Atualizada às 12h15 Diego Salmen
José Hamilton Ribeiro é um dos mais antigos e respeitados jornalistas brasileiros. Há mais de 50 anos na profissão, já passou pelas redações da revistas Realidade e Quatro Rodas, do jornal Folha de S. Paulo e de programas de TV como Fantástico, Globo Repórter e Globo Rural - onde atualmente é editor e repórter.
Além desses veículos, trabalhou também em uma série de jornais do interior do Brasil. Foi num desses que conheceu o cartunista Glauco, assassinado na madrugada desta sexta-feira, 12. Ele foi morto a tiros em frente a sua residência na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo, durante uma tentativa de assalto. Seu filho Raoni também morreu no incidente.
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"Foi no Diário da Manhã de Ribeirão Preto (que conheci Glauco). Quando se estabeleceu a censura na imprensa durante a ditadura eu trabalhava na Editora Abril. E não havia mais lugar para os repórteres fazerem grandes reportagens; não tinha jornalismo para fazer", relata Hamilton.
"Então alguns colegas foram para a luta armada, outros para a imprensa alternativa e outros foram trabalhar em jornais do interior. Eles ainda eram feitos à base de impressão tipográfica, e eu fui lá reformar isso. Foram comigo Sérgio de Souza, o Paulo Markun e outros jornalistas", diz. "E isso despertou o interesse de mais gente".
É aí, relembra o jornalista, que Glauco entra.
"Era um menino muito tímido, com uma aparência meio de caipira", rememora. "Mas quando eu vi os traços dele, eu disse: 'nossa, que coisa!'". O encontro entre os dois se deu em 1975, ano da morte do também jornalista Vladimir Herzog pela ditadura militar.
José Hamilton foi o primeiro profissional a contratar Glauco para trabalhar em um redação.
"Mas ele não ficou muito, porque ele queria vir para São Paulo", explica. "Foi o tempo necessário para ver que tinha coisa ali, que tinha talento. Tava na cara, era uma coisa meio rústica ainda, a semente, mas tinha talento".
O jornalista foi informado da morte de Glauco durante a conversa com Terra Magazine. Consternado, não deixou de criticar a brutalidade no País. "A violência no Brasil está pior que no Afeganistão", desabafou.
Por coincidência, a violência foi tema da última tirinha publicada por Glauco no jornal Folha de S. Paulo, na edição desta sexta-feira, 12.

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