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Quarta, 22 de dezembro de 2010, 15h10 Atualizada às 15h36

Líder do PSDB: "Vamos descer o cacete no governo"

Agência Edison Castêncio/Divulgação
Líderes partidários posam para foto após reunião em que foi formalizado o apoio da oposição à candidatura de Marco Maia na Câmara
Líderes partidários posam para foto após reunião em que foi formalizado o apoio da oposição à candidatura de Marco Maia na Câmara

Marcela Rocha

A oposição formalizou, na manhã desta quarta-feira (22), apoio ao candidato petista à presidência da Câmara dos Deputados, Marco Maia. O PSDB e DEM acordaram também com a base governista sobre a composição da Mesa, que será feita sob os critérios da proporcionalidade. Em entrevista a
Terra Magazine, o líder tucano na Casa, João Almeida (BA), admite que seu partido e aliados não têm força para sustentar uma candidatura e garante: "Nós vamos descer o cacete no governo, e é para feder".

- O PSDB é construtor de instituições. Por isso é que estamos defendendo a autonomia do Legislativo. Também queremos evitar a intromissão do Executivo aqui, evitar que os deputados fiquem presos. Não queremos lambança para melhorar a fisiologia de um partido ou de outro. A lambança não serve para engrandecer e nem é a favor do povo - justificou.

A reunião contou com a participação dos líderes do DEM, Paulo Bornhausen (SC); do PSDB, João Almeida (BA); do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN); do PT, Cândido Vaccarezza (SP); do PTB, Jovair Arantes (GO); do vice-líder do PSC, Carlos Eduardo Cadoca; do vice-líder do PR, Lincoln Portela (MG), além de deputados de outros partidos como o PP.

Confira:

Terra Magazine - Qual fatia do bolo da Câmara ficará para a oposição?
João Almeida -
Nós sempre defendemos a manutenção do critério da proporcionalidade. Por isso temos nos reunido com os demais partidos. A proporcionalidade é algo que já está estabelecido e projeta o resultado da urna. Nós temos que nos conformar. Nesta reunião de hoje, conversamos sobre a composição da mesa e as condições. O PSDB terá uma posição na Mesa e duas posições em comissões, assim como o DEM.

O senhor afirmou que a oposição tem que se conformar. A oposição está conformista?
Não há conformismo. Mas isto é o melhor que podemos conseguir. Se nos metermos em baralhada de bloco para encher a barriga dos descontentes do governo, não sobrará para nós a hipótese de conseguir mais do que com a negociação. Todos os outros da oposição são menores do que nós e, quando se junta com os pequenos, acaba tendo que ceder para eles.

A oposição vai apoiar o candidato do PT à presidência da Casa. Isto não é confuso para o eleitor?
Alguém veio me dizer que isto era errado e que deveríamos fazer mais barulho neste processo. Confusão para quê? Isso só enfraquece o Legislativo. Querem inventar a formação de um bloco, uma ação conjunta com o PSB para fazer uma candidatura alternativa.

Quem está capitaneando esse processo?
O próprio pessoal do PCdoB, e alguns do PSB. Tem o Delgado, o próprio Aldo Rebelo (PCdoB-SP)... Eles estão sondando essas possibilidades. Mas nós não vamos embarcar nessa.

Isso não pode ser encarado pelos eleitores como medo de participar desse processo ou como enfraquecimento da oposição?
Não temos, de fato, força para concorrer. Colocaremos uma candidatura alternativa para quê? Seria para fazer proselitismo. Acabou a disputa. Aqui não há espaço para a disputa com o governo. Isso aqui é um Poder Legislativo, que é autônomo. Precisamos de instituições. Precisamos institucionalizar a política. Para tudo inventam uma disputa estéril que desmerece o mérito do Legislativo. Isso tudo resulta em criação de cargos e comissões para partidinhos com quatro ou cinco deputados.

Pode ser visto como adesão?
Isso não é adesão. Nós vamos descer o cacete no governo, e é para feder. O PSDB é construtor de instituições. Por isso que estamos defendendo a autonomia do Legislativo. Também queremos evitar a intromissão do Executivo aqui, evitar que os deputados fiquem presos. Não queremos lambança para melhorar a fisiologia de um partido ou de outro. A lambança não serve para engrandecer, nem é a favor do povo.

Mas o PSDB já entrou na disputa...
Sim, quando fizemos isso, fizemos errado. Elegemos o Severino. Aquela coisa horrorosa. O PSDB tem essa responsabilidade também. Deu no que deu. Aquilo desmereceu, desqualificou o Legislativo.

 

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