Atualizada às 08h36 |
AP
Robinho em sua chegada a Milão
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Vera Gonçalves de Araújo
De Roma
Apesar de todos os problemas que anda enfrentando - a crise do seu partido depois da briga com seu ex-amigo e aliado Gianfranco Fini, uma situação econômica dificílima, a decisão de sua ex-mulher de não aceitar a oferta de alimentos (300 mil euros mensais) após o divórcio, para citar os pepinos mais recentes - o chefe do governo da Itália, Silvio Berlusconi, está feliz e excitado. É o efeito da compra de dois jogadores para o seu time, o Milan. A chegada de Robinho e Ibrahimovic entre os rubro-negros italianos não vai garantir só uma boa possibilidade de acabar com a ditadura da Internazionale - o outro time de Milão - no campeonato nacional. Mas pode significar também mais uma vitória eleitoral.
Luigi Crespi, que até 7 anos atrás era o principal pesquisador de opinião para Berlusconi - que sempre acreditou muito nas sondagens de mercado - afirma que em 2001 lhe encomendaram um estudo que estabeleceu que o Milan e Berlusconi eram vistos pela opinião pública como a mesma coisa. Ainda hoje essa equação funciona, segundo Crespi: se o Milan perde, Berlusconi perde; e se o Milan ganha, o seu proprietário sai vitorioso de qualquer eleição. Para o marqueteiro, é muito mais perigosa a contestação dos torcedores do que as críticas do presidente da Câmara, Fini.
Tanto que Crespi fez, há poucos meses, uma nova pesquisa, desta vez não encomendada por Berlusconi (com quem brigou) mas que continua seguindo de perto, visto que trabalha para um bom número de ministros do seu gabinete. O resultado foi surpreendente. A situação precária do Milan no campeonato italiano poderia ter consequências graves para o consenso político de Berlusconi. O chefe do governo poderia perder de 20 a 25 por cento dos milanistas que votam no seu Partido das Liberdades. Em termos eleitorais, isto queria dizer uma perda de 2 pontos de porcentagem, em nível nacional.
Berlusconi está eufórico porque convenceu-se de que a vinda dos dois craques, o brasileiro Robinho e o sueco Ibrahimovic, pode relançar as chances do Milan e do PDL, mais do que qualquer outra coisa numa campanha eleitoral antecipada que já parece quase certa para março do ano que vem. Demonstrando mais uma vez que a velhíssima estratégia inventada por Júlio César (não o goleiro), do "panem et circenses", dá sempre certo. Apesar do desemprego, da estagnação da economia, do crescimento quase zero do PIB, se o Milan voltar à vitória tudo vai dar certo, graças a Robinho, Pato, Ronaldinho e Ibrahimovic.
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