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Sexta, 24 de junho de 2011, 15h32 Atualizada às 16h29

Vereador: Isenção ao Itaquerão é cheque pré-datado sem saber se tem fundo

Dayanne Sousa e Eliano Jorge


Trator no terreno do estádio corintiano (foto: Fernando Borges/Terra)

Contrário à isenção fiscal de R$ 420 milhões da Prefeitura de São Paulo para a construção do estádio do Corinthians em Itaquera, o vereador Marco Aurélio Cunha, do DEM, não tem dúvidas de que perderá esta batalha na Câmara.

- Vai ser aprovado o projeto, a maioria dos vereadores é a favor, tem bancada forte ligada ao clube - mostrou-se resignado, em conversa com Terra Magazine.

Ele não compareceu à audiência pública desta sexta-feira (24), marcada para discutir o assunto. "Já sei da argumentação, já cansei de ouvir as mesmas coisas", justificou. "A audiência pública, no meio do feriado, é mais para cumprir tabela", afirmou, se referindo a uma das etapas do processo.

O ponto principal de sua discordância é a indefinição de que a futura arena receberá a partida inaugural da Copa do Mundo de 2014. "Porque (a concessão de benefícios) está baseada nisso", ressaltou Cunha.

- É um absurdo dar o incentivo se você não sabe se a abertura da Copa será lá. Perguntei ao presidente (corintiano) Andres Sanchez, e ele disse que não existe esta garantia - contou o ex-superintendente de futebol do São Paulo Futebol Clube.

Ele comparou a milionária ajuda ao Corinthians a "um cheque pré-datado sem saber se tem fundo".
- Querem emitir papéis para incentivos que serão concedidos para o desenvolvimento de um polo econômico se a Copa for lá, e não tem garantia. É uma quebra de compromisso com a responsabiidade fiscal - insistiu.

O parlamentar acredita que estão sendo superestimadas as consequências da intervenção em Itaquera, na carente Zona Leste.

- Não adianta o secretário (municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho) Marcos Cintra mostrar (um arquivo de) Power Point e dizer que (a obra) vai gerar um bilhão de reais. Fala no sentido figurado. É meu amigo, competente, professor da Fundação Getúvilo Vargas, mas de onde ele tirou esse projeto? Baseado em quê? - repisou seu ceticismo.

Duvidando das previsões de impacto do Itaquerão na região, Marco Aurélio Cunha ironizou: "Vão acontecer essas mágicas todas por causa do estádio...". E criticou o comportamento na Câmara: "Fico impressionado de ver pessoas do PT, de esquerda, serem a favor, não combina com os dicursos anteriores deles".

Única alternativa

Os vereadores vêm sendo pressionados a aprovarem o projeto de isenção antes do recesso de julho. Assim, teriam apenas mais uma semana para fazer valer a proposta, de interesse do Corinthians, da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e do próprio prefeito Gilberto Kassab, que confirmou a inexistência de um "plano B" para 2014 caso o estádio não seja concluído.

Existe a exigência regimental, porém, de que o projeto passe por duas audiências públicas e duas votações em plenário antes que seja aprovado. Por isso apressou-se o agendamento de uma audiência em pleno feriadão, com presença baixíssima. Vereadores ausentes justificam que o objetivo de ouvir a população não estava sendo cumprido e que o evento foi só para seguir as regras.

Encaminhada pelo prefeito, a proposta de isenção chegou à Câmara na terça-feira (21) e já tinha o apoio da bancada do PSDB e da maioria do PT. A votação foi marcada para quarta e terminou suspensa diante do pedido de vista do vereador Aurélio Miguel (PR), que discorda do projeto.

Agora, volta à pauta na terça (28), e a pressa será ainda maior. Cogita-se que o recesso tenha que ser adiado.

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