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Quarta, 9 de fevereiro de 2011, 08h17 Atualizada às 08h50

Ana de Hollanda: "Não fui procurada" para falar de João Gilberto

Claudio Leal

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, afirma que ainda não foi procurada pela produtora Cláudia Faissol, companheira e mãe de uma filha de João Gilberto, para discutir a preservação do acervo do músico. "No final do ano passado, (o ex-ministro) Juca Ferreira me disse que uma das questões era esse acervo. Tomei posse e ainda não fui procurada como ministra da Cultura", disse Ana de Hollanda, com exclusividade, a Terra Magazine. Ela participou, na noite desta terça-feira (8), de uma homenagem ao centenário da atriz Lélia Abramo, no Teatro de Arena, em São Paulo.

Em 1º de fevereiro, Terra Magazine revelou que Cláudia Faissol sofreu perdas em discos rígidos e procurou o Ministério da Cultura (MinC) para não comprometer o restante das cenas raras, que serão utilizadas num documentário (leia aqui). "Estou esperando a decisão da próxima ministra. Se demorar muito, vou perder as imagens. Já perdi tanta coisa valiosa! Já perdi Tom (Jobim) falando, Jorge Amado...", lamentou.

Em 13 de dezembro de 2010, numa reunião com o então ministro Juca Ferreira, Cláudia ouviu a promessa de que um técnico da Cinemateca Brasileira decuparia as imagens, ao lado de João Gilberto, e veria o estado de conservação. Depois desse primeiro encontro, o músico definiria o que será preservado na Cinemateca. O pedido não foi adiante no governo Dilma.

Procurada para comentar a afirmação de Ana de Hollanda, Cláudia Faissol lembra que já entrou em contato com o ministério em 2011: "Vou ligar mais uma vez, para tentar comunicar o problema, que é inadiável. Agora vou procurá-la pessoalmente, como ministra", diz a produtora.

Entre os temas tratados com o ex-ministro Juca Ferreira, está o processo do músico contra a gravadora britânica EMI, detentora do catálogo da Odeon. A briga envolve os discos "Chega de Saudade" (1959), "O Amor, o Sorriso e a Flor" (1960) e "João Gilberto" (1961), remasterizados sem a aprovação do mestre da Bossa Nova, que acusa a gravadora de ter deformado as gravações originais. Na década de 90, a EMI reuniu os três álbuns num só, "O Mito", alvo do pedido de indenização por danos morais e materiais.

O presidente da Funarte (Fundação Nacional das Artes) e futuro secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Mamberti, afirma que não está a par da história do acervo, pois ainda não tomou posse. "Espero ser nomeado esta semana", diz. Mamberti trocará a guarda com Antonio Grassi, que vai assumir a Funarte.

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Divulgação
A produtora Cláudia Faissol pediu ao Ministério da Cultura para preservar na Cinemateca Brasileira imagens raras do músico João Gilberto

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