Atualizada às 14h13 Ana Cláudia Barros
(foto: Reprodução)
Novato na política - terreno pantanoso para os incautos -, o cantor Dalvan, que forma dupla sertaneja com o parceiro Duduca, protagonizou uma saia justa nesta semana. Candidato a deputado federal por São Paulo e filiado ao Partido Social Cristão (PSC), que, no Estado, está coligado ao PSDB, o músico decidiu fazer um "mimo" para a presidenciável Dilma Rousseff, do PT. Dalvan compôs um jingle em homenagem à candidata. Em conversa por telefone com Terra Magazine, ele conta como teve a iniciativa.
- Cruzei com ela em Osasco, há uns seis, sete, oito meses e falei que tinha a ideia de fazer um jingle para ela. Ela falou: "Por favor, faça". Aí, eu contei a ideia para ela, que era sobre a mulher. "A mulher que lava a roupa, a mulher que faz o café, a mulher que faz o jantar. A mulher que cata o lixo, a mulher que vai para a roça e ajuda o homem a trabalhar. A mulher que é delegada, é promotora e juiz, a mulher que é atendente..." É esse tipo de coisa. O jingle ficou muito bom e o refrão é muito legal porque fala da parceria dela com o Lula, né?!
Mas ao perceber que a entrevista é gravada, o sertanejo recua e destaca que fez apenas "uma musiquinha para ela (Dilma) curtir". Afirma que não está traindo o partido e que, se a presidenciável quiser utilizar o jingle na campanha, ele irá consultar as bases do PSC para pedir autorização. Nacionalmente, a legenda está coligada ao PT.
Questionado sobre como conheceu Dilma, Dalvan diz que o contato se deu pela suposta amizade de longa data que tem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- O Lula e a dona Marisa, a esposa dele, são fãs número 1 de Duduca e Dalvan. A gente é amigo pessoal. A gente se encontra, bate-papo...
E completa: "Estive cinco vezes no gabinete dele em Brasília, no Palácio do Planalto. Entra no YouTube e escreva 'Duduca e Dalvan e Lula'".
Embora tenha feito um jingle para a petista, o cantor prefere a cautela na hora de responder em quem vai votar para presidente. Só não se furta de revelar qual será a escolha de seus familires. "Eu sempre votei no Lula. Eu e minha família toda. Eu posso não votar na Dilma, mas minha família, com certeza, vai votar".
Confira a entrevista.
Terra Magazine - É verdade que você fez um jingle para Dilma?
Dalvan - Fiz um jingle para a Dilma.
E como é o jingle, de onde partiu a ideia?
A ideia é a seguinte: fiz um jingle falando da mulher. Eu entreguei ontem (segunda-feira, 23) para o pessoal do partido. Para o Edinho, eu acho.
Mas é do PT de São Paulo?
De São Paulo.
Mas como surgiu a ideia de fazer um jingle para a Dilma?
Já tem muito tempo. Cruzei com ela em Osasco, há uns seis, sete, oito meses e falei que tinha a ideia de fazer um jingle para ela. Ela falou: "Por favor, faça". Aí, eu contei a ideia para ela, que era sobre a mulher. "A mulher que lava a roupa, a mulher que faz o café, a mulher que faz o jantar. A mulher que cata o lixo, a mulher que vai para a roça e ajuda o homem a trabalhar. A mulher que é delegada, é promotora e juiz, a mulher que é atendente..." É esse tipo de coisa. O jingle ficou muito bom e o refrão é muito legal, porque fala da parceria dela com o Lula, né?!
E como é o refrão? Dá uma palhinha.
Aí, você me pegou. Sabe que é... Tem um eco. Dá a impressão que você está gravando.
Mas eu estou gravando.
Entendi... Mas isso que eu fiz, fiz como autor. Não tem nada partidário. Eu apenas tive a ideia, falei para ela e ela gostou.
Você falou que, no refrão, tem uma menção ao Lula. Como é?
Vou ficar devendo. Só falaria isso pessoalmente.
Que jogo duro (risos).
Pois é (risos).
Você é candidato e sua legenda é o PSC, que, em São Paulo, está coligada ao PSDB. Fazer um jingle para a Dilma, candidata do PT, não provocou um mal-estar entre você e o partido?
Não. Isso não foi lançado para lugar nenhum. Apenas fiz para ela. Não é para ser utilizado nem nada.
Mas você não fez um jingle?
Não. Fiz uma musiquinha para ela curtir, ouvir, porque eu tinha prometido a ela. Não fiz nada para comercializar. Tanto que ela não está usando e não assinei nenhum tipo de autorização para ser usado em lugar nenhum.
Mas você não entregou o jingle ao PT?
Pedi para entregar para ela (Dilma) ouvir.
Não é para ser usado na campanha?
Se ela quiser usar, posso liberar, porque eu sou músico. Sou autor, sou compositor. Não tem nada a ver minha profissão com partido, PSC, PT... Eu não fiz a música com o intuito de lançar em campanha. Tanto que não está autorizado. Se alguém falar qualquer coisa e falar que eu autorizei, que eu estou traindo o partido... Não tem nada a ver porque eu não autorizei nada.
Mas o seu partido o questionou?
Não, ninguém me disse nada. Eu não autorizei nada. Se fosse usar na campanha, nós, aí, sim, iríamos consultar as bases do partido e ver se pode. Se pode, a gente autoriza. Se não pode, a gente não autoriza.
Como você conheceu a Dilma?
O Lula e a dona Marisa, a esposa dele, são fãs número 1 de Duduca e Dalvan. A gente é amigo pessoal. A gente se encontra, bate-papo...
Então, você já foi ao arraiá da Granja do Torto
Não. Na casa dele não fui. Estive em Santos, São Bernardo. Estive cinco vezes no gabinete dele em Brasília, no Palácio do Planalto. Entra no YouTube e escreva "Duduca e Dalvan e Lula".
Então, você conheceu Dilma em função da proximidade que tem com Lula?
O Lula é meu amigo. Ele me convidou para ser fundador do PT, quando o partido começou. Eu não quis porque estava fazendo muito show.
Por que, agora, você não se filiou ao PT, mas ao PSC?
Apenas não deu certo porque simplesmente não coincidiu. O PT hoje não precisa de mim, não precisa de ninguém. Talvez, quando precisasse quando começou.
É a primeira vez que você está disputando um cargo político?
Eu moro em São Paulo há 33 anos. Até então, gravei várias músicas de protesto. Gravei Espinheira, Massa falida. Espinheira vendeu um 1,7 milhão de cópias. Massa Falida vendeu mais de um milhão. Gravei Para não dizer que não falei das flores. Gravei Trem da vida. Gravei muitos protestos. Tem um novo, um inédito, que se chama Lá vem o homem.
Lá vem o homem? É para quem?
Eu gravei agora, porque o Lula é presidente e ele é meu amigo e o trabalho dele está muito bom como presidente. Todo mundo falava que um analfabeto não ia fazer nada pelo Brasil. E ta aí o Brasil do jeito que está e a gente deve a esse analfabeto que ninguém queria para presidente.
A música "Lá vem o homem" é uma homenagem para o Lula?
Para o Lula, não. Você está mudando as palavras (risos).
Mas você falou do Lula...
Lá vem o homem, eu escrevi para aquele pessoal de antigamente que ficou aí, o Brasil devendo para o FMI, o Brasil quebrado e o povo desempregado e passando fome. Fiz essa música para os políticos. Vou lançar no próximo ano.
Mas quem é o homem?
Qualquer político safado. Esse pessoal aí, cheio de corrupto.
É a primeira vez que você se candidata?
Para deputado, sim. Uma vez, me candidatei a vereador em Campo Limpo Paulista para ajudar um amigo meu, delegado. Ele era candidato a prefeito e eu entrei para ajudar. Mas nem participei. Eu viajava direto para fazer show. Não fiz um comício. O que era candidato a prefeito também desistiu da candidatura.
O que motivou você a se candidatar agora?
Eu sempre quis entrar na política. Sempre gostei de política. Chegou uma época que quanto mais pessoas como eu resolverem dar a cara à tapa. Tipo assim, encarar a realidade para tomar o lugar de alguém corrupto e tirar um mau elemento de Brasília e entrar gente honesta. Tem que ter pessoas para fazer isso porque senão a política vai ficar a vida inteira do jeito que está aí. A gente, pelo menos, está tentando tirar mais um. Se eu entrar lá, vou tirar o lugar de alguém.
Qual seu candidato a presidente?
Eu, para falar a verdade, não tenho o que falar.
Você fez uma música para Dilma...
Eu sempre votei no Lula. Eu e minha família toda. Eu posso não votar na Dilma, mas minha família, com certeza, vai votar.
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