Terra Magazine

 

Quarta, 10 de março de 2010, 13h50

Deputado do PT: Sarney assaltou o PMDB; aliança é impossível

Eliano Jorge

Enquanto narra a montagem do tabuleiro eleitoral do seu Maranhão, o deputado federal petista Domingos Dutra é pontuado pelas indefinições. E não descarta até a partilha do apoio à candidatura da ministra Dilma Rousseff em três palanques. Mas há uma regra muito clara:

- Pelo menos com a maioria de petistas, o PSB, o PCdoB e o PDT, é impossível se juntar ao Sarney.

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Em entrevista a Terra Magazine, Dutra dá o tom do nível da oposição estadual ao ex-presidente da República e atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), maior nome da política maranhense e pai da governadora Roseana.

- O PMDB, no caso do Maranhão, foi assaltado pelo Sarney, que vem pela turma da Arena. Então, eu considero normal que haja dificuldade, diferença e até impossibilidade de união.

As principais apostas para tentar derrubar a hegemonia dos Sarney devem ser Jackson Lago, do PDT, governador cassado no ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral, e o deputado federal Flávio Dino, do PCdoB.

Ambos, além de Roseana Sarney, poderiam apoiar Dilma Rousseff. "Se o Sarney ganhar a eleição e a ministra Dilma for eleita - como tudo indica -, aí serão mais 40 anos de domínio no Maranhão", teme Domingos Dutra.

Seu raciocínio baseia-se na ideia de que, mesmo sem se comprometer com a candidatura presidencial petista anteriormente, Sarney já conseguiu grande influência no governo federal. Agora, com uma aliança nacional, a perspectiva seria mais favorável ainda ao grupo da governadora do Maranhão.

- Eles, que não tinham tanta força, não ajudaram Lula a ganhar as eleições, hoje mandam e desmandam, imagine com a ministra Dilma, com todo este peso que o PMDB tem.

Leia a entrevista.

Terra Magazine - Como está se formando o cenário da corrida pelo governo do Maranhão?
Domingos Dutra -
Está indefinido, né? Apesar da máquina que o senador Sarney tem - e a família -, da exploração contínua da popularidade do presidente Lula, a governadora (Roseana Sarney) não consegue alcançar índice que lhe dê tranquilidade para a eleição.
Por enquanto, tem ele (Sarney) lá, Roseana como candidata do governo; nós estamos articulando, PT, PSB, PCdoB, a candidatura do Flávio Dino; PDT deve lançar o nome de Jackson (Lago); não sabemos se o PSDB e o PPS vão lançar candidato ou vão se juntar ao Jackson, já que, no Estado, os democratas estão com a Roseana. Ainda tem PSTU, PSOL que são forças mais inexpressivas, mas devem ter candidato.

Um eventual segundo turno deve ter a governadora contra uma aliança de Jackson e Flávio Dino?
Dependendo do cenário, se mantiver essas duas ou três candidaturas da oposição e for para o segundo turno, a gente espera que haja bom senso e quem for terá o apoio de quem ficar.

Existe a possibilidade de uma candidatura unificada da oposição?
Acho que sim. Porque, se o Sarney ganhar a eleição e a ministra Dilma for eleita - como tudo indica -, aí serão mais 40 anos de domínio no Maranhão. Eles, que não tinham tanta força, não ajudaram Lula a ganhar as eleições, hoje mandam e desmandam, imagine com a ministra Dilma, com todo este peso que o PMDB tem.

Como o senhor analisa a composição do PMDB com o PT nas eleições presidenciais e a aparente rivalidade irreconciliável entre os dois diretórios estaduais?
Eu considero isso natural. Nós vivemos numa federação. As diferenças regionais estão acentuadas. O PMDB, no caso do Maranhão e de outros Estados... Mas, no caso do Maranhão, foi assaltado pelo Sarney, que vem pela turma da Arena. Então eu considero normal que haja dificuldade, diferença e até impossibilidade de união nos Estados. Considero também legítimo o desejo da direção nacional e do presidente Lula de tentar construir o máximo de palanques unificados nos Estados. Agora, lá no Maranhão, pelo menos com a maioria de petistas, o PSB, o PCdoB e o PDT, é impossível se juntar ao Sarney. No Maranhão, haverá dois palanques para Dilma.

Ou até três, não? Também não é possível com o PDT, de Jackson Lago?
Eu não sei. Pelo que li e conversei com algumas lideranças, o diretório nacional liberou o Jackson, mas não abre mão do apoio da Dilma. Então, não sabemos, dependendo da posição do PDT, se for pro lado da Roseana, se PCdoB, PDT, PSB vão formar um palanque e o PSDB fará outro com o PPS. Como tem até junho para fechar esta equação, tudo é possível. O problema é que nosso calendário, do PT, é para março.

 
Luiz Alves/Agência Câmara/Divulgação
O deputado Domingos Dutra, do PT maranhense

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