Atualizada às 20h07 |
Divulgação
Embarcação do movimento Free Gaza durante viagem feita em 2008. "A diferença é apenas que antes ninguém foi morto", diz a professora da USP Arlene Clemesha, amiga de brasileira que estava em uma das embarcações atacadas por militares israelenses
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Dayanne Sousa
O ataque desta manhã não foi o primeiro de israelenses a uma embarcação que levava ativistas à Faixa de Gaza, diz a professora de História da Palestina na USP (Universidade de São Paulo), Arlene Clemesha. Amiga de Iara Lee, a brasileira que estava em um dos barcos atacados, Arlene afirma que haviam pelo menos 750 ativistas na viagem e que morreram 19 pessoas, mais que o dobro do estimado pelo porta-voz israelense.
A frota de navios atacada pertencia a ONG Free Gaza, que luta contra o bloqueio imposto por Israel à região. Esta foi a oitava viagem de barco dos ativistas. Em entrevista a Terra Magazine, Arlene afirma que os barcos já tinham sido atacados em outras ocasiões.
- A segunda tentativa foi logo após o ataque de janeiro de 2009. Já estava tudo organizado quando aconteceu o ataque. Pouco após o ataque o movimento partiu, os barcos foram interceptados e danificados.
Segundo a rede BBC Brasil, Israel afirma que os navios foram atacados porque continham armas, barras e facas. Arlene nega que houvesse armas e diz que eles carregavam apenas alimentos, medicamentos e materiais de construção.
- Em todas as tentativas, Israel sempre diz que não deixaria as embarcações entrarem, há sempre uma tensão. A diferença é apenas que antes ninguém foi morto - revela Arlene com peso na voz.
- A Iara partiu mesmo sabendo das ameaças. E não foi só ela, mais de 700 pessoas partiram porque acreditam na justiça da sua posição.
Segundo Arlene, o objetivo dos ativistas era atender uma região da Faixa de Gaza atingida por Israel em ataques há cerca de um ano e meio.
- Foram danificadas e destruídas um total de 50 mil casas. Até hoje não foram reconstruídas. Essas pessoas não tem janela, não tem vidro na janela, tem paredes derrubadas e estão expostas ao frio. É uma situação calamitosa.
A especialista cobra uma posição de Israel. Para ela, o comunicado duro emitido pelo Itamaraty é a resposta esperada num caso que envolve uma brasileira.
- Aconteceu em águas internacionais, o que significa que se trata de uma ação altamente controversa. Quer dizer, embarcações de ajuda humanitária, matar 19 pessoas? Ativistas? Solidários? Realmente é difícil de aceitar. A gente sabe que Israel vai ter que fazer uma investigação e exigir explicações e reparações.
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