Atualizada às 14h28 |
Roberto Stuckert Filho/Divulgação
A acupunturista Monique Côcco pretende votar nulo pela primeira vez e critica os debates: "Só há ataques entre os candidatos"
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Dayanne Sousa
Eles são apenas 4% do eleitorado se somados com os que votam em branco, segundo pesquisa Datafolha desta quinta (26) para a eleição presidencial. Ainda assim, os que votam nulo são vozes motivadas, que creem na força de um protesto silencioso.
Para o cientista político da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Bruno Speck, é fato que o voto nulo atualmente é uma forma de voto consciente. Ou seja, ninguém vota nulo sem querer ou por engano, principalmente depois da implantação das urnas eletrônicas. "O processo atual tornou essa opção mais difícil, hoje o eleitor tem que se informar sobre como votar nulo", comenta. Para dar um voto nulo, o eleitor precisa digitar um número inexistente e confirmar.
Há muitos mitos sobre o possível impacto no caso de um grande número de pessoas votar nulo. Em redes sociais na internet, se espalha a tese de que, no caso de mais de 50% dos votos serem nulos, seria convocada uma nova eleição. A lei eleitoral, porém, considera o voto nulo como inválido. A medida de marcar nova data para as eleições só vale em caso de fraudes, como eleitores com falsa identidade ou o não cumprimento do horário e locais de votação.
Nem todos esses argumentos, porém, demovem Gabriel Siqueira da ideia de votar nulo nestas eleições. Administrador de empresas e estudante de mestrado, o catarinense de 29 anos acredita que essa seja uma decisão política.
- Eu procuro me informar bastante, leio sobre política. Encontro em alguns programas de governo opiniões como a minha ou propostas que eu gostaria de fortalecer, mas no fundo eu não acredito em nenhuma dessas propostas - lamenta.
Já a acupunturista Monique Côcco, de 32 anos, conta que esta deve ser a primeira eleição em que votará nulo. "Por mais insignificante que pareça, temos que começar por nós as mudanças", revela, esperançosa. Ela afirma que nunca esteve muito alinhada a um partido ou outro, mas reclama dos debates até o momento.
- Nessa eleição presidencial estamos caminhando para o buraco, só existem ataques entre os candidatos e nenhum plano de benefício para os brasileiros. Já estamos mais do que cansados de saber a quanto anda nossa política de saúde! - ataca.
Siqueira conta que sempre se aproximou das ideias da esquerda. Eleitor costumeiro do PT, ficou decepcionado com o primeiro mandato do presidente Lula e não se vê votando em outros partidos. Reclama que os interesses de "se manter no poder" substituíram ideologias.
- Independente de anular ou não a eleição, acho que haver muitos votos nulos deslegitima o candidato. Os políticos vão ser eleitos do mesmo jeito, mas vão ter que investigar por que isso aconteceu. É um protesto e gera debate.
O professor Bruno Speck discorda:
- Acho que é uma opção válida, mas ela não é absorvida pelo sistema eleitoral brasileiro. Os partidos políticos conseguem seus recursos baseados nos eleitores registrados e não nos votos depositados, então se menos gente votar os partidos ainda recebem o mesmo volume de recursos.
Para Speck, a decepção e a credibilidade dos partidos e dos parlamentares já estão em baixa, o que coloca em dúvida a possibilidade de uma manifestação por meio do voto nulo fazer efeito. "O voto nulo se torna uma opção difícil de justificar", conclui.
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