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Quarta, 22 de dezembro de 2010, 10h02 Atualizada às 10h08

ONGs querem que ONU investigue ação policial no Alemão

Dayanne Sousa

A organização Justiça Global espera que um levantamento em cerca de 40 casas de moradores do Complexo do Alemão leve a uma investigação independente das mortes que ocorreram no local. O documento foi entregue nesta terça (21) à ONU (Organização das Nações Unidos) e à OEA (Organização dos Estados Americanos). Segundo a diretora-adjunta da entidade, Sandra Carvalho, o motivo é pressionar para que haja uma investigação independente dos casos de morte durante as operações de segurança no Rio de Janeiro.

Em 2007, após uma operação da polícia no Alemão, houve um manifesto nos mesmos moldes. O assessor da Justiça Global, Gustavo Mehl afirma que a pressão garantiu uma perícia que comprovou que alguns moradores foram executados.

"O que nós questionamos é a falta de transparência, não há um número de mortos nem uma lista parcial de nomes", critica Sandra. Somando dados divulgados no decorrer das operações, a entidade chegou ao número de 77 mortos entre os dias 21 e 28 de novembro, ou seja, desde o início da resposta policial aos ataques de criminosos. Além do Complexo do Alemão, houve ações na vizinha favela da Vila Cruzeiro.

Denúncias

Entre as denúncias de moradores que foram levadas aos órgãos internacionais, a principal é a chamada "caça ao tesouro". Segundo as famílias entrevistadas, membros de diversos batalhões diferentes se revezavam para invadir casas e levar dinheiro e objetos de valor.

No início do mês, o Secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, respondeu a acusações de moradores, dizendo que se tratavam de ações de "maus policiais", mas segundo os relatos, tratavam-se de ações de vários grupos de batalhões diferentes.

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, declarou que está acompanhando o processo de ocupação das favelas. Em entrevista nesta segunda (20), ele criticou a permanência das forças armadas por muito tempo na região. "Essa presença só é aceitável em caráter absolutamente emergencial e as tropas devem se retirar o quanto antes", avaliou durante evento na Universidade de São Paulo.

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