Terra Magazine

 

Terça, 12 de julho de 2011, 09h50 Atualizada às 10h08

Arquiteto do estádio do Corinthians: "Não sei qual é o orçamento"

Eliano Jorge

O impasse sobre o futuro estádio do Corinthians no bairro de Itaquera tem sido apontado pelas autoridades envolvidas na Copa do Mundo de 2014 como o principal motivo de incerteza para São Paulo sediar a abertura da competição. A maior polêmica se refere ao financiamento da obra, que já saltou a R$ 1 bilhão e se acomodou, no discurso corintiano, em R$ 700 milhões, amparado em isenções de impostos.

Entretanto, o autor do projeto, o arquiteto Aníbal Coutinho, afirma desconhecer o preço da construção. E não confirma se preparou a arena para o valor anunciado pelo clube.

- Não sei nem que orçamento tem - declara em entrevista a Terra Magazine, acrescentando que não imagina novas reduções de custo a partir de mudanças no projeto. - Acho que o estádio já está simples o suficiente.

Ele garante que são obedecidas todas as orientações da Federação Internacional de Futebol (Fifa). "O projeto está sempre atendendo as exigências da Fifa. Sem restrições. A gente não faz restrições. A nossa prioridade é atender a Fifa", diz.

Confira abaixo a entrevista, que se seguiu a um aviso: "Tem algumas informações aí que eu não estou autorizado a fornecer".

Terra Magazine - É verdade que o senhor não participa mais do projeto do estádio do Corinthians?
Aníbal Coutinho -
Não sei. Você tem que perguntar ao meu cliente, né?

A Folha de S. Paulo publicou que o clube e a Odebrecht acertaram a saída do senhor do projeto. Não existe isso?
Não, não existe de jeito nenhum.

Há projeto deste estádio com orçamento de R$ 700 milhões?
Olha, deixa eu te explicar. Tem algumas questões que são da minha alçada de competência. A parte de orçamento não é. É da competência do doutor Luis Paulo Rosenberg (vice-presidente de marketing do Corinthians). E essas questões de orçamento só podem ser respondidas por ele ou por quem está fazendo o orçamento, no caso a construtora.

Quando o senhor está elaborando o projeto, isso não é incluído? Não é um critério?
É, ele é um critério. Fazer o projeto adequado pelo preço adequado é um critério.

Mas então o senhor não fez um projeto adequado ao orçamento de R$ 700 milhões?
Não sei que orçamento é esse.

Seria o limite de orçamento que o Corinthians se comprometeu a cumprir...
Não sei disso. Não sei nem que orçamento tem. Não posso lhe dizer nada sobre isso porque não sei qual é o orçamento. Essas questões são respondidas só pelo Corinthians e pela construtora. As soluções de projeto adotadas são sempre as melhores para que o clube tenha a rentabilidade máxima no estádio dele.

O senhor acredita que, sob esses critérios, ainda é possível simplificar um pouco o estádio e fazê-lo custar menos?
Eu acho que não é necessário. Acho que o estádio já está simples o suficiente. Não há nenhum capricho pessoal de projeto. Há simplesmente uns requerimentos para que se obtenha uma determinada receita anual e o projeto é feito visando isso.

Que tipo de entrave existe - se é que existe algum - no projeto ainda hoje?
Eu não acredito, que eu saiba não tem entrave nenhum.

A que o senhor credita essa dificuldade do Corinthians de implementá-lo?
Não, eu não tenho conhecimento de dificuldades do Corinthians para implementar nada. Não tenho tido. Porque sei as notícias que vêm do Corinthians, e não as que saem na imprensa, que são especulações. Especulações de imprensa, a gente não deve levar em conta porque, quando a gente quer a notícia correta, a gente vai na fonte correta, né?

Claro, até para evitar especulações, estamos ouvindo o senhor...
Eu acho que você devia entrevistar o Luis Paulo (Rosenberg). Ele está sempre disponível para falar e tal. Essas questões de orçamento e como vai se dar a viabilidade econômico-financeira do estádio, e as garantias, ele é a pessoa adequada para falar. Eu respondo pela parte técnica, pela viabilidade do projeto do ponto de vista técnico.

Sobre esse assunto, todas as exigências da Fifa foram cumpridas? Isso já foi resolvido?
A cada etapa de revisão de projeto, as exigências são cumpridas. Isso é uma coisa normal. Aí se a Fifa vir alguma possibilidade de fazer novas exigências, ela faz e a gente atende, não tem problema nenhum. O projeto está sempre atendendo as exigências da Fifa. Sem restrições. A gente não faz restrições. A nossa prioridade é atender a Fifa.

Veja também:
» Aurélio Miguel: SP quer favorecer Corinthians e Odebrecht
» Odebrecht aceita preço para construção de estádio corintiano
» Vereador: Isenção ao Itaquerão é cheque pré-datado sem saber se tem fundo
» Jornal: Concorrente da Odebrecht baixa orçamento do Itaquerão
» BNDES veta fundo e exige banco para financiar Itaquerão, diz jornal
» Jornal: Custo de estádio do Corinthians pode saltar para R$ 1 bilhão
» Corinthians desconhece quem vai bancar estádio da Copa
» Siga Bob Fernandes no twitter

 
Divulgação
Um dos projetos de estádio do Corinthians para a zona leste paulistana

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol