Atualizada às 20h12 Claudio Leal
No discurso da cerimônia de desligamento do governo de São Paulo, o presidenciável José Serra usou tom duro. Disse que, em seu governo, "não se cultiva escândalo e roubalheira".
"Não tenho conivência com o malfeito", afirmou. "O governo tem que ter caráter. E esse é um governo de caráter".
Em referência indireta ao presidente Lula, repudiou a "espetacularização, a busca da notícia fácil".
"Sou considerado um grande obsessivo", admitiu. "Sou sério, mas não sou sisudo. Quem me conhece sabe. Monitor, não centralizador. Não sou centralizador". Neste momento, alguns parlamentares sorriam. Serra comentou, do parlatório: "O pessoal de Brasília sorri ironicamente, mas quem é de São Paulo sabe que não sou centralizador".
Serra assinalou que o Rodoanel é o grande momento do governo. "Governar não é mais 'abrir estradas', é saber quais estradas nós vamos abrir", discursou sobre o tema.
- Não tenho medo de ser alvo das falanges do ódio - avisou.
Ainda divertiu a plateia com sua cruzada antitabagista: "O Goldman não pode mais nem fumar escondido no banheiro do seu gabinete. Ele não sabia, mas havia câmeras escondidas lá".
O evento contou com a estrutura de lançamento de campanha eleitoral e presença maciça de prefeitos do interior e senadores do PSDB, como Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Alvaro Dias, e outros da base tucana, além do rabino Henri Sobel. A claque, no auditório, gritou: "Serra presidente!".
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não compareceu. A chegada do governador ao auditório Ulysses Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes, foi anunciada por um telão que transmitiu, em tempo real, a caminhada de Serra pelos corredores.
O auditório dividiu-se em três partes: na frente, parlamentares e secretários; no meio, prefeitos e, atrás, visitantes e partidários. O local estava lotado e contava com segurança reforçada. Havia grande presença de militares.
O governador chegou com uma hora de atraso. Estavam presentes também personagens que podem compor a chapa presidencial de Serra, como Orestes Quércia (PMDB), Rodrigo Maia (DEM), Kátia Abreu (DEM) e Roberto Freire (PPS).
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