Carlos Drummond
De Campinas (SP)
A restrição da Rússia à exportação de trigo e a consequente elevação do preço do produto no mercado internacional, inclusive no Brasil, é só um agravante de uma nova crise mundial de produção de alimentos que levou a FAO (Food and Agriculture Organization, órgão da ONU dedicado a monitorar a alimentação e a agricultura no mundo) a convocar uma reunião de emergência para o próximo dia 24. A notícia é a manchete da capa da última edição do jornal inglês The Guardian Weekly. O preço do trigo na Europa subiu mais de 294 dólares a tonelada na última semana e a cotação do milho está no ponto mais alto desde junho de 2009. O açúcar retomou a alta após o pico de 29 anos atingido em fevereiro. As sementes oleaginosas acompanham a escalada.
O índice mundial de preços de alimentos da FAO subiu 5% no último mês, maior alta desde novembro. A organização estima que a produção de trigo prevista para este ano será 5% inferior à do ano passado e a de cevada sofrerá diminuição de 22%, nível mais baixo dos últimos 30 anos. A crise é resultado de fatores climáticos (secas ou chuvas em demasia, a depender da região do mundo) e alta de consumo principalmente na China, onde a população está comendo mais carne, além de especulação. A crise econômico-financeira de 2007/2008 aumentou em 100 milhões de pessoas a parcela da população mundial que passa fome e a recessão que se seguiu permite supor que não saíram dessa condição. Em 2006, a quantidade de subnutridos era de 854 milhões; em 2009, subiu para 1,02 bilhão, o nível mais alto desde que o índice passou a ser calculado, diz o The Guardian Weekly.
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