Terra Magazine

 

Quinta, 12 de agosto de 2010, 14h02 Atualizada às 17h11

Ufólogo: Brasil tem 12t de documentos sobre discos voadores

Ana Cláudia Barros

A portaria, publicada nesta semana no Diário Oficial da União, que regulamenta como a Aeronáutica deve proceder durante as notificações de objetos voadores não identificados (OVNIs), foi, na interpretação do presidente do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), o ufólogo Ademar José Gevaerd, uma forma de o governo reconhecer a existência do fenômeno. De acordo com o texto, assinado pelo Tenente-brigadeiro do Ar Juniti Saito, as atividades do Comando da Aeronáutica (Comaer) devem se restringir ao registro de ocorrências e ao envio dos dados ao Arquivo Nacional.

- No momento em que o governo diz: "A partir de hoje, os relatórios de ocorrência de OVNIs vão ser encaminhados ao Arquivo Nacional", isso significa que, primeiro, há uma admissão de que existem relatórios. Segundo: relatórios do quê? De objetos não identificados, de OVNIs que estão sendo detectados pelo radar, que estão sendo visto por pilotos, que estão sendo acompanhados por caças a jato e o governo tem conhecimento disso.

Gevaerd diz ter se supreendido com a portaria e acrescenta que ela é uma consequência indireta da campanha UFOs, liberdade de informação já, realizada, em 2004, pela Comissão Brasileira de Ufólogos. Segundo ele, diante do movimento, o governo começou a liberar, a partir de 2007, documentos, até então confidenciais, sobre o avistamento de OVNIs no espaço aéreo brasileiro. "Algumas pérolas começaram a aparecer", conta, referindo-se a relatórios, como o de um episódio de 19 de maio de 1986, conhecido como "Noite Oficial dos OVNIs". Na ocasião, cerca de 20 objetos voadores não identificados teriam sido detectados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo.

No documento, o Comando Aéreo de Defesa Aérea (COMDA) informa às autoridades do Ministério da Aeronáutica sobre luzes em deslocamento, avistadas pelo controlador da torre de controle de São José dos Campos (SP) e por um piloto. "As luzes, embora com predominância de cor vermelha, apresentaram mudanças para o amarelo, verde e alaranjado". A aeronave de alerta da base de Santa Cruz chegou a ser acionada, conforme o relatório, que, nas considerações finais, conclui: "Os fenômenos são sólidos e refletem, de certa forma, inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores".

O ufólogo garante que esse tipo de ocorrência sempre existiu e é mais frequente do que se pode supor.

- Uma afirmação feita a mim pelo brigadeiro José Carlos Pereira, que foi o comandante do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), dá conta de que há 12 toneladas de documentos oficiais sobre discos voadores - conta. - Em 1999, ele determinou que todas as informações sobre Ufos (OVNIs) fossem digitalizadas e passassem para um banco de dados que, hoje, é de acesso exclusivo da Aeronáutica. Ele nos confessou que havia milhares de registros de ocorrência sobre disco voadores no Brasil.

Confira a entrevista.

Terra Magazine - Portaria publicada nesta semana no Diário Oficial da União determina que a Força Aérea Brasileira anote informes de aparições de objetos voadores não identificados em seu centro de documentação histórica. As informações serão repassadas posteriormente para o Arquivo Nacional. Na prática, significa que qualquer pessoa terá acesso ao material?
Ademar José Gevaerd -
Na prática, temos que ver como fica porque a determinação da portaria é que os relatórios sejam enviados ao Arquivo Nacional. No entanto, há questões pontuais: e os relatórios que já haviam sido recebidos pelo governo nos anos 50, 60, 70, 80, 90? Está tudo no Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, em Brasília.

Eles ainda não foram abertos à consulta da população?
Estão sendo abertos. Iniciamos uma campanha, em 2004, chamada UFOs, liberdade de informação já (mantida pela Comissão Brasileiro de Ufólogos). Em 2005, fomos recebidos pelo governo. Em 2007, o governo começou a liberar páginas de documentos, por décadas. Liberou da década de 50, depois de 60, 70 e 80. Algumas pérolas e preciosidades começaram a aparecer nesses documentos.

Que preciosidades, por exemplo?
Há um documento, de 1986, em que o Ministério da Aeronáutica confirma que os objetos voadores não identificados, vistos sobre Rio de Janeiro e São Paulo, numa data específica, perseguidos por sete caças a jato, eram sólidos e refletiam inteligência em seu controle. Isso vem acontecendo faz tempo. O governo tem liberado papéis relativos à Operação Prato (operação realizada pela FAB no final da década de 1970, no Pará), papéis relativos ao Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, em São Paulo...

O episódio de 1986, citado por você, é aquele que ficou conhecido como "Noite Oficial dos OVNIs"?
É esse aí. Tivemos acesso a um documento chamado relatório de inteligência, em que é dito que os objetos eram sólidos e que tinham inteligência.

Por que os registros de OVNIs no espaço aéreo brasileiro é tão cercado de mistérios, tão nebulosa?
Menos mistério aqui do que em outros países. Como a decisão de ontem (terça-feira, 11), o Brasil assume posição de vanguarda no mundo.

A portaria é resultado da campanha de 2004?
Sim, ela é resultado indireto da campanha. Nós não esperávamos que isso fosse acontecer. Nem sonhávamos que o governo fosse tomar essa decisão, embora já tivéssemos sido informados que isso poderia a acontecer extra-oficialmente, por alguns membros do governo e da Força Aérea Brasileira.

Qual a importância dessa portaria?
Deixa de haver dúvida a respeito do fenômeno. No momento em que o governo diz: "A partir de hoje, os relatórios de ocorrência de OVNIs vão ser encaminhados ao Arquivo Nacional", isso significa que, primeiro, há uma admissão de que existem relatórios. Segundo: relatórios do quê? De objetos não identificados, de OVNIs que estão sendo detectados pelo radar, que estão sendo visto por pilotos, que estão sendo acompanhados por caças a jato e o governo tem conhecimento disso.
E vou além: esses relatos que devem ser mandados para o Arquivo Nacional são milhares. Eles foram preenchidos por civis, mas principalmente - este é o grande lance da questão - por pessoal ligado à Força Aérea Brasileira, controladores de tráfego aéreo e pilotos.

Então, esses episódios de aparição de OVNIs são muito mais recorrentes do que se pode supor?
Uma afirmação feita a mim pelo brigadeiro José Carlos Pereira, que foi o comandante do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, dá conta de que há 12 toneladas de documentos oficiais sobre discos voadores. Documentos que estão espalhados pelas bases aéreas de todo o Brasil e que ele, quando comandante do órgão, fez com que tudo fosse mandado para Brasília e catalogado.
Na ocasião, em 1999, ele determinou que todas as informações sobre Ufos (OVNIs) fossem digitalizadas e passassem para um banco de dados que, hoje, é de acesso exclusivo da Aeronáutica. Ele nos confessou que havia milhares de registros de ocorrência sobre disco voadores no Brasil. Esses registros já vêm acontecendo desde os anos 60.
A partir de 1980, qualquer piloto no país, civil ou militar, que observasse um objeto incomum, o que chamamos de UFO, teria que pegar um formulário específico, fornecido pela FAB, e entregar num destacamento da força aérea.

As pessoas comumente associam o termo OVNI a discos voadores, extraterrestres. A rigor, é um objeto voador não identificado...
É um nome que a imprensa e, até os ufólogos, usam, mas não quer dizer muita coisa. "Objeto voador não identificado". Na verdade, eles são identificados. São identificados como não sendo de origem terrestre, não sendo do nosso planeta. São objetos, veículos desenvolvidos por outras espécies, outros seres inteligentes, que estão visitando a terra há muito tempo. Há inúmeros documentos comprovando essa afirmação.

Quantos documentos do tipo você já teve acesso?
Nós temos 4 mil páginas de documentos da FAB, que foram disponibilizados pelo Arquivo Nacional através da campanha.

Deste material que você examinou, o que mais te chamou a atenção?
Temos cerca de 500 páginas de documentos de pesquisas ufológicas oficiais, feitas pelo governo brasileiro, na Amazônia, durante a Operação Prato. Temos uma quantidade relativamente grande de informações sobre pesquisas feitas pela FAB no interior de São Paulo, Rio, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.

Existem regiões onde há maior incidência de aparições de OVNIs?
Algumas localidades sempre são citadas como tendo grande atividade ufológica, como Varginha, Chapada dos Guimarães...

Há alguma explicação?
Na verdade, não há nem confirmação se esses locais são, de fato, mais visitados por UFOs. De vez em quando, há um modismo em certas regiões e as pessoas falam que têm visto objetos lá e se cria uma fama, às vezes temporária, às vezes permanente e dá a impressão de que aquele lugar é preferido pelos UFOs.

Há muitos registros fotográficos, filmagens de OVNIs, mas grande parte é material fraudulento.
Perto de 90% de tudo que é registrado em filmes e fotos, não é que sejam fraudulentos, que alguém tenha fraudado para ludibriar. São enganos. Por exemplo, a pessoa fotografa alguma coisa no céu e acha que aquilo é uma nave. Isso é o que mais acontece. O fato é que temos ainda uma quantidade imensa de registros ufológicos autênticos. Fotos, filmes. Temos métodos para analisar a autenticidade. Métodos inclusive usado pelas polícias técnicas de várias partes do Brasil.

Você já presenciou uma aparição de OVNI?
Tive um avistamento no Pantanal e outro próximo da área 51, nos Estados Unidos, que é uma área sempre relacionada a esses segredos ufológicos. No Pantanal, vi apenas uma luz pequena se mover. Não é nada perto daquilo que a gente pesquisa. No deserto de Nevada, vi uma luz maior, que perseguia o carro onde eu estava com mais três pessoas.
Mas isso não é nada. O ufólogo, na verdade, pesquisa os casos relatados por outras pessoas. Minha especialidade, por exemplo, são depoimentos militares. Tenho entrevistado continuamente pilotos, militares, pessoas que estiveram frente a frente com naves, militares que estiveram perseguindo naves ou que comandaram, no solo, pesquisas secretas da força aérea.

Há convergências nos relatos?
Todos dão conta de que estamos sendo observados por algum tipo de inteligência que há por trás desses veículos. Essas naves observadas têm tripulantes, como nós mandamos naves tripuladas para o espaço. Essas que vêm aqui (à Terra) são mais avançadas tecnologicamente, podem se aproximar da nossa atmosfera. Esses seres têm algum tipo de interesse, alguma curiosidade em relação ao que fazemos aqui.

Vocês, ufólogos, têm uma idéia de onde esses seres vêm? Eles são de um lugar específico?
Não sabemos de onde vêm, só que são de fora da Terra. A estimativa óbvia que fazemos é que eles vêm de diversos pontos do universo. Tanto que, eles próprios, no seu procedimento de contato com os seres humanos, têm diversas formas de agir. Têm, inclusive, diversas fisionomias. As naves têm diversos formatos.

Procede aquela imagem que o senso-comum consagrou de extraterrestre baixinho, com olhos e cabeça grandes?
Sim. Pelo que é observado por testemunhas, em todos os lugares do mundo, é que são seres bípedes, com formato humanóide: tem duas pernas, dois braços, uma cabeça... Alguns são mais baixos, outros, mais altos. Alguns são muito semelhantes a nós. Os baixinhos, ao qual você se referiu, que têm a pele acinzentada, cabeça e olhos grandes, estão mais relacionados a abduções - quando a pessoa é levada para a nave contra sua vontade. Em 90% dos casos, ela não se recorda da experiência.

O interesse deles é estudar o ser humano?
Eles demonstram que têm, em relação a nós, a mesma curiosidade que mostramos ter em relação à outra raça. Especialmente, se essa raça for mais atrasada. Parece que eles vêm fazendo um monitoramento, uma observação dos nossos atos. Isso vem acontecendo desde sempre. A bíblia está repleta de casos ufológicos. Há desenhos em cavernas, datados de 100, 150 mil anos. Registros em tapeçaria, estátuas e moedas.

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Segundo Gevaerd, o flagrante foi feito durante a Operação Prato, realizada pela FAB, no final da década de 1970, no Norte do país

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