessoas não conhecem a situação real do País. E é muito mais fácil fantasiá-la para fora do que para dentro", ressalta João Almeida.

 

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