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Sexta, 7 de janeiro de 2011, 14h22 Atualizada às 16h26

Abaixo-assinado contra a venda do Belas Artes já tem 3 mil adesões

Ana Cláudia Barros e Marcela Rocha

O anúncio do fechamento do Belas Artes, em São Paulo, provocou a reação de frequentadores e fãs do tradicional cinema, inaugurado na década de 1940 e um dos mais antigos da cidade. Para tentar evitar o que parece quase consumado, internautas resolveram se mobilizar, criando um abaixo-assinado virtual. Apesar de ter entrado no ar apenas na última quinta-feira (6), a lista já conta com mais de 3 mil adesões e 16 mil visualizações nesta sexta-feira (7).

Responsável pela iniciativa, a jornalista Caroline Santos afirma que "não esperava tamanha adesão". Ela disse que pretende entregar o documento até o final de janeiro "para a diretoria do cinema, o proprietário do local e algum órgão público". E justifica: "Mesmo não sendo um local público, lutamos pelo valor histórico do Belas Artes".

O abaixo-assinado tenta sensibilizar "os órgãos públicos" em prol da preservação da "história paulistana". Acusa o proprietário do imóvel de ganância e de descumprimento do contrato.

- Depois de 68 anos o Belas Artes, um dos cinemas mais antigos da cidade, vai fechar. Após o fim do patrocínio do HSBC, o dono André Sturm tentou novos meios, mas pelo jeito, sem sucesso, mas além dos esforços, que quasem deram certo, a ganância do proprietário do imóvel Flávio Maluf (que não é da família Maluf) quer uma loja no local e descumpriu o contrato. E uma liminar datada de 30/12 diz que o imóvel que o cinema ocupa deve ser entregue até fevereiro.

O Belas Artes começou a agonizar em março de 2010, com o corte do patrocínio do banco HSBC. Uma campanha, entretanto, garantiu a sobrevida do cinema, angariando novos apoiadores. No último dia 30 de dezembro, a casa recebeu mais um golpe - tudo indica que seja o de misericórdia. O proprietário André Sturm foi informado de que a renovação do aluguel não iria ocorrer mais. No lugar do sessentão Belas Artes, uma loja será instalada.

Segundo a edição desta sexta do jornal Folha de S.Paulo, Sturm está à procura de um novo espaço para o cinema no centro da cidade. "Mesmo com a notícia de que o novo patrocinador vai continuar bancando e que vão procurar um lugar no centro, as pessoas não deixaram de assinar e seguem pedindo ações mais efetivas", diz Caroline.

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