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Terça, 28 de junho de 2011, 09h05

Aurélio Miguel: SP quer favorecer Corinthians e Odebrecht

Agência Lance
Com o capacete da Odebrecht, Andrés Sánchez (centro) conversa com vereadores durante visita às obras do futuro estádio em Itaquera
Com o capacete da Odebrecht, Andrés Sánchez (centro) conversa com vereadores durante visita às obras do futuro estádio em Itaquera

Dayanne Sousa

Nesta terça-feira (28), volta a ser debatido na Câmara Municipal de São Paulo o projeto que dá isenção fiscal para a construção do estádio do Corinthians, no bairro de Itaquera, Zona Leste. "É uma lei de incentivo que se dirige ao Sport Club Corinthians e à Odebrecht", acusa Aurélio Miguel (PR). "É inconstitucional e é mau uso do dinheiro público".

O ex-judoca e campeão olímpico pediu vistas e adiou a votação na última semana. A maioria dos vereadores é favorável ao projeto, que já tem apoio da bancada do PSDB e da maior parte do PT e DEM. Em minoria, os opositores já cogitam que o caso deve terminar na Justiça:
- Vamos interferir - diz Miguel. Certamente o Ministério Público vai tomar alguma ação (caso o projeto seja aprovado).

No valor de R$ 420 milhões (em redução de impostos), os incentivos fiscais representariam grande parte do investimento nas obras. O resto deve ser levantado com empréstimo do BNDES. Para o vereador do PR, a obra é um jogo de cartas marcadas:
- A construtora Odebrecht pediu mais de R$ 1 bilhão pra construir, enquanto a Serpal orçou em R$ 700 milhões e nós sabemos que será escolhida a Odebrecht. Eu pergunto: quem vai se beneficiar dessa diferença?

Ele satiriza o apoio maciço à isenção na Câmara Municipal: "Tem vereador que já vestiu o capacete da Odebrecht" - diz em referência a uma visita de políticos ao local das obras.

A Câmara tem pressa para viabilizar a isenção antes do início do recesso de julho. Nesta segunda-feira (27), porém, o vereador Adilson Amadeu (PTB) esfriou os ânimos corintianos e entrou com requerimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que vai impedir que o tema vá a plenário antes de quinta-feira (29). Já se cogita adiar o recesso.

O projeto de concessão de isenção fiscal, enviado pelo prefeito Gilberto Kassab, se baseia na Lei 14.654, criada em 2007 para incentivar o crescimento da Zona Leste da capital paulista. "Mas essa lei foi criada para que se investisse em hospitais, em infraestrutura, creches...", critica Miguel. "Se o doutor Kassab estivesse mesmo tão preocupado, teria investido antes na região".

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