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Sexta, 23 de abril de 2010, 17h48 Atualizada às 18h19

"A princípio, saída de Ciro interessa a Serra", diz Lavareda

Ana Cláudia Barros

Ainda é cedo para medir os impactos da provável saída do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) da disputa presidencial, mas a tendência é que o candidato tucano José Serra, desafeto declarado de Ciro, seja o principal beneficiado. A análise é do sociólogo e consultor político-estratégico Antonio Lavareda:

-A princípio, pelo menos nesta fase da campanha, parece uma coisa interessante para o candidato José Serra. A constatação aritmética na largada é essa.

A mesma avaliação é feita em relação às declarações duras do deputado, disparadas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas, sobre os rebatimentos das críticas, Lavareda pondera:

- Não acho que possa ser medido agora. Vai depender do que ocorrerá ao longo da campanha eleitoral propriamente dita.

Terra Magazine - Como o senhor avalia o impacto da saída do Ciro da corrida eleitoral, caso isso seja confirmado?
Antonio Lavareda - As pesquisas mostram, até agora, que uma porção maior das intenções de voto do Ciro se deslocava, nas listas de intenção de voto sem o nome dele, em direção à candidatura de José Serra (PSDB). Então, a princípio, pelo menos nesta fase da campanha, parece uma coisa interessante para a candidatura de José Serra. A constatação aritmética na largada é essa. Todos os institutos de pesquisa apontavam, em um cenário com o nome do Ciro...Quando, se colocava posteriormente num cenário com três nomes, um percentual de intenção de votos do Ciro migrava para a candidatura de José Serra, e não para a da ex-ministra Dilma Rousseff (PT). Então, o impacto imediato é favorável, do ponto de vista aritmético, para a candidatura de José Serra. Do ponto de vista político, é óbvio, também, que a saída de Ciro, com os comentários, críticas disparadas sobre o comportamento do PT e do próprio presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) também não beneficiam em nada a candidatura da ex-ministra Dilma.

Sobre as declarações, o senhor acredita que elas possam promover um estrago na candidatura da Dilma Rousseff?
Não acho que possa ser medido agora. Acho que vai depender do que vai ocorrer ao longo da campanha eleitoral propriamente dita. Se ocorresse uma coisa desse tipo em plena campanha, com certeza, teria resultados importantes. Nesta fase de pré-campanha, ainda razoavelmente distante do início da propaganda eleitoral, é possível imaginar que parte desses efeitos se diluam ao longo do tempo. De qualquer forma, neste momento, a saída do ex-ministro Ciro Gomes, da forma como se deu, beneficia, aritmeticamente, o candidato José Serra. Politicamente, também é benéfica à oposição, já que joga o foco para as críticas que o ministro está dirigindo ao PT e ao próprio presidente.

Então, foi um erro de estratégia do PT, que pretende polarizar a disputa com o PSDB...
É verdade. O tempo vai dizer se essa estratégia da bipolarização foi a melhor que o PT teria para enfrentar a eleição. Agora isso será visto com mais clareza durante a campanha eleitoral.

As declarações desfavoráveis de Ciro ao presidente Lula podem fazer com que, mesmo Serra sendo um desafeto declarado do deputado, os votos daquele acabem migrando para o candidato do PSDB?
Nas pesquisas de todos os institutos, a maior parte dos eleitores do Ciro, na lista em que o nome dele não era incluído, migravam para José Serra. A saída dele da forma como se dá pode, de algum modo, consolidar, digamos, essa segunda intenção de voto da porção maior de seus eleitores no campo da candidatura da oposição.

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Reprodução
O sociólogo e consultor político-estratégico Antônio Lavareda

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