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Sábado, 4 de dezembro de 2010, 08h01 Atualizada às 08h15

Aquecimento global pode ser balela

Reuters
Membros da ONU e do governo mexicano em mesa da conferência climática de Cancún
Membros da ONU e do governo mexicano em mesa da conferência climática de Cancún

José Luiz Teixeira
De São Paulo

Só consigo dormir embalado pelo som do rádio no meu criado-mudo, ouvindo emissoras que transmitem notícias ao vivo a noite inteira.

Às vezes, uma ou outra informação me tira o sono, mas, geralmente, me acalma saber que estou confortável e protegido sob meu cobertor, enquanto o mundo pega fogo ou se afoga lá fora.

Imagino que isso funcione como as histórias para criança dormir: mesmo com bruxas e violência, fazem-nas pegar no sono rapidamente.

Tirante os recorrentes casos policiais, muitos assuntos interessantes são abordados a fundo no éter durante a madrugada.

Como a entrevista que ouvi noite dessas, do climatologista Luiz Carlos Molion, a propósito da conferência da ONU sobre mudança climática que está sendo realizada este ano em Cancún.

O cientista brasileiro, representante da América Latina na Organização Meteorológica Mundial, vem acusando os países do Primeiro Mundo de manipular a questão do aquecimento global.

Segundo ele, ao defender a diminuição da emissão de CO2, os mais ricos querem refrear o desenvolvimento industrial dos países emergentes.

Com isso, pretendem garantir para si, no futuro, as reservas dos recursos energéticos fósseis.

O cientista garante que não é o gás carbônico a causa do aquecimento global.

Diz mais: a Terra não está se aquecendo, isso é balela; ao contrário do que se propaga, o planeta estaria entrando em um período de esfriamento.

Seus argumentos e justificativas técnicas me convenceram.

Para quem gosta de teorias de conspiração, como eu, a entrevista foi um prato cheio.

Lembrei-me dos relatórios do serviço secreto americano, indicando que o Iraque produzia armas químicas, para justificar a invasão de seu território.

Finda a guerra, essas informações revelaram-se falsas.

Mas, daí, a segunda maior reserva de petróleo do Oriente Médio já estava devidamente dominada.


José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde.

Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br

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