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Quinta, 11 de março de 2010, 14h24 Atualizada às 14h51

Após afastamento, ministro ataca "aliança de direita" do PV

Diego Salmen

A Terra Magazine, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, fala sobre o pedido de suspensão partidária que fez ao PV (Partido Verde) nesta quarta-feira, 10. A sigla, critica o ministro, vem conduzindo uma "aliança pela direita" à qual ele se opõe. "Eu já vinha divergindo do partido há uns quatro anos", explica.

"Quando a Marina Silva se filiou, esperei que houvesse um processo democrático de adensamento do programa (partidário), mas na verdade houve uma aliança entre a ministra, o presidente do partido, Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis no Rio de Janeiro, e eles fecharam uma opção para conduzir uma aliança com o PSDB e o DEM".

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A "gota d'água", segundo Ferreira, foi o lançamento da candidatura de Luiz Bassuma ao governo da Bahia. "Ele é contra várias bandeiras do PV, e nós somos parte do governo (do governador Jaques Wagner, do PT)", ataca. "Não é compreensível, não é legítimo que a gente passe para a oposição da noite para o dia".

Ex-vereador na cidade de Salvador, Ferreira é entusiasta da candidatura de Wagner à reeleição na Bahia. Na esfera federal, vem defendendo voto na ministra da Casa Civil, a também petista Dilma Rousseff.

"A maneira de eu ser coerente é suspender minha filiação", argumenta o ministro, que não vislumbra mudar de partido pelos próximos doze meses, período de duração de seu afastamento.

- Como se diz no Carnaval da Bahia, hoje eu sou um cidadão pipoca: vou brincando sem pertencer a nenhuma agremiação.

"Quando a gente se separa, passa o tempo que os psicanalistas chamam de luto; eu tenho 22 anos de militância no PV, não é como trocar uma camisa", diz o ministro ao justificar a opção pela suspensão, e não pela desfiliação em definitivo do partido. "Minha indignação é que o partido está ficando conservador em termos comportamentais e fazendo alianças pela direita".

Apesar das discordâncias, Ferreira evita tecer críticas à candidatura de Marina Silva. "O PV tem direito de lançar candidato, ela é gabaritada e íntegra, além de ser uma pessoa representativa", avalia. "O problema não é a candidatura da Marina, e sim como ela está sendo construída".

 
Agência Brasil
O ministro da Cultura, Juca Ferreira

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