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Quinta, 29 de julho de 2010, 10h40

Iedi: Desindustrialização preocupa por causa de renda baixa

Mariana Desidério
Especial para Terra Magazine

A queda na participação da indústria no PIB brasileiro que tem sido observada não é como a que acontece em países como os da Europa e preocupa. É o que diz o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Cesar de Souza. Segundo ele, a alta renda destes países justifica que o setor de serviços ocupe um espaço maior no PIB.

- Nestes países, onde os serviços são 60% do PIB, a renda per capita é muito alta. Você vai mais ao cabeleireiro, viaja mais. Existem países aí que têm 10 vezes a nossa renda per capita, e aí faz sentido.

Não é o caso do Brasil. Com uma renda como a brasileira, este movimento pode significar perda de força no "coração da economia". Segundo o economista, os dados mostram que a indústria de transformação perdeu cerca de seis pontos percentuais em participação no PIB de 1970 a 2008.

- No nível do Brasil, a indústria perder terreno significa que estamos perdendo o dinamismo de qualquer economia, que é a indústria, o coração da economia. Todo mundo está discutindo isso, afirma Souza.

Se esta tendência de desindustrialização deve chamar a atenção, a queda de 0,2% no número de empregos na indústria no mês de junho não significa um revés para o setor, de acordo com o economista do Iedi. A queda foi identificada no índice geral das sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese/Seade. A diminuição nos empregos representa 7 mil vagas.

Souza lembra que junho é o último mês do segundo trimestre e que este movimento já era esperado, tendo em vista que o primeiro trimestre foi muito forte.

- A nossa avaliação é de que isso não significa um problema. O crescimento do primeiro trimestre era insustentável. Estamos observando no segundo trimestre o que podemos chamar de uma acomodação de estoques das indústrias e isso evidentemente rebate na produção. O que é indicado é que a indústria entre numa trajetória de crescimento com taxas de variações mês a mês mais baixas, mas mais equilibradas. Desacelerou? Desacelerou. Mas isso coloca a indústria no eixo.

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