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Segunda, 10 de maio de 2010, 15h06 Atualizada às 15h12

Projeto Eleitor 2010 quer monitorar eleições desse ano

AP
Inspirados em experiências como a  Voto Reporting India , brasileiros pretendem monitorar as próximas eleições presidenciais. Na foto, religioso hindu ...
Inspirados em experiências como a Voto Reporting India, brasileiros pretendem monitorar as próximas eleições presidenciais. Na foto, religioso hindu vota na Índia

Thiana Biondo
Especial para Terra Magazine, do Chile

De olho em experiências de outros países, os brasileiros Paula Góes e Diego Casaes pretendem monitorar as próximas eleições presidenciais. A ideia é organizar um website que mostre um mapa com denúncias de fraudes, compra de voto e outras infrações, através de informações enviadas via e-mail, celular, twitter e outras redes sociais por qualquer pessoa. Os dois são editores da seção lusófona da comunidade internacional de blogueiros e tradutores, Global Voices Online que concluiu, neste domingo, 9, conferência em Santiago do Chile.

"Ainda está na fase inicial, alfa. Mas ainda estamos em tempo para buscar parceiros e chegar a um orçamento final. Precisamos divulgar bastante porque a participação popular é essencial", comenta Paula. Apresentando o Eleitor_2010 que usa a plataforma Ushahidi, ela e Diego ouviram como a mesma ferramenta foi usada nas eleições de 2009 na Índia.

Gaurav Mishra, um dos idealizadores do Vote Reporting India, (Índia, denúncia nas eleições, em português) fez uma apresentação na conferência, onde destacou como as expectativas dele não foram atingidas. "Na Índia, 700 milhões de pessoas podem votar. Metade dos eleitores foram às urnas. Eu consegui apenas 240 denúncias e esperava pelo menos mil", lamenta, apontando que o projeto teve o apoio de veículos tradicionais da mídia, como da inglesa BBC.

Apesar de ter conseguido executar o projeto em duas semanas, Gaurav destaca que faltou buscar parcerias com escolas, rádios populares e poder público. "A ferramenta é muito boa e precisa ser experimentada em outros países. Eu apenas esperava mais denúncias. Além disso, quem enviava as mensagens queria que nós resolvêssemos o problema e nós não temos esse poder", concluiu.

Já no caso de Madagascar, o editor do Global Voices da região, Lova Rakotomalala, ficou satisfeito com o uso do Ushahidi no começo do ano passado para denunciar uma onda de violência, no FOKO. Ele explica que 100 pessoas foram assassinadas por conta de protestos contra o governo, que aumentou drasticamente o preço da comida e não revelou o valor da negociação de 1,3 milhão de hectares de terra para sul-coreanos.

"Com 87 denúncias, conseguimos atrair a atenção das Nações Unidas e da organização não-governamental Amnesty International, que relataram o caso", comenta Lova. Ele também disse que, fora as 87 mensagens publicadas, outras 40 foram enviadas, mas verificadas como falsas.

A plataforma Ushahidi foi desenvolvida por um grupo de jornalistas e ativistas do Quênia para reportar casos de violência que surgiram no país após as eleiçõe de 2008, dentre eles Juliana Rotich, blogueira e ativista digital que também faz parte da editoria do Global Voices.

Projetos premiados

Outros brasileiros que falaram na Conferência foram Manuella Ribeiro e o professor da Universidade do Texas em Austin, Rosental Alves. Manuela é responsável por catalogar projetos no Brasil para o technology for transparency, braço do Global Voices que mapeia iniciativas que promovem a transparência de dados públicos usando o meio digital, como o Vote na Web, Congresso Aberto, Cidade Democrática e Adote um Vereador. Como conselheiro do Global Voices, Alves parabenizou o evento e sugeriu que o próximo encontro fosse na África.

Com o objetivo de trazer a atenção de leitores para assuntos pouco pautados pelo jornalismo internacional, o Global Voices também tem projetos que levam o ensino de Tecnologias da Informática e de como blogar livremente, em países com pouco acesso à computadores e onde existam censura. Na conferência, editorias do mundo inteiro estiveram reunidas para avaliar resultados e traçar os objetivos para os próximos dois anos.

O evento foi de quinta-feira a domingo, 6 a 9, sendo que os dois primeiros dias foram aberto à discussão pública em geral. Houve também a premiação de iniciativas que usam a internet para promover a cidadania. Dividido em três categorias, Direito, Tecnologia e Políticas, os ganhadores foram respectivamente, Kubatana do Zimbábue, Bosco, de Uganda e o Centro de Pesquisa Jornalística das Filipinas. Cada um ganhou 10 mil dólares. O Global Voices conta com suporte do Instituto da Sociedade Aberta (Open Society Institute), da fundações MacArthur e Ford, dentre outros.


Thiana Biondo é jornalista, colaboradora do Global Voices e reside em Londres.

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

 

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