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Sexta, 19 de março de 2010, 07h50 Atualizada às 21h36

estórias mínimas - 19/03/2010

José Rezende Jr.
De Brasília (DF)

Por que não paras, relógio?
Já teve a sensação de que o tempo está acabando? Que de uma hora pra outra

O condenado
O último pedido, a última refeição, a última reza. Tragou o último cigarro e, então, morreu de velhice.

Eu sei que vou te amar
Eu daria de graça pra qualquer um: feio, sujo, malvado... Mas de você cobro o dobro do que tem e do que não tem. Porque sei que vou te amar.

Música urbana
No meio da rua, tocando violino para ninguém ouvir. Tão bonito que os passarinhos fizeram silêncio - mas também não foram ouvidos.

Miguilim
Meu cachorro conversa com o vento. Não dizem nada um ao outro: apenas deixam que os desejos se toquem.

Minha vida na casa dos mortos
Velho e cansado, pedi socorro às paredes. Os mortos fitaram-me de seus túmulos em moldura oval e, mais uma vez, responderam: Ainda não.

A trapezista
Aterrissou nos braços do homem infeliz, que tratou de podar-lhe o voo. Tolo: não sabe que as asas das trapezistas crescem em cativeiro...

José Rezende Jr. publicou dois livros (de contos em "tamanho normal"): A Mulher-Gorila e Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor), ambos pela 7Letras. O primeiro, já esgotado, pode ser lido/baixado em www.joserezendejr.jor.br (jornalismo&literatura).

Fale com José Rezende Jr.: joserezendejr@terra.com.br

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