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Domingo, 23 de maio de 2010, 11h04 Atualizada às 12h09

Aliados de Serra ainda sonham com Aécio para vice

Milton Michida / Governo do Estado de São Paulo/Reprodução
De volta do exterior, Aécio Neves volta a sofrer assédio para ser vice na chapa de Serra
De volta do exterior, Aécio Neves volta a sofrer assédio para ser vice na chapa de Serra

Juliana Prado
Especial para Terramagazine

Em Minas Gerais, em ano eleitoral, é sabido que "decisão política só se toma depois que passa a procissão do Senhor morto". A máxima foi perpetuada pelo precavido Tancredo Neves, que tinha a Semana Santa como prazo confortável para o início das costuras políticas decisivas. Pois a procissão do Senhor Morto, na Sexta-feira da Paixão, passou há 51 dias e muitas decisões ainda estão por ser tomadas no Estado. Analistas do quadro sucessório entendem que a volta do neto de Tancredo, o ex-governador Aécio Neves (PSDB), a Minas, irá acelerar as negociações para a disputa ao Governo do Estado e também para a corrida ao Palácio do Planalto.

Aécio volta da viagem que fez ao exterior sob forte pressão para que aceite a vaga de vice na chapa presidencial do tucano José Serra. A última investida aconteceu na sexta-feira, 21, quando o PPS do deputado Roberto Freire voltou a defender que o seu nome é o ideal para fortalecer a chapa tucana. Em Minas, aecistas de plantão se apressam em dizer que esta possibilidade é praticamente nula. "Se ele aceitar essa posição, e abrir mão da disputa ao Senado, que é barbada, não é o mesmo Aécio que eu conheço", disse uma liderança mineira esta semana.

Mesmo fora das mesas de negociações, de Paris, o ex-governador tucano mandou recados a seus interlocutores: sou candidato ao Senado. Os que ficaram trabalhando durante as férias do tucano, trataram de passar o recado. Fiel escudeiro de seu criador político, o governador de Minas, Antonio Anastasia, foi um que tentou tirar as especulações de campo. "Ele reitera a mim, da maneira categórica, que sua candidatura é ao Senado. Eu acho que ele já deixou isso bem claro", alardeou nos últimos dias.

Novos prazos

De São Paulo e de Brasília, no entanto, o PSDB dá sinais de que ainda tem esperanças no "sim" do mineiro. O partido adiou a decisão sobre o vice de Serra para o final de junho, deixando dentro da agenda eleitoral uma margem de manobra para negociar a posição. Após as últimas pesquisas, que mostram o crescimento da candidatura da petista Dilma Rousseff, o ninho tucano se agitou e os seus integrantes voltaram a abraçar esta tese.

Fato é que está em jogo para o político mineiro decidir entre a escolha que melhor lhe agrada - a disputa ao Senado - e aquela que agrada ao projeto nacional do PSDB. Muitos em Minas apostam que Aécio não tem por que abrir mão da sua meta em nome do partido que não lhe deu a chance de disputar a presidência. Mesmo assim, sem mágoas, pagaria a fidelidade que diz manter à sua sigla de forma mais branda: subindo no palanque de Serra de forma incisiva. E pararia por aí.

Viagem marcada

Apesar dos ritos lentos em Minas e de nem mesmo o elástico calendário eleitoral de Tancredo ter sido seguido, tucanos acham que a entrada em cena de Aécio redistribui algumas cartas. "Ele será um peso decisivo aqui na nossa campanha eleitoral no segundo semestre", admitiu Anastasia, que ainda patina nos 17% nas pesquisas eleitorais e sabe que a presença do ex-governador dará fôlego extra à sua candidatura. Aécio também será decisivo na escolha do vice na chapa de Anastasia.

Independente da decisão pela vice ou o Senado, o PSDB mineiro já acertou uma viagem de Aécio e Serra ao interior de Minas ainda no mês de maio. Datas não foram fechadas, mas a promessa é de que a pré-campanha ganhe tons mais fortes nos próximos dias.

Os tucanos sonham que o barco navegue antes que esteja cravado na agenda o novo feriado santo. Afinal, acham que o Corpus Christi, no dia 3 de junho, está muito longe. De mais a mais, já terão se passado dois meses da procissão do Senhor Morto.

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