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Quinta, 20 de janeiro de 2011, 08h24 Atualizada às 09h34

A satanização do Wikileaks não é a solução, diz Marina Silva

Emerson Damasceno
De São Paulo

Durante a participação de Al Gore e Tim Berners-Lee na Campus Party, a plateia dividiu a atenção com Marina Silva, que assistiu atentamente a concorrida palestra. Como os dois palestrantes saíram de cena logo após o término, os holofotes se dirigiram para Marina, que no início da participação de Gore foi cumprimentada pelo também ativista verde. Como sempre muito simpática, não por acaso Marina Silva foi parar nos Trending Topics mundiais, enquanto causava atropelos nos corredores lotados do Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

Tive o prazer de entrevistá-la logo após sua fala no Painel de Mídias Sociais (que aconteceu poucas horas após o de Gore e Berners-Lee), e perguntei-lhe qual a sua opinião sobre o Wikileaks e se iria ficar numa posição mais claudicante como a do ex-vice presidente dos EUA. Ao contrário do colega de militância dos EUA, entretanto, que não defendeu o Wikileaks em sua fala, Marina Silva não ficou em cima do muro.

Defendendo um modelo democrático da circulação da informação, Marina foi taxativa no caso Wikileaks: "A satanização que vem sendo feita do Wikileaks ou do seu fundador não é a solução, mas sim qual o modelo que garantirá a liberdade de expressão e também o aperfeiçoamento dos governos para proteger informação estratégicas, sem que se criem verdadeiras caixas-pretas, que levam ao descuidado", disparou Marina Silva. Certamente, um discurso que poderia também pautar o proferido horas antes pelo seu declarado fã, o também verde Al Gore, que preferiu desviar-se da pergunta, alegando tratar-se de uma questão estritamente legal, e não de liberdade de expressão.

Coube também ao criador da Web, Tim Berners-Lee também dar uma mãozinha, durante a palestra conjunta na Campus Party. Quando se falava sobre o controle da internet, Al Gore "pulou" uma abordagem mais aprofundada do assunto Wikileaks mas não se negou a uma análise bem mais profunda do que acontece atualmente na Tunísia, onde acontecem vários protestos contra o governo que têm maior apoio na web, gerando o que alguns chamam de Revolução do Jasmin (outros de Revolução Facebook). Já Tim Berners-Lee, puxou o assunto para o seu quintal (o mesmo de Al Gore, imagina-se), e questionou que nos EUA o governo Obama busca a aprovação de uma polêmica Lei (Combating Online Infringement and Counterfeits Act - COICA), que tem em Bernes-Lee um de seus maiores opositores. Ele falou o óbvio, pois de nada adianta se aplaudir movimentos civis no exterior e criticar os que acontecem em sua própria casa, ou aqueles que não lhe agrade. Era para ter sido mais uma que um dos líderes democratas, poderia ter deixado de ouvir.

Apagões e protestos e Social Media na Campus Party Brasil

Um dos painéis mais concorridos da Campus 2011 é o de Social Media, cujo conteúdo tem também a assinatura de Alexandre Inagaki e Edney Souza, dois mestres no assunto. Aliás, a quem estiver no local, recomendo uma breve (afinal, eles têm pouco tempo, é óbvio) conversa com os dois. Além do bom-humor irão destilar o conhecimento que agora materializam no maior evento do Brasil ligado à internet. Lá se tem o que há de melhor ligado às mídias sociais, incluindo nomes como Marina Silva, João Paulo Cuenca, Bia Granja Fábio Rex, Maurício Cid e tantos outros que povoam os blogs, Twitter, Youtube e outros canais que frequentamos.

No evento, entretanto, há alguns poréns. Após o segundo dia seguido de apagão na Campus Party, os campuseiros partiram para o protesto na última terça-feira. Bem-humorado, entretanto, desfilaram centenas de cartazes digitais pela feira, culpando a tudo e todos pela falta de internet (principalmente) e de luz. Sobrou pouco para a organização do evento, que foi até poupada, o que não se pode dizer da Telefônica, um dos alvos principais dos protestantes, ou até da Presidente Dilma. "A culpa é da Dilma" foi uma das frases que pode-se ver nos notebooks ou tablets utilizados no protesto. Pouco mais de uma hora depois, com a luz já restabelecida, a organização do evento publicara uma nota explicativa, apontando falha no fornecimento da Eletropaulo e isentando a Telefônica de qualquer responsabilidade. O "apagão", claro, tornou-se um dos tópicos mais comentados. Até quem não estava o local opinou. Coube a Marcelo Tas, tido como gurú para muitos dos que estão na própria Campus Party, talvez uma das notas dissonantes do dia se contrastada com o bom-humor dos protestos. Em seu perfil no Twitter, postou a seguinte frase, linkando uma foto do protesto dos Campuseiros: "Campus Party está sem luz e internet. Alô nerds, que tal aprender beijar ou ler um bom livro? :)". Mais tarde, replicando a ironia da campuseira Ana de Cesaro (@anadecesaro), ainda mandou essa:
"Experimente acordar cedo. Vc terá o dia todo! RT @anadecesaro: O @marcelotas deve ser muito foda. Pq eu não consigo ler qnd não tem luz".

E La nave va...

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Emerson Damasceno é advogado e poeta. Especialista e apaixonado por direito eletrônico, além do direito desportivo que o fez correr o mundo durante uma década. Blogueiro desde 2002, divide o tempo entre o trabalho, as mídias sociais e a 4social, sua última criação.

Fale com Emerson Damasceno: emerson.maia@terra.com.br

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Fernando Borges/Terra
Marina Silva na Campus Party

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