Atualizada às 10h14 |
CBF/Divulgação
O reformado Estádio Mangueirão, em Belém, é um dos trunfos da sobrevivente candidatura paraense
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Eliano Jorge
As críticas à morosidade da adequação das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 mantêm esperançosas as cinco candidatas derrotadas. Aos responsáveis pelo evento, Goiânia, Campo Grande e Belém endossaram que ainda pretendem sediar partidas. Florianópolis não tomou esta iniciativa, mas topa.
Rio Branco também se diz preparada para uma eventual mudança de planos, todavia está de olho mesmo na fase pré-Mundial. Das 18 candidaturas iniciais, a única sem qualquer pretensão de receber jogos oficiais é a de Maceió, que abandonou a disputa antes da etapa final do processo de definição.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) coleciona advertências e reclamações contra o atraso nacional. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já ameaçou retirar da Copa as cidades que não obedecerem o calendário. As selecionadas são Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Manaus, Cuiabá, Curitiba e Porto Alegre.
"O presidente (da CBF, Ricardo Teixeira) já falou algumas vezes que, se uma cidade não cumprir o cronograma e os compromissos assumidos, a ideia inicial não é reduzir o número de 12 cidades. As alternativas eram: buscar na própria cidade um outro projeto de estádio, como no caso de São Paulo e Curitiba; e, como segunda opção, trocar de cidade", esclarece o diretor de Comunicação do Comitê Organizador Local e assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva.
A substituição não se basearia necessariamente em aspectos geográficos. "Não tem uma lógica ainda, não está fundamentada em nada", acrescenta Paiva. "Esse assunto vai se encerrar em pouco tempo. Essa etapa não vai ter como ser discutida ali na frente, não passa deste ano."
Ainda candidatas
Em maio de 2010, o prefeito Paulo Garcia (PT) enviou ao ministro do Esporte e ao presidente da CBF um ofício, mantendo vivo o desejo de Goiânia em abrigar a competição, caso seja revista a escolha de alguma das sedes, e ratificando a aliança com o governo estadual para esta empreitada. O grupo de trabalho da candidatura, no entanto, foi encerrado.
O Mato Grosso do Sul também acalenta sonhos. "Se for cortada alguma sede, Campo Grande continua sendo candidata. Não existe mais um comitê institucional formado. Se necessário, ele se forma de um dia para o outro novamente. O prefeito tem isso em mente, não fica alimentando expectativa falsa, mas há a esperança de que alguma cidade acabe fora", assegura o superintendente de Comunicação da Prefeitura, Victor Barone.
Ele revela que essa disposição sul-mato-grossense foi manifestada à Fifa e à CBF, na semana seguinte ao anúncio oficial de maio de 2009. E, sem estimativas, considera que a própria entidade máxima do futebol saberá calcular até quando será possível substituir uma cidade-sede.
A capital acreana continua à disposição para abrigar a preparação de seleções antes da Copa, porém dissolveu seu comitê de candidatura. "Entendemos que não valia a pena fazer guerra por isso, não vamos fazer insistência sem fim", assinala o secretário de Comunicação, Aníbal Diniz.
Entretanto, a possibilidade de Rio Branco receber a competição não é totalmente descartada, embora não se nutram esperanças. "Se, por acaso, a Fifa convocasse o Acre, posso garantir que poucos Estados teriam condição de dizer 'sim' (como ele)", garante Diniz. "As obras infraestruturais permanecem as mesmas, exceto o estádio e a estrutura da chamada Família Fifa, para atendimento à imprensa".
Florianópolis confirmou à CBF, em abril, interesse em recepcionar seleções em fase de treinamento, porém, não foi além disso, relata Joceli de Souza, coordenador-executivo do comitê de candidatura catarinense, que "está em estado de suspensão, com atividades paralisadas, mas não foi extinto".
Ele conta que, se fosse sugerida a inclusão de Floripa entre as sedes, levaria a ideia ao conhecimento do governador e reativaria o comitê. Bastaria ainda antecipar as obras de infraestrutura, que estão previstas para ocorrer sem a celeridade exigida pelo Mundial.
"Tínhamos melhores condições técnicas do que cidades que foram escolhidas. Muitas não têm a mínima condição", alega Souza, também consultor de Relações com o Mercado da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte. Ele destaca a proposta de financiamento privado para estádio, a rede hoteleira, a segurança pública, os cuidados com o meio ambiente e a qualidade de vida em Florianópolis, preterida "estranhamente, por razões outras".
Rodrigo Paiva refuta a existência de sondagens. "A CBF, e mesmo o comitê, não consulta cidade nenhuma. É a cidade que encaminha ao comitê o desejo de ser uma cidade de campo de treinamentos, e não o caminho inverso", afirma, ainda sem uma lista de pretensas sedes de preparação das seleções estrangeiras.
"Primeira da fila"
Das excluídas, Belém é a mais engajada em tornar-se palco da maior festa do futebol. Permanece "sempre disponível", "atenta às notícias e informações sobre as cidades escolhidas e as providências que estão sendo tomadas", declara a coordenadora da Câmara Sócio-Cultural do governo estadual, Lúcia Penedo.
Ela comandava o Grupo de Trabalho Copa-2014, que "oficialmente não foi extinto, mas ficou de stand-by, esperando os próximos passos". O diálogo com a CBF também não se interrompeu. "Fizeram uma consulta com relação às cidades para treino, mais ou menos em 30 de maio. Respondemos que Belém e Santarém - outra cidade turística, perto da capital - podem vir a ser", revela Lúcia.
Em seguida, a capital paraense mandou outro documento à CBF, ressaltando que os projetos do caderno de encargos estão sendo realizados, como ações de infraestrutura. "O projeto, não vamos mudar. Foi grandioso, se enquadra nas exigências solicitadas", afirma.
Ela lembra ainda que o Estádio Mangueirão necessita de reformas menores. "Sou uma pessoa que vivo de esperança, não de ilusão. Sabe que tenho uma esperançazinha no fundo do meu coração que Belém ainda pode vir a ser sede da Copa?", diz Lúcia, que se baseia em notícias de dificuldades de outras cidades. "Nosso Estado do Pará é rico, tem um dos menores índices de endividamento".
Na sua opinião, sua cidade é a favorita a substituir alguma sede, se preciso. "Eles (de Fifa e CBF) balançaram na apresentação. Se levarem em consideração o critério técnico, a paixão pelo futebol e aquilo que temos e que continuamos a fazer, Belém será a primeira escolhida. Até hoje considero uma grande injustiça que fizeram conosco", opina.
As torcidas de Remo e Paysandu formariam uma multidão de cabos eleitorais. "A CBF possui os dados, sabe perfeitamente que o nosso Estado do Pará tem dois times que levam público ao estádio, mesmo estando na terceira e na quarta divisão".
Lúcia não acredita que a Fifa guarda mágoa por ela ter afirmado que a entidade não era séria, após "surpreendentemente" não optar por Belém. "Pelo contrário. Porque o próprio (presidente da Fifa, Joseph) Blatter gaguejou quando foi dar a notícia, ele ficou meio embaraçado. O que dissemos é uma realidade, pode ser que agora esta injustiça vá ser corrigida. É um dever moral deles corrigir", reitera.
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