Atualizada às 14h23 Timóteo Lopes
De Coimbra, Portugal
A chegada da presidenta Dilma Rousseff à Universidade de Coimbra, em Portugal, foi tumultuada, nesta quarta-feira (30). Enquanto alguns estudantes cantavam "Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor", outros protestaram. "Água e energia não são mercadorias", gritava um grupo, contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. "Nós estamos aqui num ato contra a construção da barragem", afirmou a estudante brasileira Alexandra Silva.
Dilma participava da cerimônia de entrega do título de doutor "honoris causa" ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- É com imensa honra que recebo o título de doutor "honoris causa" da Universidade de Coimbra. A casa mais prestigiosa do saber de Portugal e da Europa - disse Lula ao começar seu discurso.
A solenidade durou cerca de duas horas, na Sala de Grande Actos, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e obedeceu uma série de protocolos. Porém, gritos da platéia, de estudantes brasileiros, fãs de Lula, por vezes quebraram as formalidades.
Para Lula, o dia foi uma mistura de alegria e tristeza. "Alencar ficaria feliz por mim", afirmou. Durante seu discurso, ele ressaltou a importância do investimento na Educação brasileira quando ainda era chefe de Estado. "Coimbra foi referência para o meu país. Dilma vai continuar investindo na educação do Brasil".
De metalúrgico a doutor
Lula estudou só até a 4ª série. E foi na política que se destacou como um grande chefe. Em 2010, a Revista Time o elegeu como um dos 25 líderes mais influentes do mundo. Também tornou-se o presidente com maior popularidade na história do Brasil ao deixar o cargo, com mais de 80% de aprovação. "Estas foram algumas marcas que conferiram ao ex-presidente do Brasil o título", afirmou o reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, ao conceder o título a Lula.
Carismático, o ex-presidente foi cumprimentado por outros doutores da universidade. Em Cortejo com os catedráticos, Lula saiu da Sala de Grande Actos de Coimbra oficialmente como doutor da instituição. A presidenta Dilma e os demais chefes de Estados que participaram da cerimônia apenas acompanharam o doutoramento do ex-presidente, que era aguardado por muitos estudantes do lado de fora da Faculdade de Direito.
A saída das autoridades aconteceu sob um forte esquema de segurança. Houve tumulto. Jornalistas e estudantes chegaram a ser empurrados pela Polícia portuguesa.
O premiê português José Sócrates, o primeiro a deixar o local, recebeu vaias dos estudantes. Também foi questionado pela imprensa sobre a renúncia e a ajuda oferecida pelo Brasil para conter a crise econômica e política que abala Portugal. O primeiro-ministro sorriu, tirou fotos, mas evitou qualquer declaração.
Dilma Rousseff também foi de poucas palavras. "Muito bonita a cerimônia", avaliou a presidenta do Brasil. Já Lula, saiu rápido e sem falar com a imprensa, para frustração dos estudantes brasileiros que aguardavam um encontro com o ex-presidente no final da cerimônia. Em nota, a universidade informou que o evento foi cancelado por conta do retorno de Lula ao Brasil para o velório de José Alencar.
"Se não fosse a morte de Alencar, a festa teria sido ainda mais bonita", concluiu o presidente de Portugal, Cavaco Silva. Lula e Dilma voltam para o Brasil ainda nesta quarta-feira, em voo da comitiva presidencial.
O corpo do ex-vice-presidente José Alencar, que morreu nesta terça-feira, aos 79 anos, depois de lutar por 13 anos contra o câncer, será velado no Palácio do Planalto, em Brasília.
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