José Luiz Teixeira
De São Paulo (SP)
Bem feitos os filmetes que a Justiça Eleitoral está veiculando na televisão, alertando o eleitor para escolher bem seus candidatos, no dia 3 de Outubro.
O endereço das mensagens, entretanto, está errado: elas não deveriam se dirigir aos eleitores e, sim, aos candidatos.
Quem tem de ter consciência da importância da democracia representativa no Brasil, atualmente, são eles.
O povo brasileiro já sabe votar; os políticos é que não sabem ser votados.
Desde Fernando Collor, estamos votando com mais consciência, ninguém há de negar.
As eleições de Fernando Henrique e de Lula, duas vezes cada um, não podem ser considerados grandes equívocos eleitorais.
O pobre eleitor não poderia adivinhar que o primeiro, que tão bem escrevia, mandaria esquecer de tudo o que já havia escrito.
E que o segundo, que tudo via e sabia, ficaria com a visão tão anuviada, a ponto de não enxergar ao seu próprio redor.
De qualquer forma, não havia opções muito melhores.
Assim como para cargos executivos, como presidente, governador, prefeito, os eleitos aos postos legislativos também decepcionam.
Elegemos um deputado com ficha limpa, cara de honesto, belo discurso e, depois de empossado, o médico vira monstro.
Aprendemos no colégio que o poder corrompe, mas parece que muita gente faltou a essa aula; caso contrário, já teríamos feito a reforma política há muito tempo.
Na eleição, damos um talão de cheques em branco para os eleitos preencherem-no como quiserem por quatro anos.
Nesse período, ficamos de mãos atadas, sem poder fazer nada.
Enquanto isso, lá em Brasília, o diabo tenta - como tentou Jesus Cristo no deserto.
Nossos políticos, que não são filhos de Deus (e aqui resisto eu à tentação de um trocadilho chulo com a sua, lá deles, filiação), não tem inspiração divina para resistir às facilidades do poder.
Na melhor das hipóteses, acabam fraquejando, pois a carne é fraca, e, por consequência, desmoralizam a democracia representativa.
Faz mais de 20 anos que enrolam, enrolam, e não aprovam mudanças capazes de impedir falcatruas em todos os níveis.
O tempo passa, as eleições chegam e continuam desrespeitando a boa fé do eleitor.
Há um antigo ditado árabe que diz o seguinte: saem de casa, todos os dias, um malandro e um otário; se os dois se encontrarem, sai negócio. Caso contrário, o negócio fica automaticamente adiado para o dia seguinte.
Poderíamos dizer que a cada dois anos esse encontro se realiza nas urnas, entre cidadão e candidato.
Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br
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TSE/Divulgação
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