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Sexta, 19 de março de 2010, 13h22 Atualizada às 14h50

Maluf: inclusão em lista da Interpol é campanha eleitoral

Claudio Leal

Dessa vez a culpa não é do PT. Para o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) se deve ao início da "campanha eleitoral". Se tentar comer um pastel e tomar uma cerveja em algum dos 181 países em que o organismo mantém representação - como fez em Campos do Jordão, em 2005, depois de 40 dias na cadeia -, o ex-governador de São Paulo pode ser detido.

- Começa antes da campanha e, depois da campanha, some - arrisca o deputado.

Os Estados Unidos solicitaram a entrada de Maluf no alerta máximo. A promotoria criminal perante o Grande Júri de Nova York o acusa de "conspiração com objetivo de roubar dinheiro da cidade de São Paulo a fim de possuir fundos no Brasil, Nova York e outros lugares, e ocultar dinheiro roubado." A defesa de Maluf tentará a anulação do ato.

- Não adianta, vou ser candidato a deputado federal e vou vencer - profetiza o investigado.

Leia a entrevista por telefone.

Terra Magazine - Como o senhor analisa a decisão da Interpol de lhe incluir na lista vermelha?
Paulo Maluf - Olha, anteontem, eu estava dando uma entrevista pra Rádio Difusora de Batatais e o repórter, simpático como você, o Batista, disse: "Dr. Paulo, o senhor é candidato a deputado federal?". Eu disse: "Sou, eu sou candidato". Ele: "Ah, então já vão começar a lhe atacar!". Era um profeta! Isso é um problema de campanha eleitoral. Começa antes da campanha e, depois da campanha, some.

A que o senhor atribui essa solicitação dos Estados Unidos?
Atribuo ao início da campanha eleitoral.

Não está preocupado com o fato de não poder ir pra 181 países?
Isso vai se reverter... Não adianta, vou ser candidato a deputado federal e vou vencer... Eu vou ser deputado.

O senhor sempre diz que decisões desse tipo são de petistas. Mas é externa. Vai acusar alguém de partidarismo?
Eu já lhe disse. Não vou atribuir a ninguém. Mas isso partiu daqui, do Ministério Público de São Paulo.

Deputado, o que...
Dá licença, querido, estou aqui num compromisso político em Americana. Nos falamos outra hora.

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