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Sexta, 18 de junho de 2010, 11h27

Escritor: Morte de Saramago é perda para Brasil e Portugal

Ana Cláudia Barros

"A literatura portuguesa perde seu maior escritor contemporâneo". A declaração, carregada de consternação, é do imortal Murilo Melo Filho, sexto ocupante da cadeira número 20 da Academia Brasileira de Letras, ao comentar a morte do escritor português José Saramago, na manhã desta sexta-feira (18).

Melo, que conheceu Saramago pessoalmente durante viagem do escritor lusitano ao Rio de Janeiro, lembra que o autor de "Ensaio sobre a cegueira" era um homem "bem concatenado, com a cabeça colocada em um plano de muita organização".

Com indisfarçável saudosismo, ele relembra ainda a ligação de Saramago com a ABL.

- Ele chegou a ser eleito sócio correspondente da nossa academia em Lisboa. Recebeu a comunicação da eleição e respondeu agradecendo e aceitando. Foi convidado porque tinha acabado de receber o Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Pode-se dizer que, depois de Camões, foi o maior nome da literatura portuguesa.

Para Melo, a morte do escritor, que estava com 87 anos, foi "uma perda irreparável para a cultura brasileira e portuguesa".

Trajetória literária

José Saramago iniciou sua carreira literária no final da década de 40, com a publicação do romance Terra do Pecado. É autor de obras, como O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), Ensaio sobre a Cegueira (1995), Todos os Nomes (1997), e O Homem Duplicado (2002).

Em 1991, provocou polêmica ao lançar O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro censurado pelo governo português, o que levou o escritor a exilar-se nas Ilhas Canárias (Espanha). Seu último romance foi Caim (2009), também alvo de críticas da Igreja Católica.

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Marcelo Pereira/Terra
O escritor português José Saramago

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