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Quinta, 12 de maio de 2011, 12h30 Atualizada às 13h06

"Vou processar o Bolsonaro", diz Mott sobre panfletos

Ana Cláudia Barros

A ofensiva do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra lideranças do movimento de defesa dos homossexuais vai ter uma resposta. É o que garante o fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), o antropólogo Luiz Mott. Taxado de "pedófilo" no panfleto de quatro páginas distribuído pelo parlamentar, Mott avisa: "Pretendo processar o Bolsonaro". Em entrevista por e-mail a Terra Magazine, o fundador do GGB, que está em Roma, falou sobre as acusações.

No material assinado por Bolsonaro, a foto de Mott aparece ao lado da frase "Pedofilia Já!" O antropólogo garante que jamais fez a declaração atribuída a ele no panfleto intitulado "Defensores do fundamentalismo homossexual em ação" .

- Estamos enviando ao Ministério Público Federal mais esta denúncia de calúnia - explica, referindo-se ainda à campanha difamatória que sofreu em 2008. Na época, ele se defendeu, escrevendo um texto no qual esclarecia:

- Minha militância incansável na luta pelos direitos humanos, sobretudo denunciando os frequentes assassinatos de homossexuais e apontando a responsabilidade e culpa das Igrejas Católica e Evangélica no incremento da homofobia no Brasil, provocou violenta reação por parte de alguns religiosos fundamentalistas - afirmou, dizendo-se vítima de uma "criminosa cruzada na internet" que o acusava de fazer apologia à pedofilia, adulterando trechos de seus "artigos e entrevistas, manipulando imagens inofensivas descontextualizadas, e sobretudo, destilando cruel preconceito anti-homossexual".

- No fundo, tais caluniadores têm como alvo impedir que o Congresso Nacional aprove leis que garantam a cidadania plena à comunidade GLBT, equiparando a homofobia ao crime de racismo - prosseguiu, alegando que estava sendo usado como "bode expiatório".

No mesmo texto, o fundador do GGB destacou que os envolvidos haviam sido denunciados ao Ministério Público Federal da Bahia, ao Ministério Público Estadual da Bahia, ao Vice- Presidente da República na ocasião, à Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República e ao Departamento de Polícia Metropolitana de Salvador.

Panfletos "anti-gay"

Espalhados pelo Estado do Rio de Janeiro e Brasília e disponibilizados no site oficial do deputado Bolsonaro, os panfletos exibiam ainda críticas ao Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, chamado no material de "Plano Nacional da Vergonha". O kit de combate à homofobia, elaborado pelo Ministério da Educação para ser distribuído em escolas da rede pública, também foi alvo de ataques.

- Com o falso discurso de combater a homofobia, o MEC, em parceria com grupos LGBTs, na verdade, incentivam o homossexualismo (sic) nas escolas públicas de 1º Grau, bem como, tornam nossos filhos presas fáceis para pedófilos - dizia o material.

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