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Terça, 1 de março de 2011, 14h27 Atualizada às 16h37

Paulinho da Força: Centrais estão "de saco cheio do PT"

Fábio Pozzebom/Agência Brasil
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) explicita toda sua insatisfação com Dilma e diz que ela rompeu com o que Lula vinha fazendo
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) explicita toda sua "insatisfação" com Dilma e diz que ela rompeu com o que Lula vinha fazendo

Marcela Rocha

Em entrevista a Terra Magazine, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) critica enfaticamente o PT, partido da presidente Dilma Rousseff e com o qual as centrais sindicais "mantinham", segundo o pedetista, boas relações. "Se o PT abandonou os trabalhadores, a culpa não é nossa. Manda o PT se f... Estou de saco cheio deles já", esbravejou.

A postura de Paulo Pereira durante as negociações e votação do salário mínimo desagradou o governo. O deputado defendeu um piso salarial maior do que o proposto pelo Executivo e não evitou o embate. Para ele, que é presidente da Força Sindical, Dilma rompeu com o projeto lulista e abandonou os trabalhadores.

- Vamos continuar defendendo a dedução na tabela do Imposto de Renda de acordo com a inflação, o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Se não gostarem (o PT), o problema é deles - ameaça o sindicalista.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Líderes do PT têm manifestado bastante insatisfação com o senhor e com as centrais sindicais.
Paulo Pereira da Silva -
Eles vão ficar ainda mais insatisfeitos então. Nós não vamos mudar as nossas opiniões porque eles estão insatisfeitos. O PDT tem um programa histórico, sempre defendeu os direitos dos trabalhadores, e se o PT abandonou os trabalhadores, a culpa não é nossa. Manda o PT se f... Estou de saco cheio deles já.

Então a relação está pior do que se imaginava...
Eles ficam mandando recadinho por jornal, e nós estamos de saco cheio disso. Não é porque eles estão incomodados que vamos deixar de defender o direito dos trabalhadores. Vamos continuar defendendo a dedução na tabela do Imposto de Renda de acordo com a inflação, o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Se não gostarem, o problema é deles.

Isso que o senhor está falando encontra respaldo nas bases das centrais sindicais ou é algo que fica circunscrito às direções?
No meio das centrais, independentemente de serem mais ou menos próximas ao governo, há, sim, um incômodo, uma insatisfação quase generalizada.

E a Central Única dos Trabalhadores?
Estou dizendo isso exatamente da CUT, que é muito controlada. Já as demais centrais, que não têm o mesmo compromisso que a CUT, têm manifestado muita insatisfação, assim como os movimentos sociais.

As centrais seguem conversando com o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-Terra?
Estamos organizando uma reunião para o próximo dia 23 entre os movimentos sociais e as centrais sindicais para discutir esse novo governo.

O diálogo com o governo pode ser considerado rompido?
Ela (Dilma) nos abandonou. Não quer mais falar conosco. Agora, a decisão das centrais é de disputar Dilma. Achamos que nesse primeiro momento ela foi ganha pelos rentistas e por aqueles que gostam de ganhar dinheiro sem trabalhar. Embora Lula não admita, houve um rompimento com aquilo que ele vinha fazendo. Esse corte do "Minha Casa, Minha Vida" é um retrocesso.

O governo alega que é um momento de cortar gastos.
Cortar em cima dos pobres? Por que não cortam em cima dos ricos? Você viu o lucro dos bancos e grandes empresas? Por que tem que aumentar juros? Ano passado o governo pagou 19 bilhões para banqueiro internacional. Isso é um absurdo. Nossa ideia é falar com vários ministros. Vamos marcar uma reunião com Fernando Pimentel e os demais também que possam levar a nossa visão para dentro do governo.

Isso pode prejudicar o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que é do seu partido?
O Lupi é do PDT. Eu sou um deputado, mas sou sindicalista. Não podem querer mudar o PDT. O partido não vai mudar.

 

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