Maria Alice Rocha
Do Recife (PE)

Kennedy e Nixon durante debate nas eleições presidenciais de 1960; ao lado, Sarah Palin e Michelle Obama
O clima de eleições que começa a contaminar o país faz emergir um assunto que talvez interesse não somente aos pré-candidatos, mas também os eleitores: a imagem de cada um. Há de se convir que a sociedade brasileira brevemente será bombardeada com uma diversidade de personagens políticos, em alguns casos, esteticamente pouco agradáveis, no horário mais nobre da televisão brasileira.
O assunto certamente gera discussões acaloradas e controvérsias, não somente no que tange a dimensão do candidato como personagem e a aproximação ou afastamento da sua identidade real, como quanto à eficiência que um serviço de personal stylist pode alavancar simpatia ou rejeição no eleitorado.
Para não citar exemplos locais, podemos nos reportar ao ano de 1960, quando os candidatos à presidência dos Estados Unidos eram Richard Nixon e John F. Kennedy. Na ocasião, a imagem televisa e o figurino de ambos, mesmo em preto e branco, fez diferença no resultado do debate. Para quem ouviu pelo rádio, Nixon era o líder, para quem assistiu pela TV, o vencedor era Kennedy.
Outro caso mais recente, ainda nos Estados Unidos, deve estar fácil de resgate na memória de muitos: as eleições presidenciais de 2008 entre Obama e McCain. No embate, grande parte das críticas que florescia na mídia não estava relacionada aos seus respectivos projetos de governo, mas aos gastos de campanha, que incluíam com freqüência, as despesas dos candidatos e suas famílias com sua imagem pessoal.
Como há uma tradição relacionar moda com mulheres, a pauta da campanha norte-americana incluía as preferências de consumo da vice republicana, Sarah Palin e da potencial primeira dama democrata Michelle Obama. Enquanto Sarah gastava 150 mil dólares em roupas de marca nas luxuosas lojas Saks Fifth Avenue e Neiman Marcus, Michelle portava vestidos de estilistas emergentes com preço médio de 150 dólares sem perder a elegância.
Como este ano no Brasil tudo indica que teremos pelo menos duas candidatas à presidência, os assuntos relacionados com moda, estilo, imagem pessoal e consumo entrarão em pauta. Vale lembrar que há uma tendência global dos homens se interessarem mais por esses temas, o que inclui potenciais comentários também às escolhas dos candidatos.
Como ainda estamos em fase de pré-candidaturas, e a campanha oficial ainda não foi iniciada, há espaço para erros, tempo para reflexão e oportunidade de ajustes. A indumentária de campanha deve estar adequada com o perfil do eleitorado que se busca representar, com a ocasião e o ambiente a freqüentar, com o tipo físico do portador e, talvez o mais importante, com a identidade de uma candidatura.
Considerando a história evolutiva das sociedades, há muito que a roupa deixou de ter uma motivação exclusivamente utilitária para se transformar em significado de pertencimento e de distinção. E é exatamente esse antagonismo que o profissional de imagem pessoal precisa equilibrar.
Como o assunto moda está cada vez mais em evidência em todas as rodas de conversa, independente de classe social, cada aparição pública dos potenciais candidatos promete se tornar um prato cheio em mesa de bar.
Com a emergência das mulheres na cena política em nível global, o tradicional terninho tem sido colocado em xeque de forma intensa. Da mesma forma, a dupla paletó e gravata para o figurino dos homens sofre uma atual crise de renovação.
Embora muitos brasileiros já vivenciem uma paisagem urbana repleta de outdoors, banners e folders publicitários relacionados com as eleições que se aproximam, há um alento: os holofotes da passarela das urnas só entrarão em evidência após a Copa do Mundo.
Até lá, candidatos e candidatas, aproveitem a calmaria para harmonizar o visual.
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