Atualizada às 09h30 |
Foursquare/Divulgação
Prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, na sede do Foursquare
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Emerson Damasceno
De Lisboa
Em NYC, nada se vê de diferente na fachada de um prédio antigo, no Village. Quem passar por ali, dificilmente irá desconfiar que no sexto andar do número 36 da Cooper Square funciona uma das empresas que mais cresce e fascina fãs de todo o mundo. O Foursquare tem até isso de charmoso, talvez muito em função do crescimento meteórico que sofreu desde quando foi criado, em 2009 por dois amigos, Dennis Crowley and Naveen Selvadurai, que trabalhavam em companhias diferentes mas dividiam o mesmo prédio de trabalho, além da paixão por tecnologia. Hoje, com mais de 8 milhões de usuários, o aplicativo que utiliza a geolocalização para promover checkins de seus usuários em lojas, locais públicos e outras "venues", já mostra a sua força para o comércio, colecionando vários cases de sucesso em sua breve existência.
Outra curiosidade sobre o aplicativo é o fato de que, na semana passada, no dia 16 de abril, se comemorou o Foursquare Day em todo o mundo (uma data escolhida por fãs em Tampa, Flórida, em função do nome do aplicativo, já que 4 é a raiz quadrada de 16), tendo inclusive, sido declarada pelo Prefeito de NYC, Michael Bloomberg em manifestação oficial, o feriado do Dia do Foursquare, ratificando não apenas o interesse da Cidade em ampliar negócios ligados à tecnologia, mas o inegável condão para o business que o Foursquare possui.
Voltando à manhã fria em que estive na sede do Foursquare em Nova York, após passar pela portaria imaginei que uma empresa orçada em um quarto de bilhão de dólares tivesse uma estrutura bem mais robusta. Ledo engano. Logo após pegar o elevador e me preparar para ser recebido por uma secretária, quando as portas se abriram me vi no vão principal da empresa. Bicicletas dos funcionários de um lado, casacos de outro, logo e percebi que o crescimento assustador sequer deu tempo necessário para que a empresa se organizasse mais. Em uma das poucas salas do andar que lembra um armazém, uma escada e material de construção já demonstrava que ali se estava em constante reforma e adaptação ao crescimento repentino.
Entrevista com Jon SteinBack - São pouco mais de 50 funcionários aqui em NYC, me disse o simpático Jon Steinbruck, jovem Diretor de Marketing do Foursquare, que foi fisgado do Google, quando se percebeu que seria necessário também colocar gente experiente na empresa. Ao ser contratado, Steinback foi enfático: "Falar com o time Foursquare hoje me lembra do Google em 2004, muita energia e excitação", declarou Jon no final de 2010.
Embora rápida, a entrevista serviu para mostrar bem o tipo de mentalidade que move os jovens empreendedores do século XXI. Ao falar sobre a empresa, Jon mostrava um brilho nos olhos digno de quem é apaixonado pelo que faz. Falamos de Brasil, Ásia, parceiros novos do Foursquare, da Hackathon, da oferta de compra da empresa e de outros assuntos. Para um fã como eu, foi um dia especial, coroado com um checkin que fiz nos Headquarters do próprio Foursquare, quem for fã também irá entender o que isso significa.
Olá Jon, quantos funcionários atualmente no Foursquare?
Jon Steinback- Atualmente, temos pouco mais de 50 funcionários.
O crescimento do Foursquare foi tão assustador que até analistas foram pegos de surpresa. Li recentemente que há uma parceria com a Sony, há um interesse específico na Europa, na Ásia?
Bem, posso dizer que não há um alvo nosso específico para Ásia, pois nosso objetivo é um o melhor aplicativo global para nossos usuários e para que todos ganhem com isso. Muito disso envolvem as parcerias, como é o caso da Sony na Europa, ou empresas de mídia como a MTV, VH1 e BBC, por exemplo. Somos ainda uma empresa pequena e nova, por isso estamos abertos a testes e experimentações, descobrindo as melhores soluções para nossos usuários e nosso produto.
Comenta-se muito ainda sobre as ofertas que o Foursquare já recebeu. O Foursquare ainda é uma empresa de capital fechado. O que você poderia falar sobre ofertas que receberam recentemente?
Não estamos realmente focados nisso. O objetivo principal é aperfeiçoar o nosso produto. Confiamos muito no que estamos construindo aqui, o que pode soar um pouco frustrante por um lado, mas é ótimo sentir que as pessoas estão gostando de nosso produto.
Há muita discussão sobre qual o uso do Foursquare. Quais as regras, qual o uso correto para vocês, que criaram o produto, se é que há?
Acho que tentamos encorajar as pessoas a utilizarem o serviço da maneira que for mais significativa para elas. Pessoas utilizam o Foursquare para várias, e diferentes razões. Alguns gostam de marcar os locais que estiveram, outros pelos badges (escudos que o aplicativo dá), outros para encontrar amigos e se socializarem mais, outros para negócios. Mas a idéia básica para o Foursquare é fazer a sua exploração melhor, seja qual for o seu objetivo. Há algumas atividades que são mais populares que as outras, claro, mas queremos melhorar para todos.
Há muitos aplicativos baseados no Foursquare, que utilizam o API de vocês e, de certa forma, fazem muito sucesso em função do seu produto, como por exemplo o Instagram. Li recentemente sobre isso e vi que já existe um aplicativo utilizando o seu API para informar às pessoas quais dias da semana são os melhores para frequentar locais públicos de Nova York, cruzando os dados do Foursquare e informando os dias que tendem a ser menos lotados. Isso não os preocupa de certa forma ou é um de seus objetivos essa liberdade para novos desenvolvedores?
Acho que li essa mesma reportagem. Bem, uma das primeiras coisas que fizemos aqui foi incentivar esse uso ao criar o nosso API, para que todos possam criar serviços utilizando o Foursquare como base. Amamos coisas assim, sites assim na verdade. É empolgante que outros serviços utilizem o Foursquare, é bom para os usuários e para nós também. Aliás, teremos no final deste mês (a entrevista foi gravada em fevereiro), uma Hackathon, onde reuniremos cerca de 150 hackers que curtem o Foursquare, a fim de desenvolverem aplicativos, trocarem ideias aqui conosco. Incentivamos isso, na verdade.
E sobre o Brasil? Até hoje não tivemos uma Badge aqui no País ou na América Latina. Quando teremos uma Badge nossa?
O Foursquare mira todo o globo e o Brasil não deve ficar de fora. Já pensamos nisso, não posso precisar quando será, mas de preferência será numa data mais global, num evento especial, algo tipo o Carnaval, quem sabe. O certo é que haverá um. Não podemos precisar quando.