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Sexta, 18 de fevereiro de 2011, 13h53 Atualizada às 14h25

EMI diz que "os discos másteres não sofreram alteração"

Claudio Leal

A advogada e diretora de Business Affairs da gravadora EMI no Brasil, Ana Tranjan, conversou por telefone com Terra Magazine sobre a querela judicial com o músico João Gilberto. Ela afasta a suspeita de que as matrizes dos discos "Chega de Saudade" (1959), "O Amor, o Sorriso e a Flor" (1960) e "João Gilberto" (1961) não estejam guardados no Brasil.

A advogada afirma que a EMI tentou fazer, sem sucesso, um acordo. "O fato é que nem tudo anda do jeito que nós gostaríamos que andasse", diz.

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Confira a entrevista.

Terra Magazine - Como está o andamento das negociações com João Gilberto sobre os três álbuns? Pararam? Na celebração dos 80 anos do músico, a gravadora tem interesse em resolver esse impasse?
Ana Tranjan - Nós fizemos diversas gestões em relação ao aniversário da Bossa Nova, ao meio século de Bossa Nova. Naquela ocasião, várias gestões foram feitas, mas não se chegou a um termo final. Da nossa parte, nós queremos da melhor maneira possível, de fato, sempre privilegiar o público com os lançamentos do João (Gilberto). Mas o fato é que nem tudo anda do jeito que nós gostaríamos que andasse.

Qual foi a proposta dele?
Ele não chegou a fazer proposta. Nós ficamos numa fase embrionária.

Ele não indicaria um técnico para refazer a remasterização? Qual a posição da gravadora em relação a isso? Aceitaria essa proposta?
Não. Veja bem, o objeto dessa ação é justamente uma discussão em nível técnico em relação aos másteres. Como é que os másteres, que são objetos de uma demanda, podem sofrer alteração? Não podem sofrer alteração. Esse é o ponto.

Então, vocês questionam o argumento técnico de João Gilberto, de que os discos foram alterados?
E se agregou valores, exatamente... É como se fosse o cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Como ficou o processo?
O processo está terminando, na última fase da instância judicial, em Brasília. Na verdade, o ritmo não é o que se deseja, mas faz parte. Nós estimamos, como já vínhamos estimando, que este ano haja uma solução final para essa questão. Ela já era esperada desde o ano passado. Ele (o processo) cumpriu o rito na instância original no Rio de Janeiro, depois ele subiu pro Superior Tribunal e, agora, está no tribunal máximo em Brasília.

João Gilberto não chegou a fazer uma proposta de pagamento pela gravadora para que ele orientasse a nova remasterização?
Não. Numa primeira conversa que nós tivemos com a Cláudia Faissol, que o está empresariando, ela teria externado o desejo, inclusive, de transferir-se a titularidade dos produtos pra ele, pra que ele então, como titular, fizesse o uso que quisesse. Mas nós não conseguimos concluir as conversações, muito embora tenhamos tido diversas conversas. Trouxemos um técnico dos Estados Unidos, que junto com João fez a audição dos másteres. Foram feitas várias gestões, não concluímos nada.

Por que não houve uma conclusão?
Você imagine uma ação que está prestes a ter seu desfecho... Existe uma tendência, especialmente da parte dele, de aguardar a decisão final da Justiça, em razão da proximidade da conclusão judicial.

Os másteres se encontram no Brasil? Ele também não tem a certeza de que estejam aqui, e sim na Inglaterra.
Não, os másteres estão no Brasil, custodiados em lugar seguro.

E para este ano...
A expectativa é que tenhamos a solução, o desfecho final dessa ação movida contra nós ainda em 2011. Isso já era esperado para 2010.

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