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Sábado, 12 de junho de 2010, 14h22 Atualizada às 14h25

Após salvar cenas de ataque, brasileira diz que volta a Gaza

Cultures of Resistance/Divulgação
Iara Lee aparece em cena de vídeo gravado no navio atacado por israelenses
Iara Lee aparece em cena de vídeo gravado no navio atacado por israelenses

Dayanne Sousa

No sutiã, na camisa, no sapato, na cueca de colegas de equipe. Foi assim que Iara Lee, cineasta brasileira, conseguiu salvar cenas do ataque de militares israelenses à embarcação que levaria ativistas à Faixa de Gaza no último dia 31. Iara era a única brasileira na viagem e, após ter sido presa em Israel e visto nove colegas morrerem, ela contou a Terra Magazine que voltaria a navegar.

- Mas é claro que sim! Temos que continuar lutando pela justiça, não podemos ficar intimidados. É uma obrigação moral, um comprometimento de vida.

A brasileira de ascendência coreana e radicada em Nova York divulgou na quinta-feira (10) uma série de imagens filmadas por ela e colegas de equipe que mostram ativistas ensanguentados. Escutam-se tiros e avisos: "somos civis, não temos armas, por favor não ataquem, nós temos feridos".

- Eu estava na parte de baixo do navio, então você não vai ver um close de tiroteio, mas os nove ativistas que morreram tinham trinta balas no corpo e isso só pode significar uma coisa - explica.

O vídeo tem uma hora de duração e não tem cortes. Ele foi divulgado no site de uma ONG com a qual Iara colabora, a Cultures of Resistance, e pode ser assistido neste link. Iara conta que, apesar da tentativa de salvar as cenas de qualquer forma, boa parte do material foi confiscado por Israel. Ela afirma que, além das cenas divulgadas, fez entrevistas com os ativistas a bordo e teria feito um filme com todo o material se ele estivesse em suas mãos.

- Eu fico tentando lembrar o que será que nós perdemos e nem dá para saber direito.

Ainda assim, ela não descarta a possibilidade de colocar a fita nos cinemas. "Acho que o cinema é um mecanismo bom na luta por justiça, é um veículo completo", diz. "Mas por enquanto o meu lado de ativismo está mais forte que o de cineasta, a minha preocupação maior é contribuir para alertar que Israel não cumpre as leis internacionais".

Até a tarde deste sábado, o vídeo já havia alcançado mais de 53 mil exibições no YouTube. Iara, porém, acredita que esteja sendo sabotada por defensores de Israel. Nas palavras dela, "pessoas que não concordam comigo". Ela relata que o vídeo já saiu do ar algumas vezes e até mesmo o seu perfil na rede de relacionamentos Facebook já foi invadido em diversas ocasiões.

O vídeo de Iara se transformou no principal argumento contra outras imagens, divulgadas por Israel no dia do ataque. No trecho divulgado por israelenses, os militares aparecem sendo atacados com o que parecem ser bastões. Iara justifica:

- Foi uma coisa muito desequilibrada. As pessoas lá no navio ficaram em pânico e começaram a usar estilingue, cadeira, vassoura, o que encontraram. Mas os aparelhos que os israelenses usaram eram barra pesada mesmo. Eram revólveres, assim, coisa de Guerra Mundial mesmo!

Ela afirma, porém, que os ativistas evitaram a violência.

- A gente teve a oportunidade de matar os militares israelenses, mas ninguém matou. Pelo contrário, os médicos que eram passageiros trataram os soldados feridos. Mas nós pedimos que eles ajudassem os nossos feridos e eles não quiseram nem saber.

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